quinta-feira, 21 de maio de 2015

Notas Soltas*

Mais vale prevenir do que remediar

Para aqueles que, e bem, não dispensam a sua caminhada, corrida ou passeio de bicicleta pela belíssima marginal de Esposende, certamente que já se terão dado conta que a ciclovia alarga exponencialmente junto ao Pé no Rio. O modesto tapete vermelho ganha aí uma outra dimensão.
Ora, nessa zona, na falta de outro pavimento que permita distinguir o que deve ser utilizado por peões/corredores e o que deve ser utilizado por ciclistas, o tapete acaba por ser percorrido indistintamente por todos. Por outras palavras, deixa de existir qualquer fronteira entre as duas rodas e aqueles que, tranquilamente, correm ou andam a pé.
Por isso, não são de admirar os episódios em que, por um triz, ciclista e peão evitam um valente embate entre si, para não falar dos casos em que isso acabou mesmo por suceder.
Talvez por lapso, alguém se esqueceu de fazer uma clara demarcação, a tinta branca por exemplo, nessa faixa alargada da ciclovia que se situa junto ao Pé no Rio. 
Seria útil que se efetivasse essa demarcação, mantendo também nessa zona a separação evidente que existe ao longo do restante percurso da ciclovia, designadamente entre o espaço que compete aos peões/corredores e o espaço que cabe aos ciclistas. 
Com a aproximação dos meses de calor, será mais flagrante a movimentação de pessoas na marginal. Ora, uma vez que ocorre nesta altura uma intervenção na marginal, tendo em vista o alargamento da ciclovia, tal constitui uma boa ocasião para também ser feita uma breve intervenção no espaço junto ao Pé no Rio, corrigindo a lacuna atualmente existente.

Não há duas sem três

Ainda perdura na memória de muitos portugueses a fantástica campanha da seleção sub-20 de futebol no Mundial daquela categoria disputado em Portugal, em 1991, e que culminou com a conquista do troféu.
Vinte anos depois, na Colômbia, Portugal voltou a disputar uma final, novamente contra o Brasil. Dessa vez porém, a seleção das quinas não conseguiu, infelizmente, repetir o feito da geração de Figo, Rui Costa e João Vieira Pinto, não obstante o elevado nível apresentado. Na seleção de 2011, despontou Rafael Lopes, oriundo de Gemeses, que fez parte da sua formação na Associação Desportiva de Esposende, e que atualmente representa a Académica.
Dois anos depois do Mundial da Colômbia, a prova realizou-se na Turquia. A seleção de Portugal voltou a contar com um jovem jogador natural do concelho, no caso Tozé, atleta que iniciou a sua formação no Forjães Sport Clube, prosseguindo-a no Futebol Clube do Porto, e que, atualmente, encontra-se emprestado pela equipa portista, ao Estoril.
Em 2015 irá decorrer nova edição do Mundial de sub-20, desta feita na Nova Zelândia. À semelhança das duas anteriores edições, a prova voltará a contar com um digno representante do nosso concelho, no caso Dinis Almeida, jovem natural de Belinho e que fez parte da sua formação no Futebol Clube de Marinhas.
Apesar da ausência de destaque ao nível coletivo nos últimos anos, o concelho projeta-se, futebolisticamente, através dos seus jovens valores, dignos embaixadores no desporto-rei.

Uma condecoração para 19 de Agosto de 2015

Joaquim de Carvalho foi Presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), no período entre 1993 e 1995.
A presidência do STJ corresponde a uma das funções mais distintas da sociedade portuguesa, sendo o seu Presidente considerado, em termos hierárquicos, como a quarta figura do Estado, depois do Presidente da República, Presidente da Assembleia da República e Primeiro-Ministro.
Embora não tendo nascido em Esposende, Joaquim de Carvalho, pelos mais de 60 anos de vida que leva ligado à cidade (família Areia) e ao concelho, onde fez parte da sua longa e brilhante carreira, é um esposendense de coração e de convicção.
Pelas funções que exerceu é, sem margem para qualquer dúvida, uma das maiores personalidades ligadas a Esposende.
No dia 19 de Agosto, o Município de Esposende tem por costume distinguir, precisamente, personalidades cujo percurso de vida, pela relevância no concelho ou para além deste, contribuiu para o seu desenvolvimento ou enobrecimento.
A distinção a Joaquim de Carvalho, no dia 19 de Agosto deste ano, com a mais alta condecoração do Município, a Medalha de Honra, cumpriria, com justiça e elevação, o reconhecimento de um percurso de vida notável, indelevelmente ligado a Esposende.

