sábado, 16 de janeiro de 2016

Paulo Gonçalves no Dakar 2016

Paulo Gonçalves não vence mas convence.

Depois de dias na liderança a esperança foi crescendo mas afinal a vitória não chegou.

Mas isso não importa muito...

Mais uma vez vimos imagens, que correram o mundo, de Paulo Gonçalves de que todos nos podemos orgulhar.

E isso é o que importa!

O sucesso desportivo continuará e Paulo Gonçalves continuará ao mais alto nível no motociclismo e isso é algo de que todos nos podemos orgulhar.
  

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Mudanças...

14.01.2015
Errar é humano... continuar a errar, continua a ser humano!
O dia de ontem ficou marcado pela reorganização das pastas na Casa Grande!
Ainda que as mudanças não tenham merecido as habituais notas de imprensa, vai-se já sabendo alguma coisa.

Em primeira linha, sabe-se de fonte segura que o Mayor reconheceu alguns erros nas suas opções passadas, sobretudo no que respeitou à distribuição de algumas “pastas”!
Desenganem-se contudo aqueles que pensam que o homem interiorizou o dito popular “aprender com os erros é uma virtude”!! Se tratássemos de um jogo de batalha naval esse palpite mereceria um rotundo “água”!

Comecemos então, com base na parca informação disponível, uma breve análise!

Benjamim Pereira: 
O nosso Mayor chama a si a pasta das obras, pasta onde (pelo menos aparentemente) desempenhou  com competência as funções, nos tempos em que as assumiu enquanto vice.
Até aqui tudo bem! Direi mesmo, que retornando o Mayor ao adequado pelouro das obras, deixa assim livre a “cadeira de cima” para que o ex-autarca possa voltar nas próximas eleições, encontrando a equipa a jogas nas mesmas posições em que a deixou.
Problemas: ao retirar a pasta das obras ao seu vice o chefe de fila auto-atestou a sua falha na “contratação”. 
Benjamim Pereira não confiou em nenhum dos seus colegas de vereação para, promovê-lo à condição de vice. Ao invés, foi à estrutura do Partido pescar um membro activo e com um perfil sereno (quiçá com medo da sombra) e entregou-lhe a vice-presidência com um pelouro que toda a gente sabia não seria o mais adequado! Não se tratará aqui certamente de diminuir a capacidade de trabalho e adaptação da pessoa em causa, mas tão somente de reconhecer o óbvio: haveria outras pastas onde Maranhão Peixoto representaria uma clara mais-valia para o executivo. Assim não o viu o chefe de fila - e diga-se, continua a negar as evidências com esta remodelação.

Maranhão Peixoto: 
O “vice” no lugar ingrato! “Contratado” directamente para o topo da tabela, fazendo lembrar a chegada de Benjamim Pereira ao executivo, foi entregue a um pelouro para o qual, veio Benjamim Pereira a atestar, não estar afinado. 
Para nós, aqui no Largo, que vínhamos achando que, num tempo em que a construção está serena, o vice vinha cumprindo, não deixa de ser novidade que o chefe dele assim não o entenda - sinal que “intra-muros” algo vai mal.
Honra lhe seja feita, Maranhão Peixoto recebia as pessoas! Ora isto levanta uma outra questão: se não faltam as vozes a reclamar na rua de que Benjamim Pereira não tem tempo para receber ninguém, onde arranjará tempo para responder às solicitações relativas ao urbanismo? Irá ter mais um assessor para esta área? E se for para ter assessor, porque não assessorou Maranhão Peixoto, afirmando-o assim no lugar, ao invés de o fragilizar com este revés?
Perdidas as obras, Maranhão Peixoto ganha o Desenvolvimento Económico, Agricultura, Pescas, Mercados e Feiras!
O desenvolvimento económico tem sido uma das bandeiras de Benjamim Pereira, a verdade é que o retorno tem sido “zero”! E não, não creio que tal se deva a responsabilidades da até aqui vereadora da pasta! Tal dever-se-á tão somente a um programa político sem rumo! Porque da mesma forma que vemos o Mayor assumir a dianteira na pasta da cultura, surgindo sistematicamente nas sessões “solenes” de lançamento de publicações, interessante seria vê-lo também com intervenção nesta área - e não, assinaturas de manifestos de intenções para centros de estudos não são desenvolvimento! O Estado deve ocupar zonas pelas quais os privados não demonstrem interesse e não o contrário!
A ver vamos! Mas aposto já que Maranhão Peixoto não fará melhor que Raquel Vale, porque o problema é global e não de uma mera pasta! Não se conhecendo também aptidões claras ao vice para esta área, forçoso será concluir que o critério tenha que ver o a “costela” de Mar - logo, pasta das pescas!
(Áreas: desenvolvimento económico, agricultura e pescas, comércio e indústria, mercados e feiras, energia, mobilidade, proteção civil e segurança, florestas).

