sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Análise ao candidato: Manuel Carvoeiro.

 A CDU continua igual a si própria e é isso que a faz resistir a todas as Quedas do Muro de Berlim desta vida.

 A CDU joga uma cartada forte nestas eleições quer a nível nacional, regional e também local e isso reflete-se nos cuidados com a escolha dos candidatos e com o tipo de campanha que têm feito.
Existe um novo ímpeto na máquina autárquica da CDU, vendo uma hipótese de secundar o Bloco de Esquerda em termos de implementação nacional e ser novamente um parceiro incontornável para o PS para o obrigar a negociar com a CDU as mais diversas medidas, e esse ímpeto foi dado pela vitória em Loures.

 Por muito que isto custe aos políticos paladinos do "economês" e conhecedores dos "negócios" e da "indústria", o concelho com o salário médio mais elevado e maior taxa de população licenciada em todo o Portugal é gerido pela CDU.

Em Esposende, e dada a situação do PS, a CDU têm uma boa hipótese de tomar as rédeas da esquerda e marcar o passo no que toca à oposição ao executivo de centro-direita que governará Esposende podendo assim tornar a concelhia num importante foco na distrital.  A CDU aposta forte na conquista de 2 vereadores em Braga e reforço de votação no Porto, o que para isso não deve ser alheia o descontentamento geral de uma boa parte da população que não se vê representada e defendida nos seus mais básicos direitos e que viu parte do seu emprego desaparecer com o afundamento da construção civil e indústria falida, aqueles para os quais o milagre económico do sacrossanto turismo do Norte ainda não chegou.

 A presença mais assídua de elementos da distrital de Braga em ações de campanha daria toda uma outra amplitude à candidatura e a destacaria das outras candidaturas já que mais uma vez parece que os partidos nacionais se esqueceram das nossas concelhias. Sugeriria a presença mais frequente de Agostinho Lopes, um dos poucos deputados em Portugal que ainda consegue articular um pensamento ideológico de forma interessante e cativante.

 Mas o voto no PCP, ou na CDU, nunca é fácil, é sempre um voto complicado para muitos, é  necessariamente um voto cultural, de resistência e luta constante, conhecedor e defensor da história a que os PC's estão intrinsecamente ligados, quase granítico nos seus princípios básicos, de defesa dos direitos que podem ou não estar na moda e acima de tudo um voto no "todo" e não apenas no candidato. Para os menos conhecedores é sempre mais fácil votar no Marinho e Pinto ou numa lista de independentes que esteja a cavalgar a opinião corrente.

E isso reflete-se na campanha e nas pessoas que ela integram.

 A campanha da CDU-Esposende é claramente aquela que menos recursos têm, nos dias antes do arranque da campanha era possível ver Manuel Carvoeiro e Pedro Meira a colarem cartazes durante a madrugada não para a fotografia mas para a campanha em si, algo que poucos cabeças de lista o poderão dizer, mas é a mais autêntica em termos de entusiasmo dos participantes já que dificilmente existe o arrastar de pessoas para as ruas para fazer número. Seria necessário uma maior presença nas redes sociais, mais atempadamente para conseguir um efeito de dispersão de ideias e de medidas mais eficaz e substituir os cartazes por brochuras ou folhetins que têm maior impacto na população. 

 Manuel Carvoeiro será no atual panorama político esposendense o homem que mais campanhas têm nas pernas e isso não é tão descartável como possa parecer. Vivendo da vontade e do ânimo dos seus líderes e dos seus apoiantes que eleição após eleição dizem "Presente!" a este combate na mais genuína filosofia preconizada por Lenine : A luta do proletariado apenas será vencida com um partido uno como um exército e assente numa disciplina férrea!

 Palavras antiquadas dirão alguns, desenquadradas com a realidade dirão outros, mas olhando para o nosso panorama político local direi que são palavras que exigem honra, nobreza de carácter, coluna vertebral moral algo que certamente não é para todos os que estão na política neste momento não sendo por acaso que o PCP foi aquele partido que menos desertores teve para a lista de João Cepa, se é que teve algum. Não houve muitas reconsiderações, muitas novas visões, muitos novos desafios, muitos novos ciclos, muitos apelos, muitas correntes ou bater com a porta como noutros. Sem fazer grandes alarmes olhamos para as listas da CDU e verificamos que a proporção entre homens e mulheres nada fica a dever a outras listas que fizeram disso uma disputa. 