*Publicado no Jornal Notícias de Esposende, n.º 18/2015 - 09 a 15/Maio

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Um privilégio da natureza e...da oração!


Como católico, gosto de ir anualmente até Fátima, já visitei o Vaticano e já conheci Santiago de Compostela. Como tantos outros, desejo, também, um dia poder fazer a minha peregrinação até à Terra Santa.

Peregrinados alguns dos lugares religiosos mais emblemáticos, continuava a faltar-me, para vergonha pessoal, a participação na peregrinação anual que decorre na minha própria terra, a peregrinação na Senhora da Guia, que tem sempre lugar no primeiro domingo após o 13 de Maio. 
No ano passado, decidi reparar essa grave lacuna, tendo ido à peregrinação. Este ano, voltei a marcar comparência.
Duas edições depois, o primeiro pensamento que assalta a cabeça é: como foi possível ignorar esta peregrinação tanto tempo?
É que, sem qualquer especial favor, o santuário da Senhora da Guia é dos lugares mais fantásticos do nosso concelho e distrito, e que, do ponto de vista religioso, consegue proporcionar um altar de oração único, tal a envolvência da natureza que o rodeia, e vista deslumbrante sobre o ocenao, gerando contínuas ações de graças sobre as maravilhas que o Senhor operou. É de facto uma fortuna imensa o concelho poder ter um lugar de encanto tão íntimo e especial como é o Santuário da Guia.

De há 14 anos para cá que, anualmente, o arciprestado do concelho leva a cabo esta peregrinação. Todos os anos, uma paróquia diferente fica incumbida de organizar e gerir os preparativos da peregrinação. 
A edição deste ano ficou marcada pelo fortíssimo calor que se fez sentir. Algo que acaba por ser inevitável, dada a época do ano em que se realiza a peregrinação. Várias pessoas acabaram mesmo por desmaiar, tendo de aguardar pela chegada da ambulância. Num caso, uma peregrina acabou mesmo por ter sido transportada pela viatura da GNR.

Como 14 anos já dão alguma estaleca para a organização de edições futuras, gostaria de aproveitar a ocasião para partilhar algumas sugestões para a próxima peregrinação na Senhora da Guia:

1. Melhor publicidade da peregrinação.
Conforme acima referi, é um lugar muito especial do ponto de vista religioso e que deve ser peregrinado pelos milhares de crentes do concelho. Infelizmente, a peregrinação ainda não é suficiente e amplamente publicitada pelas paróquias (falar uma semana antes é pouco).

2. Numa boa preparação é que está o ganho de uma peregrinação bem sucedida
Escalar a Senhora da Guia, debaixo de sol imponente, não é brincadeira. Ora, se qualquer peregrino que realize peregrinação a Fátima a pé é avisado para todos os cuidados e devido planeamento, o mesmo deve suceder, também, com os peregrinos da Senhora da Guia. 
Desde o calçado e roupa a usar, passando pela necessidade de ingerirem água com regularidade, uso de protetor solar e chapéus, etc.
Não sei se isso é feito. Sei que na minha paróquia nada foi dito nesse sentido. Ora, pela sua importância, são avisos pertinentes e que fazem falta. No próximo ano, os párocos devem, insistentemente, focar esse ponto.

3. Equipa de apoio
Por força do forte calor que se faz sentir, deve haver um dispositivo de segurança em permanência, da Cruz Vermelha por exemplo, para poder socorrer prontamente os peregrinos, desde os que desmaiam, passando por aqueles que apanham uma insolação ou que estão desidratados. 
Ontem enquanto decorria a Eucaristia não se vislumbrava qualquer equipa de apoio, nem ambulância estacionada, o que não se percebe dada o elevado número de pessoas que a peregrinação congrega.
Nesse âmbito, também seria útil se houvesse uma equipa a distribuir águas pelas pessoas, pois muitas gastam as suas bebidas num instante ou não vão devidamente munidas das garrafas suficientes. 