Jaquelina Areias: 
Mantém-se nas mesmas funções! Arriscaria que depois das “novelas” que envolveram a Escola de Música, EPE e coros... o melhor será “não mexam mais senão estraga”!
Ofuscada nos actos públicos pela presença do chefe de fila, melhor será manter o “trabalho de secretaria”!
Comparada a todos os outros, bem que poderiam ser-lhe atribuídas mais áreas funcionais!
(Áreas: Educação e Cultura)

Rui Pereira: 
Como vimos por aqui dando nota, tem sido o elemento mais activo, muitas vezes a solo. 
Assume, além do que já tinha, a gestão e manutenção de infra-estruturas). Não será certamente nada que o faça vacilar, a menos que a intenção seja meter-lhe aos pés os buracos das vias de um concelho cada vez mais voltado para as “selfies” na marginal.
(Áreas: turismo, desporto, juventude, transportes e gestão e manutenção de infra-estruturas)

Raquel Vale: 
Saqueada da pasta maior para ser entregue ao vice, Raquel Vale ganha a “administração e recursos humanos” - quiçá o quebra-cabeças da freguesia! Não deixará de ser relevante que esta pasta seja entregue à titular da pasta do ambiente pois, a julgar pelos ecos da praça, coisa que será necessário melhorar é o ambiente na casa grande. 
Não tardará, se continua a ter tantos elogios à loja solidária como até aqui, vai ficar também sem a pasta.
(Áreas: Coesão Social, ambiente, saúde pública, qualidade e modernização administrativa, administração e recurso humanos).

O dado curioso: com excepção do Vice, toda a restante equipa já trabalhou junta, e diz-se - vinha desempenhando um bom trabalho - pelo menos assim o impõe a análise dos resultados.
De repente a máquina emperra! 
Tendo em conta que só houve duas mudanças: a nomeação de um novo vice e a promoção do vice anterior... é caso para suspeitar que o actual vice é um destruidor de equipas! Ou então não... e só sobra uma opção!

Posto isto, há uma pergunta se me coloca:

Será que é desta que Benjamim Pereira assume o pelouro da Presidência? 
Ou continuará empenhado a 100% no pelouro do Marketing?

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Prof.º João Machado, o reconhecimento.

As mãos de um homem contam a história da sua vida.

As mãos do prof.º João Machado contavam a história da sua vida, eram mãos de trabalho pouco usuais em professores e mostravam o que era ser um herói silencioso.

O prof.º João Machado foi um dos heróis silenciosos da Escola Secundária Henrique Medina, tendo muitas obras sido realizadas pelas suas próprias mãos, quer em termos de obras artísticas, quer em termos de obras de construção civil. 

Inspirou muitos dos seus alunos a seguirem a área das artes e, principalmente, a potenciarem as suas ideias e os seus projectos pelo seu espírito disponível, afável e empreendedor.

O prof.º João Machado, como um adepto da causa pública e da escola pública, e por tudo o que fez nela e nela potenciou, merece um reconhecimento, não só por parte da Escola como da vereação da cultura e educação deste concelho.

Não direi que privei frequentemente com ele, apenas me lembro de ter falado com ele nos jantares do 25 de Abril, mas pelos relatos que ouvi a opinião sempre foi unânime e apontavam sempre na mesma direção, um homem que se dava aos outros de uma forma já muito pouco habitual.