 E esta forma de estar vê-se no seu programa eleitoral, um programa curto, seco e orientado às necessidades básicas nem sempre sonantes e populares na espuma dos dias.

 Não vemos grandes obras, grande gastos de cimento, grandes intenções de projetos, o grandes intenções de propostas de cooperação a entidades e isso dá um sentimento de maior realidade e veracidade a um programa eleitoral.

 A medida que mais me ficou na retina foi a continuidade na revindicação do alargamento do Metro do Porto até Esposende, naquele que seria um salto qualitativo na vida de muitos esposendenses e que é uma luta esquecida pelos concorrentes à direita sabendo da derrota certa. Outras propostas interessantes são a de equivaler o acesso dos habitantes de Esposende ao Hospital de Viana do Castelo e de Barcelos como os habitantes desses mesmos concelhos e a de potenciar a recuperação das fachadas dos prédios e casas dos centros urbanos do concelho como forma de recuperação urbana sem ceder à tentação do betão. 

 Como lado mais negativo teria de apontar a necessidade de maior acutilância nas propostas referentes ao comércio e indústria e sobre o trabalho, um dos terrenos prediletos da CDU e onde o concelho carece de ação e de dinamismo e onde todos os ganhos são sempre um trunfo válido. 

 Não é fácil ser um elemento do PCP num concelho maioritariamente de direita quanto mais ser um vereador do PCP num concelho de maioria de direita há décadas e Manuel Carvoeiro deve saber bem isso.

Tenho dito.


quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Análise ao candidato: Benjamim Pereira.

Fazer a análise de uma candidatura de um candidato que sempre tentou não ser político é algo complicado mas sempre possível, e não sou daqueles que pensa que não ser político é uma qualidade . 

Benjamim Pereira levou o seu mandato com o registo de um político pouco político, usou do silêncio para deixar a oposição a falar sozinha mas destas eleições vai sair uma oposição política em todos os órgãos autárquicos o que o obrigará  a ser um político e esta é a altura para a sua transformação.

Nunca houve um presidente da Câmara com uma tal oposição opinativa e o seu silêncio quase sempre foi visto como um sinal de franqueza. Enquanto escrevo estas palavras as redes sociais inundam-se de comentários sobre como as cartas de apoio a Benjamim Pereira dizem de uma forma taxativa que João Cepa é muito melhor presidente do que ele. Querem um melhor exemplo? Penso que não seja necessário. 

Considero que em termos mediáticos a sua campanha foi bi-polar e faltaram limar algumas arestas para a tornarem na melhor máquina de propaganda destas eleições, faltou por vezes ser mais político.

Não nos brindou com a habitual última semana carregada de inaugurações que caracterizava os últimos dias de campanha dos seus antecessores do PSD que estiveram no comando da Câmara Municipal e que nos deixou momentos memoráveis como a inauguração do Largo dos Peixinhos no último dia de campanha para ser posto novamente em obras passado pouco tempo ou a interrupção no último dia de campanha das obras da construção do monumento de homenagem ao Homem do Mar para não influenciar os eleitores.Aproveitou as inaugurações e o lançamento da 1ª pedra efectuadas até ao mês de Agosto nas obras e requalificações levadas a cabo podendo assim expor-se à crítica num período em que essas críticas ainda não afectariam muito a sua imagem. Uma boa jogada táctica.

Aposta claramente na máquina do partido e nas suas representações nas freguesias para mobilizar o seu eleitorado quer em termos publicitários quer em termos de acção de rua e de eventos que desta vez contaram com duas incursões por eventos festivos, a "sexta das mulheres" e a festa da JSD, um tipo de eventos que nas campanhas eleitorais me parecem uma casca de banana: um pequeno deslize e dá-se um grande trambolhão.

A presença nas redes sociais fez-se sentir demasiado tarde, o que poderia dar uma ideia de uma certa desmobilização por parte dos seus apoiantes e ainda não tenho na minha caixa de correio o exemplar impresso do seu programa eleitoral o que poderia ser lido como sobranceria da sua parte.  

E esta é uma situação que não teria muita razão de ser. É dos poucos que elabora um conjunto de vídeos com os seus elementos de lista falando no que os leva a apoiar Benjamim Pereira e dos poucos, senão o único, que faz um acompanhamento das maiores acções de campanhas em vídeo, momentos em que Benjamim Pereira têm claramente mais à vontade. O seu site é o que melhor está elaborado e os vídeos de apresentação da campanha são de longe os melhores elaborados e nota-se o toque profissional até no hino que foi composto de propósito para Esposende, de eficácia discutível mas mesmo assim algo raro. 