A 15 de Maio de 2016, conto estar, de novo, na peregrinação na Senhora da Guia. Para os leitores do Largo dos Peixinhos que nunca foram, fica a sugestão. É um lugar de oração sem igual e que vale bem a pena ser peregrinado.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Pelas ruas de Belgrado

Onde existe uma bela mulher, existe vida.

Belgrado, sendo absurdamente repleta de belas mulheres, tem vida dentro dela, muitíssima vida.

Mas não apenas de belas mulheres são feitas as ruas de Belgrado.
Pelo seu interesse histórico a União Soviética é o meu amor, mas a Jugoslávia é a minha paixão. 
Foi com o seu desmembramento que ganhei interesse pela política internacional e pela geopolítica, desde a Guerra da Bósnia, até aos bombardeamentos pela NATO em 1999, acabando na queda do poder por parte de Milosevic. Belgrado vivia na minha imaginação como uma das capitais europeias mais politizadas e onde as ideologias viviam mais entranhadas. Não estava longe da verdade...
Nestas ruas o cheiro da geopolítica internacional é intenso e em cada rua vemos bandeiras, grafitis, sinais de correntes políticas com uma intensidade a que já não estamos habituados a ver no nosso dia-a-dia e que muitos pensavam esquecidos.

Nas suas ruas é possível descortinar sinais de apoio aos separatistas pró-russos na Ucrânia, t-shirts com a sigla “Kosovo é Sérvia", existem bancas que vendem camisolas com a cara de Milosevic, Karadzic e Mladic, antigos generais sérvios procurados pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia, e imagens do assassino do príncipe Franz Ferdinand. 

Não vemos quase nenhumas foices e martelos nos edifícios governamentais, mas o mausoléu do General Tito continua bem cuidado e quase imaculado. Surpreende-me que a sua figura continue a ser muito consensual, existindo lojas de recordações apenas com a sua imagem, mas a Jugoslávia parece ser algo de um passado muito distante e que ainda mais distante ficou com o aparecimento do nacionalismo sérvio pós-desmembramento.
Pelos edifícios das suas ruas vemos o dedo da história e o toque das diversas correntes que governaram estas paragens, que são a verdadeira prova que esta cidade viveu no epicentro dos mais diversos momentos históricos na Europa. Tal como em quase tudo, até nos seus edifícios esta cidade mostra que respira política.

Se no seu centro deslumbramos os edifícios descendentes da época do império Austro-húngaro, com o seu estilo clássico e enriquecido, rapidamente passamos para os edifícios pós-2ª Guerra Mundial, com a arquitetura concreta comunista de linhas retas e formas geométricas simples a dominarem os bairros sociais e os edifícios governamentais da antiga Jugoslávia terminando nos edifícios de vidro e inox da Nova Belgrado que nasce junto às margens do rio Sava.

Mas os edifícios que ficam na retina são os edifícios centrais do exército e da televisão sérvia que foram bombardeados em 1999. Ainda hoje se conservam tal como ficaram depois de serem bombardeados para que sirvam de memória às gerações passadas e de aviso às gerações futuras. 

Mas se estes serviram de memória, outros há que serviram de exemplo na recuperação deste país. A torre Usce voltou a erguer-se marcando o início da nova Belgrado, a bombardeada ponte de Ostružnica foi reparada e nasceu a ponte de Ada, a maior ponte de pilar único no mundo.

E até nesta recuperação a Sérvia é um rendilhado político. Se no tempo do General Tito a Jugoslávia vivia uma distância prudente de Moscovo e vivia numa constante aproximação ao Ocidente, hoje a Sérvia mostra-se cada vez mais reticente na adesão à União Europeia e próxima da Rússia. 

Pelas suas ruas é possível deslumbrar um significante número de cartazes da Gazprom, caminhos-de-ferro russos ou o Sberbank a fazer a exaltação das boas relações entre os 2 países.  Até o Hotel Moscovo que aqui existe é o único hotel com o nome da cidade fora da Rússia. 