Sei que o reconhecimento que ele mais queria era o reconhecimento de quem lhe era próximo e íntimo e isso, de certeza, que o já tinha há muito, mas o reconhecimento público também deve ser dado a quem o merece e ele merecia-o.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

O ano de 2015 em revista, de A a Z*

“Botado” fora o ano velho e chegado o novo cá p'ra dentro, não queremos, porém, deixar de dedicar as primeiras linhas do novo ano a uma última e derradeira revisão, de A a Z, ao que de relevante sucedeu no concelho de Esposende em 2015, desde os principais factos às figuras que estiveram em destaque. 

Agostinho Pinto Teixeira – ao cabo de mais de 30 anos à frente da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Esposende, sai de cena pelo próprio pé, abrindo espaço a um novo ciclo na distinta e centenária instituição.

Benjamim Pereira – cumpriu, em Outubro, metade do mandato autárquico conferido pelo povo esposendense. “Ganhar o Futuro” foi o mote de partida. No entanto, as principais políticas adoptadas acabam por representar “mais do mesmo”.

Cultura – o pelouro pobre do executivo camarário. Enquanto autarquias vizinhas esmeram-se em ciclos literários, de cinema, música ou teatro, que pontuem o calendário anual, Esposende continua a marcar passo, com iniciativas esporádicas. Continua a faltar rasgo.
    
Desporto – a bandeira mais visível do executivo camarário. O ano de 2015 foi particularmente forte nos eventos realizados, sobretudo ao ar livre, onde Esposende proporciona o melhor que uma autarquia pode desejar: localização privilegiada (envolvente mar-rio-montanha), clima propício e infra-estruturas adequadas.

Esposende Rádio – no ano seguinte a ter assinalado, pomposamente, 25 anos, silenciou-se a voz naquela que foi, anos a fio, a companhia diária de gerações de esposendenses. Será que ano novo significará vida nova para a única estação de rádio do concelho?

Fôjo – a polémica de final de ano. Fecha? Não fecha? Uma incógnita que prosseguirá nos primórdios de 2016.

Galaicofolia – um evento que se vai consolidando no parco panorama cultural local, ultrapassando fronteiras. Esposende é um concelho com história e, felizmente, memória. Uma iniciativa em crescendo.

Helena Venda da Lima – a protagonista (vítima?) da polémica do ano. Uma quase saída forçada, que acabou por converter-se em apelo e intervenção presidencial directa para que continuasse a dirigir os jovens valores dos Coros locais. Como nos filmes, o final desta história foi feliz.   

Igreja local – o ano de 2015 começou com o pé esquerdo para a Igreja concelhia, com o desaparecimento do jovem Pe. Miguel, pároco de Apúlia e Rio Tinto. Os últimos meses também ficaram marcados pelo falecimento do Pe. Manuel da Costa Amorim. Pelo meio, uma reorganização de várias Paróquias, no que anuncia um novo tempo e estilo.

João Cepa – o último ano fica marcado pelo surgimento de um novo jornal digital de âmbito concelhio, o Esposende Acontece. Quase 1 ano depois, o balanço é bastante positivo.

KOOKPROOF – um excelente exemplo de iniciativa privada que consegue rentabilizar as potencialidades de Esposende (rio e mar), captando o interesse de forasteiros, com particular destaque para aqueles que vêm fora de Portugal. A economia local agradece.

Luís Campos – enterrada, de vez, a carreira como treinador, destaca-se, agora, no papel de dirigente desportivo. Os quartos-de-final na última edição da Champions atingidos pelo Mónaco, foram a face mais visível de um trabalho mais na sombra onde dá cartas.

Medalha de Honra do Município – em Maio último, sugerimos, neste preciso espaço, a atribuição da Medalha de Honra do Município a Joaquim Areia de Carvalho, antigo Presidente do Supremo Tribunal de Justiça. Tal reconhecimento veio, efectivamente, a ocorrer, o que só enobrece o Município.

Números – mais um Anuário Financeiro dos Municípios e mais um lugar de destaque, pela positiva, para o Município. As contas à moda de Esposende continuam a ser bom exemplo.

Olímpicos – João Ribeiro e Teresa Portela já têm bilhete assegurado para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, a decorrerem em Agosto. Neles residem grandes expectativas quanto à possibilidade de o concelho ter, finalmente, um atleta medalhado na prova desportiva mais empolgante de sempre.