Nos tempos que correm não só é preciso ter meios de divulgação das nossas ideias como é necessário fazer a publicidade certa na altura certa e é para isso que existem as máquinas de propaganda.

Um dos argumentos dos seus detractores foi o da fraca representatividade de mulheres e de caras jovens o que olhando para as suas listas vemos que isso não é totalmente verdade, até Alexandra Roeger é a vice-presidente da lista, mas faltou essa contra-argumentação da sua máquina de propaganda o que demonstra que para além dos meios temos de ter a reacção no tempo certo, tendo a máquina de propaganda muitas vezes deixado transparecer que ainda era uma máquina pesada. É preciso ser político nestas coisas.

Curiosamente, olhando para o seu programa eleitoral já vemos uma alma de político autárquico da nova geração. 

Utiliza muitas vezes os verbos "reforçar", "terminar","continuar", "reivindicar" sobre diversos temas não fugindo ao verbo "construir", mas neste caso sempre aplicado a médias e pequenas obras o que demonstra que sabe que os tempos que ai vêem não são certos nem como o dinheiro que o Estado central vai distribuir pelas autarquias. Retenho como propostas mais inovadoras o incentivo do desporto feminino no concelho, a criação de uma Livraria Municipal,transformar Esposende numa capital do Kite-surf, promover a existência de bares de animação da zona ribeirinha e a criação de um plano municipal para a juventude e esse nirvana da política esposendense dos últimos 20 anos, a abertura de um estabelecimento de Ensino Superior.

Por ventura existem partes do seu programa que necessitariam de maior vigor e que demonstram que a sua veia de política ainda necessita de crescer.

Falta claramente uma grande obra, que não o Parque da Cidade, para marcar o seu mandato e para marcar um ciclo em Esposende. Falta uma aposta forte e pensada na recuperação do centro da cidade de Esposende ou de qualquer outra zona devoluta do concelho, não se fala na recuperação de nenhum dos hóteis devolutos do concelho nem na orientação específica do turismo de Esposende para algum mercado específico, não se fala numa solução para a marina de recreio de Esposende e o seu aproveitamento, fala na requalificação da zona industrial em termos ambientais e de espaços verde em vez do seu aumento e dinamização, entre outras.

A não incidência do seu programa eleitoral sobre os assuntos económicos e da criação de emprego será a maior dessas falhas, já que esse foi um dos argumentos mais utilizados pela oposição durante o  seu mandato e que ele não atacou devidamente nesta 2ª corrida.,

A falta de empregos que permita a fixação das pessoas em Esposende é a mãe de todos os males da vida esposendense e o que nos impede sempre de poder chegar a outros patamares de desenvolvimento, uma espécie de pobreza histórica que nos persegue década após década. Não é um problema que nasceu com Benjamim Pereira mas é um problema que lhe cabe a ele resolver e que seria um cunho do seu mandato.

No final de contas Benjamim Pereira terá de perceber que ser Presidente da Câmara é um cargo político e para o levar a bom porto terá de ser político também.

Tenho dito.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Análise ao candidato: João Cepa.

Devido ao seu passado e à sua conduta nos últimos anos é sempre difícil separar o ex-autarca do cidadão, o cidadão do candidato, o ex-autarca do candidato e esse problema de identidade afecta toda a sua candidatura, problemas esses que começaram no dia 19 de Agosto de 2014, dia do Município de Esposende e da sua condecoração com a Medalha de Mérito Municipal.

Ser o seu pai a receber por ele a maior distinção que este concelho lhe pode conceder por "motivos profissionais inadiáveis" e tentar à posteriori fazer disso uma homenagem ao seu pai só poderá visto como um problema de identidade, certo? Todos secretamente concordarão que sim. 

João Cepa apostou numa lista constituída maioritariamente por gente jovem,o mais heterogénea possível com elementos oriundos de quase todos os partidos o que lhe permite acompanhar a vaga das listas independentes e trazer caras novas à política esposendense. Apostou também forte na presença feminina  para ter uma lista ainda mais diferenciada do PSD, que muitos acusaram de ter apenas constituída por homens de uma certa idade, e assim trazer ainda mais caras novas à política, algo que se revelou uma aposta sagaz mas que também é uma tentativa de agradar a todos, algo que será muito complicado de concretizar se tiver de formar executivo.