Esta Sérvia olha com desconfiança para o que o futuro na União Europeia lhe reserva, começando a ponderar se é preferível fazer o seu caminho calmamente ou se ser um súbdito da Alemanha lhe vai permitir trazer o investimento necessário para a encher os bairros financeiros da Nova Belgrado. Certamente terá de efetuar um interessante número de equilibrismo entre a integração europeia e o reforçar de laços com Moscovo.
Mas não apenas de belas mulheres e política se faz Belgrado.
Não foi por acaso que o website TripAdvisor lhe atribui a distinção de “Cidade a Visitar em 2015” na Europa. Estivesse Belgrado na Europa Central, maiores facilidades de acesso ou publicidade mais positiva e já a teríamos visto em todas as reportagens de viagem nos jornais e revistas de viagens. Surpreendentemente esta cidade esquece o rio Danúbio e apenas ouvimos falar no Rio Sava e na sua frente marítima.
Os seus restaurantes são de elevada qualidade, ficando na memória os quase omnipresentes jardins de inverno e as orquestras de 5 elementos que faziam a música ambiente para a sala de jantar e os bons pratos de carne, em especial o bife da Dalmácia, e a tarte de noz Sérvia. Aqui não poderei deixar de referir o Madera e o Clube dos Escritores que além da vista sobre os magníficos parques que os rodeiam ainda conservam o desumidificador de charutos, carrinho de bebidas e o guarda pastilha-elástica.
Os parques são endémicos, existindo um em quase todas as esquinas e nos parques principais já temos pistas de tartan específicas para os corredores, evitando o amotinado com os restantes frequentadores do parque. 

Para quem gosta de turismo religioso, Belgrado também é uma boa surpresa já que sendo a capital da Igreja Ortodoxa Sérvia é possível ver aqui algumas das maiores igrejas do mundo Ortodoxo que paulatinamente vão sendo recuperadas mas os efeitos das sanções económicas ainda se fazem sentir com muitos dos edifícios a necessitarem de alguma limpeza e de alguma recuperação para ser mais atraente para o turista comum.
Ao bom estilo do leste europeu, os sorrisos não são abundantes mas também as tentativas de roubo são quase nulas e existe uma ideia de civilização. As pessoas deixam as suas carteiras e pertences nos bancos do jardim enquanto dão a sua corrida e em muitos casos não é necessário semáforos para que se respeitem as passadeiras e a prioridade dos peões.
Voltem-me a chamar de mulherengo, tarado, rabo-de-saia, pouco me importa, mas as belas mulheres desta cidade são mais do que um bom motivo para a visitar.
Elas transformam as ruas em passadeiras de moda, as esplanadas parecem agências de modelos, nas mais inusitados lugares descobrimos raparigas de uma beleza incrível e cada viagem num transporte público é mais um convite a um deslumbramento. 

Com o seu estilo clássico-chique, surpreende como é que num país onde os salários são 25% mais baixos do que em Portugal  e onde as grandes marcas de roupa quase não existem, o nível de apresentação das pessoas é tão elevado sendo substituídas pelas lojas das modistas, palavra quase esquecida no nosso dia-a-dia. 

Olhando para as sérvias vemos claramente os benéficos efeitos da prática desportiva integrada na educação em comparação com a visão singapuriana da educação e os seus testes, estudo compenetrado, notas e grandes conhecimentos de matemática.
Já tinha lido que esta era uma das cidades com as mais bonitas mulheres do mundo e hoje acho que não sendo verdade absoluta poderia andar lá perto.
Se algum jovem rapaz solteiro estiver a pensar em visitar Belgrado, aconselho vivamente que vista o blazer e  calce o sapato clássico e vá ao Kasina durante o fim-de-semana, de certeza que tão cedo não se vai esquecer da ambiência da melhor discoteca da cidade.
Belgrado ficou para trás mas algo me diz que esta não foi a última vez aqui.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Ciclovia - falha a corrigir