PDM – uma reforma morosa, com o seu q.b. de polémica, que conheceu, finalmente, a luz do dia.

Qualidade de vida – uma credencial que surge indissociável ao nome de Esposende.

Rui Pereira – o vereador mais dinâmico da Câmara.

Sazonalidade – o principal handicap do concelho. Continua em falta uma programação que consiga inverter a tendência de apagamento de Esposende após o Verão.

Tozé – outrora o atleta mais promissor da formação jovem do Futebol Clube do Porto, despediu-se, em 2015, do clube que o formou. Um desfecho que não surpreende, dado o largo historial de desaproveitamento do clube azul-e-branco dos jovens jogadores portugueses que forma.

União de Freguesias – o final de 2015 anuncia o regresso, para este novo ano, de um tema que divide opiniões. A acompanhar atentamente.

Verão – a autarquia esmerou-se em 2015 para levar a cabo uma programação como nunca dantes vista e a verdade é que foi um sucesso.

Wi-Fi – já nenhum estabelecimento local, praticamente, dispensa esta tecnologia.

Xadrez político – ainda distam quase 2 anos para as eleições autárquicas, mas começam as primeiras movimentações. João Pedro Lopes afirma-se disponível para concorrer. Nos bastidores, ao nome de João Cepa como potencial candidato, surge o nome de Vassalo Abreu (actual autarca de Ponte da Barca) para protagonizar novo assalto socialista à presidência do Município.

Youtube – uma ferramenta indispensável para acompanhar a actualidade local, através dos canais locais de comunicação, bem como para promover o Concelho no país e no mundo
.
Zona industrial – está visto que zona industrial não é, necessariamente, sinónimo de parque empresarial. Enquanto concelhos vão criando ou reforçando uma zona para integrar empresas ou centros de incubação, Esposende permanece alheio a essas boas práticas.

*Publicado no Jornal Notícias de Esposende, n.º 01/2016 - 03 Janeiro

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Fim-de-ano, vida nova

E para começar 2016 vamos falar como terminou 2015.

Falo, concretamente, da agenda de animação, ou a inexistência dela, para o fim-de-ano em Esposende.

Sei bem que quando os recursos são limitados a teoria do cobertor vem ao de cima, se cobrimos as pernas destapamos a cabeça e vice-versa.

Compreendo que o grosso da animação deva estar centrada no Verão e que é ai que se ganham mais visitantes para Esposende e que se fixam as visitas ao concelho e todos os agentes turísticos de Esposende contam com esse período para fazer o ano.

Compreendo isso, mas também depreendo que essa animação de Verão deveria servir para projetar a agenda de espetáculos e eventos para o resto do ano.

A animação de fim-de-ano na rua nunca foi uma tradição esposendense, quer pelas condições climatéricas sempre incertas, quer pela capacidade de atração das discotecas locais que absorviam os programas dos locais e dos visitantes, mas houve mudanças substanciais nos hábitos.

Hoje as discotecas e os hotéis já deixaram de ser as únicas alternativas de fim-de-ano e cada vez mais os programas decorrem em teatros, museus e antigas fábricas e, principalmente, na rua.

Olhando para as experiências que decorreram no Largo dos Peixinhos e no Parque Radical podemos dizer que a aceitação e que são espaços em que era possível pensar em algo.

A festa de fim-de-ano não seria, nos primeiros tempos, um evento para atrair turistas, serviria como evento âncora dos que cá estão nessa época e acima de tudo seria um evento para quem passa o ano inteiro em Esposende.

Olhando para Albufeira vemos o que foi uma boa construção e publicitação de um fim-de-ano, muito apoiada por uma indústria de turismo com vitalidade e um clima muito propício a eventos ao ar livre, mas já fomos tendo o caso de Guarda que este ano iniciou o aproveitamento das suas praças nesta altura do ano.