Conseguiu também juntar algumas figuras de peso com experiência autárquica vindas da área do PS, como José Felgueiras e João Nunes e conseguiu chamar a si o vereador com maior projeção no executivo de Benjamim Pereira, Rui Pereira. Este elenco heterogéneo e com obra feita no terreno permitiu-lhe numa primeira fase colmatar em termos de debate público o seu calcanhar de Aquiles: a não representatividade em todas as freguesias. E isso não é tão fácil quanto parece.

Mas alguns problemas de identidade também se manifestaram na máquina de propaganda. 

Olhando para a brochura do seu programa eleitoral e para os seus cartazes vemos algumas fotos dos seus tempos como autarca, não havendo uma nova imagem para o João Cepa candidato, o que seria um claro corte com o passado e um sinal do novo ciclo, mas que acaba por aparentar uma continuação de 2013, uma das mensagens fortes da sua campanha. 

Depois de 4 anos de críticas a Benjamim Pereira nas redes sociais como cidadão, a sua aposta como candidato foi também quase em exclusivo nas redes sociais num processo que visou claramente uma difusão maciça dos slogans, do símbolo, das mensagens de apoio dos elementos da lista e de uma mediatização das suas acções de campanha via redes sociais que até deu origem à selfie diária do candidato. Deambulando entre uma estratégia de vitimização ou uma posição ao estilo do Provedor do Esposendense, não resiste a fazer uso das obras feitas no seu mandato para o seu vídeo de apresentação mas não foram argumentos muito utilizados na campanha, protegendo-se assim de críticas relativamente da apropriação do mérito das obras do concelho. O conhecimento e entrosamento da juventude da sua lista com as redes sociais foi uma aposta ganha, tendo a lista ganho uma aparente amplitude de presença na sociedade que supera claramente todas as outras candidaturas. 

Mas onde mais se notou os seus problemas de identidade foi no seu programa eleitoral.

Se a sua experiência de 15 anos como autarca lhe permite ter um conhecimento do concelho como poucos, verdade é que algumas das propostas do seu programa eleitoral parecem saídas de um cidadão que se candidata pela 1ª vez. 

Dá grande importância às propostas no campo da necessidade de termos mais eventos de cariz económico em Esposende, tentando atrair ao concelho os potenciais investidores e dinamizando com o aligeiramento de processos burocráticos os pedidos específicos de cada um dos potenciais investidores, algo que francamente está esquecido em Esposende e que carece de muita maior atenção por parte dos nossos autarcas.Também existe um grande foco sobre questões sociais e de apoio à terceira idade, algo que no nosso concelho será certamente um assunto central nos tempos próximos e que carecerá do apoio das instituições oficiais e IPSS's para ser resolvido.

Mas existem outras propostas que são francamente difíceis de compreender.

Desde o Pavilhão Municipal ao Centro de Artes e Espectáculos, passando pelo apoio a tudo o que seja reconstruções, novas construções sociais e de expropriações das casas devolutas e terrenos,passando pela construção das novas variantes rodoviárias, da construção de um novo Mercado Municipal até à construção do do novo Conservatório de Esposende, entre outras.

Concordo que algumas destas obras serão precisas mas é notório que o candidato João Cepa quer que fique a sensação que estas necessidades não eram necessidades em 2009 quando o ex-autarca João Cepa foi pela 3ª vez eleito, e tendo ele contado com a maior vaga de dinheiros públicos de sempre em Esposende fica sempre a pergunta de como isto será alcançável no futuro com apoios públicos mais reduzidos pelo candidato João Cepa.

Mas o maior exemplo do seu problema de identidade será a proposta do candidato João Cepa de uma nova zona industrial com gestão autárquica, para que não se torne num lugar de especulação e de negócio de pavilhões industriais como aquela que agora existe , aquela que o ex-autarca João Cepa criou em 2004 e que poderia ter gerido no seu 2ª e 3º mandato até 2013 altura em que passou a ser apenas o cidadão João Cepa.  


Tenho dito.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Análise ao candidato: Artur Viana.

Artur Viana é outro dos candidatos que se deparou com um partido em convulsões e com deserções em toda a linha devido à candidatura de João Cepa. 