Para aqueles que não dispensam o seu passeio ou corrida pela belíssima marginal de Esposende, certamente que já se terão dado conta que a ciclovia alarga exponencialmente junto ao Pé no Rio. O modesto tapete vermelho ganha aí uma outra dimensão.
Ora, nessa zona, na falta de outro pavimento que permita distinguir o que deve ser utilizado por peões e o que deve ser utilizado por ciclistas, o tapete acaba por ser percorrido indistintamente por todos. Por outras palavras, deixa de existir qualquer fronteira entre as duas rodas e aqueles que, tranquilamente, correm ou andam a pé.
Por isso, não são de admirar os episódios em que por um triz ciclista e peão evitam um valente embate entre si, para não falar dos casos em que isso acabou por suceder.
Talvez por lapso, alguém se esqueceu de fazer uma clara demarcação, a tinta branca por exemplo, nessa faixa alargada da ciclovia que se situa junto ao Pé no Rio. 
Seria útil que se efectivasse essa demarcação, mantendo a separação evidente que existe ao longo do resto da ciclovia, designadamente entre o espaço que compete aos peões e o espaço que cabe aos ciclistas. 
Com a aproximação dos meses de calor, será mais flagrante a movimentação de pessoas na marginal. Ora, uma vez que ocorre nesta altura uma intervenção na marginal, tendo em vista o alargamento da ciclovia, esta é uma boa altura também para ser feita uma breve intervenção no espaço junto ao Pé no Rio, corrigindo a falha aqui apontada.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

O meu 25 de Abril

Eu não vivi o 25 de Abril, pertenço à geração que conhece o processo revolucionário pelas imagens de arquivo das televisões e por aquilo que ouviu falar. Mas isso não me impede que tenha uma opinião sobre o processo, as suas consequências, os seus aspectos bons e aspectos maus. 

Eu sou daqueles que sabe que Abril foi uma revolução e não uma evolução, como aqueles que quiseram fazer uma nova narrativa sobre este processo. A mesma narrativa que nos querem impingir quando nos dizem que antigamente é que era bom, que antigamente é que tudo corria bem, que antigamente todos éramos pobres mas felizes.

Antigamente não havia sapatos para todos, não havia remédios para todos, não havia comida para todos, antigamente não havia vida digna para todos. Se muitos consideram que a liberdade de expressão e política foi a maior vitória de Abril, a maior vitória, na minha opinião, será a do direito à vida.
10 anos antes de eu nascer ainda havia mães que levavam os seus filhos ao Vera Cruz para os ir ver partir para a sua morte, para o seu esturpo, como se soubessem que o rapaz que até ali tinham conhecido ficaria em África, ainda havia mães, esposas  e familiares que iam receber o seu filho, marido e amigo dentro de um saco plástico vindo de África.
Nada, mas absolutamente nada, do que a minha geração passou se compara ao que a geração da guerra colonial passou e daqui presto os meus respeitos a quem ficou na Guiné, Angola ou Moçambique.
Sei que me dirão que a guerra foi injusta e que as causas não eram as mais nobres e foram ao abrigo de um estado detestável, mas quem lá ficou e quem cá ficou merece o nosso respeito. A guerra colonial, como outros assuntos da sociedade portuguesa, foi esquecida e encoberta, sendo hoje um tema que apenas a espaços é falada, discutida e revista.
Celebrar Abril é recordar a todos aqueles que acham que todos temos de ser conformados e passivos que não existe uma verdade única, não existem dogmas, não existem linhas orientadoras de carácter, não temos apenas uma saída para a nossa vida.

Celebrar Abril é recordar a todos aqueles, principalmente aos jovens, que ter uma vida confortável dá trabalho e que nem sempre é trabalho laboral mas um trabalho cívico, de participação ativa na sociedade, nos partidos, nas suas instituições. Serem revolucionários de redes sociais não chega.

Comemorar Abril ainda hoje é revolucionário.

sábado, 25 de abril de 2015

25 de Abril...

É um imperativo de consciência: o 25 de Abril jamais deverá ser esquecido. 
Se hoje podemos escrever aquilo que escrevemos neste espaço é devido a todos aqueles que lutaram pela liberdade, mas não só pela liberdade... Por todos os que lutaram por uma sociedade mais justa...