É mais um bom desafio.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Regresso ao passado*

Consumado o empossamento do XXI Governo Constitucional, chefiado por António Costa, o PSD Esposende descortinou, de imediato, um mérito no respectivo programa de governo (disponível em www.portugal.gov.pt).
Com efeito, encontra-se nele previsto a seguinte medida programática: “Avaliar a reorganização territorial das freguesias, estabelecendo critérios objetivos que permitam às próprias autarquias aferir os resultados da fusão/agregação e corrigir os casos mal resolvidos (pág. 90).”
Também o anterior presidente esposendense, João Cepa, num comentário publicado na rede social Facebook, no dia 24 de Novembro, não perdeu a oportunidade para manifestar o desejo de que a promessa eleitoral socialista de permitir aos municípios anularem a Reforma Administrativa, seja cumprida.
Pergunto-me, nestas ocasiões, por que é que Benjamim Pereira ou João Cepa, entre outros, que sempre se opuseram à agregação de freguesias com menos de 1.500 habitantes numa só, nunca pugnaram, também, pela desagregação da outrora freguesia de Marinhas em várias. É que se a União de Freguesias de Palmeira de Faro e Curvos ou a União de Freguesias de Rio Tinto e Fonte Boa, com menos de 6.000 habitantes cada, geram agora mais ineficiência, então o que dizer da antiga freguesia de Marinhas, antes da reorganização, com os seus mais de 6.000 habitantes?
Num concelho marcado pela sua pequena dimensão geográfica e que, felizmente, não é caracterizado pelo isolamento da população, como sucede em muitos concelhos do interior, que se encontram desertificados face à (e)migração de muitos dos seus residentes, manter irredutivelmente a posição do “orgulhosamente sós com as 15 freguesias” não é, de todo, racional.
Julgo que o leitor retira daqui o ridículo que é voltar a dividir o concelho em mais juntas de freguesia quando a dimensão territorial do mesmo não gera grandes distâncias. Não vejo qualquer virtualidade no processo (a não ser que fosse para corrigir algum caso pontual e não, como parecem pretender, voltar a colocar tudo na estaca zero), excepto a oportunidade eleitoralista de criar mais uns lugares autárquicos, que sempre dão jeito para alimentar as bases dos partidos locais.
Como sempre defendi, a reorganização encontrada para o concelho de Esposende pode não ter sido a melhor, mas negar o processo de reforma, ab initio, como fizeram os partidos locais, não foi a melhor resposta às exigências que o progresso e as constantes mutações das realidades sócio-económicas colocam aos responsáveis políticos.
O facto de a coligação PàF ter ganhado no concelho com maioria absoluta, é revelador do quanto os esposendenses se mostraram receptivos ao programa socialista e, em especial, à eventual reposicão das freguesias extintas.
No ano novo que se avizinha, o tema da reorganização do mapa das freguesias do concelho ameaça voltar a dominar a agenda política local. O assunto não assume prioridade na lista de preocupações dos munícipes. Torná-lo prioritário será um péssimo sinal. Espero que Esposende não arrisque dar esse passo atrás.

*Publicado no Jornal Notícias de Esposende, n.º 47/2015 - 19 Dezembro

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

E em Esposende Acontece


O aparecimento do Esposende Acontece (E.A) era algo que estava a ser muito antecipado e aguardado como o novo dominador dos meios de informação esposendenses.

Deixei passar alguns meses até partir para a análise do Esposende Acontece, para que as edições fossem estabilizadas, o editorial apurado e definido, a equipa de cronistas enriquecida e fechada e qual o rumo das notícias mais recorrentes.

Como sempre, tudo o que é ansiado e muito desejado nunca corresponde na totalidade aos anseios.

O E.A ganha pontos no seu aspeto visual, sendo novo na cena esposendense e até cativante com uma escolha de cores garrida mas não excessivamente espalhafatosa.

Os anúncios estão bem inseridos no ambiente do site e as fotos são geralmente de boa qualidade, em especial no que concerne aos símbolos das associações locais, clubes de futebol e as associações recreativas.

A aposta na parceria com as instituições é uma jogada inteligente, consegue dar vida às suas atividades e faz do jornal um ponto-de-encontro dessas instituições, algo que era necessário desde o semi-desaparecimento da Esposende Rádio e do efetivo desaparecimento do Jornal de Esposende.

Mas, para mim, o seu principal trunfo são os cronistas.

O E.A dá muita visibilidade aos seus cronistas e faz deles o seu principal atrativo dando aparentemente liberdade na temática que cada um aborda não se restringindo apenas a temáticas esposendenses.