Depois destas eleições João Pedro Lopes terá de tratar do problema da JP/GC que decidiu não ter nada a haver com este candidato e com a máquina do partido seguindo as pisadas da facção Berta Viana, o que demostrou claramente um facto até agora considerado dogmático e que serve de aviso para as outras juventudes partidárias: quando as pessoas da lista querem, a malta das juventudes pode não fazer diferença nenhuma numa campanha.

Ainda se lembram de Berta Viana...? Bem me parecia. 

Mas Artur Viana deparou-se com um problema ainda maior, o de ter sido a segunda escolha após o desentendimento do CDS-Esposende com João Cepa, mas pelo decorrer da campanha esse facto não  parece ter afetado nem a ele nem ao CDS.

Segue o seu caminho e o seu programa eleitoral e não entrou num achincalhamento do candidato independente demonstrando que o seu apoio foram águas passadas e o futuro do partido a nível concelhio vai mais além do que estas eleições.

A máquina de propaganda do CDS é a mais bem montada de todos os partidos. 

Iniciou com um conjunto de vídeos de apresentação do candidato que foram uma lufada de ar fresco,apenas pecam por terem sido publicados demasiado cedo, seguiu com as arruadas do CDS pelo  concelho com os elementos vestidos com o mesmo uniforme, evitou as janelas decorativos das fotos de perfil do Facebook e terminou com um panfleto de campanha em formato jornal que diferenciou pelo facto de ter um verdadeiro aspecto de jornal e isso não é nada fácil e estão de parabéns por isso.

Em termos de constituição das listas conseguiu um misto de juventude e experiência e uma proporção equilibrada entre homens e mulheres sem disto terem feito uma bandeira o que evitou entrar na patética disputa da "sexta das mulheres". 

Em termos de programa eleitoral é notório que aposta na dinamização descentralizada, propondo a criação da marca "Ofir" e de efetuar as reuniões camarárias em diversas freguesias do concelho,como exemplos, tentando aproveitar o ímpeto da presença de um candidato em cada freguesia o que certamente acresce novas responsabilidades ao seu resultado eleitoral já que este é um dos passos para se poder ter uma real perspectiva de ser um candidato à vitória nas autárquicas.

A este empenho nas autárquicas não será alheio o facto de este CDS de Assunção Cristas ver nestas eleições a antecâmara de preparação para as próximas legislativas.

Falta a este programa alguma consistência em termos de grandes obras, de propostas mais sólidas e concretas no capítulo da criação de emprego e de atracção de capital para o concelho. 

Tenho dito.

Sobre as mensagens de apoio do PSD

Numa base diária, o PSD tem divulgado mensagens de apoio à candidatura de Benjamim Pereira, proferidas quer por históricos do partido (Alberto Figueiredo, António Ribeiro ou Penteado Neiva), quer por elementos do último executivo (Maranhão Pereira e Jaqueline Areias).
Estas declarações, plenas de encómios a Benjamim Pereira, o que é perfeitamente natural, destacam-se, igualmente, pela ausência de qualquer alusão negativa a João Cepa, principal adversário, e os seus mandatos. 
Daqui resultam duas conclusões: por um lado, o reconhecimento, ainda que oculto, dos méritos de João Cepa na liderança e gestão autárquicas, pois doutro modo não se perderia a oportunidade para fazer notar a sua ausência; e, por outro lado, não menos relevante, a honestidade intelectual com que estas mensagens foram feitas, pois não se colocou em crise um passado autárquico que foi de excelência para o partido, não obstante o seu principal protagonista encontrar-se agora do outro lado da contenda.
Para memória futura das eleições autárquicas no concelho, fica a elevação com que todas as candidaturas pautaram a sua actuação nestas eleições, o que não deixará de causar agrado junto dos eleitores.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Análise ao candidato: Manuel Enes de Abreu

A candidatura de Manuel Enes de Abreu pode ser considerada a candidatura da coragem e da resistência e é uma candidatura que têm de marcar um ponto de viragem na concelhia e depois deste processo eleitoral autárquico o PS-Esposende terá de reflectir o que quer fazer deste concelho e Laurentino Regado terá de repensar a sua continuidade no partido.

Num governo liderado pelo PS e não aparecer uma figura de peso do PS nacional em Esposende é um atestado de morte política a Laurentino Regado. 