Não sou "filho" de Abril, sou "filho" da liberdade, fui formatado para essa liberdade. Nunca tive de sentir o gosto, amargo e azedo, da ditadura, nunca tive de ser subversivo para expressar as minhas ideias, nunca tive de viver sobre o jugo das ideias dos outros. 

A todos os que fizeram o 25 de Abril de 1974, o meu Obrigado!!!
Mas não só aqueles que fizeram o 25 de Abril de 74, mas a todos os que diariamente fazem "a revolução" para uma sociedade justa e livre, que contribuem para os verdadeiros ideais de Abril. 

Vivemos tempos conturbados, vivemos tempos em que a liberdade não é uma liberdade plena, onde nos tentam, novamente, impor ideias, impor ideais, onde a nossa liberdade é ameaçada pelos poderes económicos, por alguns poderes políticos (sejam de que quadrante forem)!!! 
O 25 de Abril faz 41 anos, mas em certas "cabecinhas" ainda não teve tempo de amadurecer, de se enraizar, de fazer escola. 
A democracia livre ainda não chegou a todos. Muitos ainda não entenderam o sentido de liberdade, por outro lado muitos levaram a liberdade longe demais.

Citando Nelson Mandela:
"Ser pela liberdade não é apenas tirar as correntes de alguém, mas viver de forma que se respeite e melhore a liberdade dos outros".

O 25 de Abril de 1974 tirou as correntes aos Portugueses, aproveitemos para dia a dia melhorar a nossa liberdade.
Continuemos a fazer a "revolução", não só com a saudade do que passou, não só com os cravos vermelhos na lapela ou empunhados num braço esticado ao céu, mas uma revolução do pensamento, uma revolução nos valores. 
Assim viveremos plenamente os ideais de "Abril", um "Abril" tão nosso, um "Abril" para todos!!!



 

terça-feira, 21 de abril de 2015

Conferências e cravos

Uma pessoa percebe que um evento foi mal aproveitado quando só se apercebe do evento depois de ele ter ocorrido e esse foi o caso da passagem de Augusto Santos Silva por Esposende.

Augusto Santos Silva esteve em Esposende a convite do PS Esposende para encerrar as comemorações dos 40 anos do 25 de Abril e foi uma passagem quase incógnita.

Sei que Augusto Santos Silva não faz parte dos notáveis do PS  e é uma figura de 2ª linha na política nacional. Foi o homem que disse que gostava de “malhar na direita”, mas sendo um dos poucos comentadores que conta com um espaço próprio de opinião (para mim não existem análises imparciais em política) no horário nobre da TVI24, faz-me confusão que a sua passagem não fosse mais aproveitada.
Surpreende que o PS local não tenha feito maior publicidade a este evento e aproveitado para demonstrar uma maior vitalidade da sua base de apoio, voltando a cair no seu erro genético, o desperdiçar da máquina socialista. 

Esta tinha sido uma boa altura para ganhar algum tempo de antena e preparar o terreno para as legislativas e abrindo algumas perspetivas no quadro autárquico.  O PS Esposende continua numa toada algo conformista, tendo boas ideias mas parecendo que têm algum medo em demonstrar uma irreverência, um inconformismo com a situação atual, uma vontade de mudança. 

Não é sendo o bom aluno que a mudança política se vai dar em Esposende e o PS Esposende gosta de ser o bom aluno e penso que o PS Esposende demonstra um dos piores defeitos de uma boa parte do PS nacional, dar à direita o poder de definir quem é  “responsável” e “credível” na esquerda portuguesa.
Sei que me vão dizer que o objetivo era discutir o 25 de Abril e fazer a comparação entre onde estávamos e onde hoje nos encontramos, mas esse seria um enfoque demasiado ingénuo.
Surpreende ainda mais o facto dos meios-de-comunicação do concelho não aproveitarem, à excepção da Esposende Serviços que transmitiu a conferência,  a sua presença para umas entrevistas rápidas, para destoar das habituais entrevistas às figuras do poder local.
O peso político necessário para se ser entrevistado pelos meios de comunicação esposendenses deve ser altamente elevado…