Não posso deixar aqui de saudar e de elogiar as crónicas de José Felgueiras acerca da história de Esposende, um dia alguém perceberá que José Felgueiras é o homem indicado para compilar e publicar a definitiva história de Esposende e que isso com certeza não seria dinheiro atirado ao ar, e aos meus dois companheiros de blogue Francisco Melo e João Torres por todos os motivos e mais alguns.

Estas crónicas permitem diversificar os temas em questão, onde cada um aparentemente fala da área que lhe é mais próxima e pessoalmente acho isso muito positivo, permitindo uma maior proximidade dos cronistas aos seus leitores e dando-os a conhecer o que intrinsecamente permite uma valorização das pessoas enquanto pessoas e enquanto elementos da sociedade.

Mas, raramente aquilo que é ansiado e desejado corresponde às expectavas.

O E.A é demasiado parco no acompanhamento da vida noticiosa em Esposende.

Na sua linha editorial é referido que não se deve contar com o jornal para falar de crimes, tragédias e disputas políticas, mas sendo um jornal sobre o concelho não faz sentido não acompanhar estes casos quando são realmente notícias.

A política faz parte da vida de um concelho e deve ser algo natural na vida dos habitantes do concelho. Eu sei que na atualidade muitos são aqueles que acham que a política é algo supérfluo e que deveríamos viver sem políticos e que isso colhe muitos apoios mas isso não é uma atitude séria e responsável e a luta política é também ela parte da sociedade.

As tragédias e crimes banalizaram-se na nossa imprensa e hoje qualquer crime em Mangualde abre os telejornais, mas quando estes são realmente anormais ou de dimensão relevante por que não falar deles? O que não me parece que concorra para o aumento de estima esposendense é perceber como se tiram nódoas de café ou quais os melhores remédios caseiros para a tosse.

Diz o editorial que o E.A quer ser um jornal que mostra o lado bom de Esposende e para a gente da terra se orgulhar, mas isso já faz a revista da câmara "Esposende em revista" e todos sabemos o que se diz desta publicação porque em Esposende não existem apenas coisas boas, existem coisas más e oportunidades de melhoria e jornalismo também é mostrar essas situações.

Se ser um parceiro das instituições é altamente positivo, fazer a reprodução fiel dos cartazes de jogos e dos resultados dos clubes desportivos, ou o programa das atividades das nossas instituições e dos magustos e das festas do marisco, sem mais nenhum texto é algo que hoje em dia se consegue visitando uma ou duas redes sociais e não é necessário um jornal para nos dar essa informação a posteriori.

Faltam as entrevistas às forças políticas, comerciais, empresariais, institucionais não só para dar a conhecer o que as pessoas têm para dizer, o que querem fazer com os seus cargos mas também para perceber o que correu mal no seu percurso até então. Fazer um escrutínio da vida esposendense, porque esse escrutínio demonstra a vivacidade da própria sociedade em si.
Mas o pecado capital é a ausência de artigos assinados, de notícias sem rosto e sem nome.

Posso estar enganado, mas poucas são as noticias em que se sabe quem as escreveu e isso não é dignificante para o jornal, para o artigo e para o jornalista e leva sempre a ponderações sobre quem realmente o fez sendo que as poucas com fonte identificada são sempre provenientes da Câmara Municipal.

Não é um louvor um jornal não ter um jornalista identificado, um nome que sobressaia e que dê cara ao jornal.

Olhando para a sua ficha editorial apenas deslumbramos o nome do diretor geral e na redação temos um enigmático "Geral" e o respetivo email "geral". Isto não é algo que dignifique ou que dê credibilidade ao jornal, é algo que me sugere alguma opacidade em quem o elabora.

O Esposende Acontece continua a ser um bom projeto e continua a ser um bom ensaio para um portal de informação de Esposende. Deve no entanto perceber se quer ser um jornal ou um "portal" de Esposende para não cair numa zona de indefinição sobre o mesmo e isso matará o projeto em si.

Mas a verdade é que ainda não domina o espaço mediático em Esposende e ainda lhe falta capacidade de reação e de resposta à vida do concelho para ser um marco e uma bitola na vida esposendense.

O caminho faz-se caminhando...