Estas listas podem ser consideradas como as listas dos resistentes e dos duros, daqueles que muito dificilmente abandonarão o PS depois já que a não escolha de João Cepa como candidato a apoiar fez com que muitas figuras de peso do partido o tivessem abandonado. A votação que o PS terá nestas eleições serão a representação do seu eleitorado mais puro. 

Diria mais, estas listas podem ser uma boa base de partida para um novo PS-Esposende. 

Olhando para a campanha de Manuel Enes de Abreu fez uma má jogada quando não surgiu no debate promovido pela Esposende Serviços já que seria um momento de confrontar um dos principais candidatos à Câmara Municipal e que absorveu parte dos antigos membros do PS-Esposende e demonstrar que as ideias da sua candidatura tinham independência daqueles que desertaram. .
Mas houve algo que me ficou na cabeça depois do debate para a Assembleia Municipal, já que ficou a sensação que estas poderiam ter sido as eleições em que Tito Evangelista poderia ter feito frente ao PSD e a João Cepa e ter um dos melhores resultados de sempre, mas penso que na Assembleia Municipal fará danos à direita esposendense.

Manuel Enes de Abreu deveria ter tido uma abordagem mais dinâmica em termos de publicitação do seu programa eleitoral e da sua presença nas forças vivas do concelho porque parece desperdiçar o que de bom esta candidatura têm.

Foi dos poucos que se viu em "chão de fábrica" nas empresas do concelho, foi dos poucos que teve cartas de apoio verdadeiramente sentidas, foi dos poucos que apostou em sessões de esclarecimentos em que só foi quem lá queria mesmo estar e acima de tudo deveria ter explorado 2 pontos fortes da sua campanha : a proposta do hospital público e a sua vice-presidente, Anabela Rosário. 

É dos poucos que teve a coragem de propor um hospital público que não estivesse entregue à gestão das Santas Casas e que se tentasse unificar os recursos para um único hospital central. 

Propõe uma vice-presidente mulher com experiência na autarquia por trabalhar na mesma  e que não é uma promessa de trabalho mas uma certeza já confirmada disso mesmo.

Manuel Enes de Abreu é um dos resistentes desta campanha. Ele, e a sua lista,  ficou com o partido quando este mais precisou dele e isto é algo que deverá ser relembrado a quem virá a seguir.

Tenho dito.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Esclarecimentos sobre o artigo "O Hitler entrou na campanha"

Depois do artigo de ontem "O Hitler entrou na campanha" surgiram alguns mal-entendidos que terei de esclarecer o quanto antes.

Primeiro de tudo não é meu interesse achincalhar ou levantar alguma suspeita sobre a  pessoa de Rui Pereira e para isso utilizei no artigo a pessoa "eles", o JPNT, e não o "ele", o  Rui Pereira, porque não queria centrar esta crítica no Rui Pereira mas sim na lista.

O Rui Pereira é um pai de família, é um elemento ativo da nossa sociedade, uma pessoa por quem todos passamos na rua, no café ou no futebol e foi um dos membros mais ativos e produtivos da nossa Câmara Municipal e cujo trabalho mais admirei desse elenco governativo e não estou minimamente interessado em colocar em dúvida os valores que a sua pessoa se rege.

Segundo, não é meu intuito dizer que a JPNT têm laivos ou aspira a uma política de extrema-direita, nacional-socialista, nazismo, etc. Sou amigo e conhecido de várias pessoas que integram a lista e sei que este tipo de ideologia não é a "cara deles" e nunca quis colocar em causa a honra dessas pessoas.

Era de esperar uma linha comunicacional da JPNT e que este seria um anúncio baseado numa política comunicacional pensada para esta campanha quando fui surpreendido quando fui informado que não é o caso e que cada um dos membros da lista coloca os post's de campanha que entende, algo que eu pensei que estivesse mais organizado.

Terceiro, apenas era meu intuito comentar a enorme falta de oportunidade na utilização desta imagem, do simbolismo que ela contém e do facto histórico a que ela remonta, e o facto irónico de se falar de uma resistência a um  poder quando parte dessas pessoas no passado exerceram esse mesmo poder.

Excedi-me? Muito provavelmente sim .

Peço aqui desculpas aos elementos da JPNT, e em especial ao Rui Pereira, pelo transtorno que estas situação lhe possa ter criado e por poder ter plantado algumas dúvidas na cabeça dos votantes sobre a idoneidade das pessoas visadas.