quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Feiras, feirinhas e feirões!

"Eu sou do tempo..."
Poder usar esta expressão no início de qualquer coisa dá-nos logo a ideia de que podemos já não estar a caminhar para novos. Ou então, mais preocupante ainda, que já vimos muita coisa em pouco tempo, aumentando assim a probabilidade de termos visto um bom par de coisas bem feitas e outro tanto do inverso.

Pois bem! Eu sou do tempo em que a feira quinzenal era realizada nas ruas centrais da vila (sim, naquele tempo era vila), e a gente vinha à vila para ir à feira, ao centro de saúde, ou para vir estudar para o ciclo ou liceu.

Certo é que essa feira das coisas novas, com a evolução dos tempos, ganhou um espaço próprio a nascente da EN13, acabando-se assim a confusão que era criada no centro e a frequente lixeira que ficava após o desmontar das tendas.

Livramo-nos da feira das coisas novas que assim ganhou um espaço mais digno e menos confuso.

Quis o tempo (esse "fulano" que tende a só querer tramar-nos a vida e os cabelos), que num passado relativamente recente se tivesse retomado a feira no centro (sim... parece confuso...)! Deixamos contudo de ter a feira das coisas novas para passarmos a ter a feira do artesanato e a feira das velharias.

Ora se numa fase inicial qualquer uma das duas se apresentou com ares de coisa de nicho, dando até um ar de vida à praça da matriz, o que vamos assistindo com o passar do tempo é que, enquanto a feira do artesanato vai mantendo algum brio, a das velharias tornou-se uma verdadeira balbúrdia.

Já não me atrevo sequer a opinar sobre o nível do produto lá vendido, pois admito que uma "barbie" sem pernas possa, apesar do lastimável estado, representar um brinquedo apto a estimular a inclusão social e a atenção das crianças para as pessoas que pelo motivo A ou B tiveram que amputar as pernas... Tampouco questiono que uma Playstaion ou XBox de primeira geração possam ser consideradas velharias (estas coisas da tecnologia envelhecem rápido (pelo menos é isto que me dizem sempre que eu tento fazer um ugrade com retoma))...

O que eu questiono, aliás - constato - é que começamos por ocupar a praça da matriz (Largo Rodrigues Sampaio), avançamos para o largo do mercado e até já pela Conde Castro se estendeu a feira das alegadas velharias.

Ora, eu nada tenho contra o facto de a malta querer despachar os "mônos" lá de casa, que isso tenha mercado, e que o olx não resolva tudo. O que eu não entendo é que um conceito de nicho se tenha tornado num mega-retail-park das velharias, da quincalharia e pontualmente de algum lixo.

Se é para vingar este conceito, pois desloque-se a feira das velharias para o local da feira das novidades e deixe-se a praça para ser o nosso cartão de visitas (bem sei que a quantidade de lápides - perdão - de estátuas, bustos e bustinhos na praça complica um pouco.... mas... não creio que ali seja espaço daquele feirão.

Se o conceito é o de atrair gente ao centro, pois sim: feche-se antes o parque de estacionamento frente aos bombeiros e ocupe-se aquele espaço com corredores para os vendedores de velharias (até aproveitam as marcações para instalar as tendas e corredores de público), e sempre fica abrigado da nortada!

Na praça... na praça é que não!






domingo, 26 de agosto de 2018

E o Alojamento Local?

Recentemente tivemos a notícia que Esposende têm o maior número de espaços no distrito de Braga.

E isso leva-me à pergunta: e a partir daqui?

Teremos uma associação de alojamento local no concelho? Teremos uma viragem na política do turismo do concelho em função destes números?

Não sendo um aficionado do alojamento local reconheço que existem especificidades e valências deste tipo de alojamento no panorama local ,colmatando a existência de poucas soluções de alojamento mais tradicionais, e que seja necessário a sua aglomeração para regulação da atividade e uma entidade que verifique quais a necessidade do sector.

Fica a ideia...

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Donativo a Monchique

A doação dos 7.380 euros referentes ao espetáculo piromusical que ficou sem efeito no dia do Município, por parte do Município de Esposende, ao Município de Monchique, em gesto de solidariedade, não foi uma escolha feliz.
Primeiro, pelo precedente. No ano passado houve dois incêndios mais trágicos do que o de Monchique - Pedrógão e Viseu/Tondela/Leiria - de que resultaram inúmeras vítimas mortais,  sem que o Município tivesse atribuído qualquer valor monetário aos municípios atingidos. É certo que apoiou a campanha de solidariedade dos esposendenses por Pedrógão, mas foi um apoio completamente distinto deste agora anunciado. 
Segundo, relacionado com o anterior, pela certa discriminação gerada. Por que é que um incêndio inferior aos de Pedrógão ou Viseu/Tondela/Leiria teve direito a um apoio mais robusto por parte do Município? 
Em jeito de resposta ao primeiro e segundo pontos, não vale a pena dizer que a grande diferença residiu no facto de no ano passado o Governo não ter proibido o lançamento de fogo de artifício. Com efeito, nos últimos anos, por força do flagelo causado pelos incêndios, vários Municípios tomaram, por iniciativa própria, a decisão de doar a verba que tinham destinada para os foguetes aos bombeiros locais. Foi caso, a título de exemplo, de Paredes de Coura.
Terceiro, porque amarra o Executivo camarário em caso de situações futuras idênticas. Imagine-se, pois, que para o ano há novo incêndio trágico noutro local do país e o Governo volta a proibir os fogos de artifício. Ficará, nessa altura, difícil ao Município de Esposende não tomar decisão igual, sob pena de criar vítimas de incêndio de primeira e vítimas de segunda.
Melhor teria feito, portanto, o Município em doar os 7.380 euros aos bombeiros locais, de Esposende e Fão. Teria sido a opção mais equilibrada.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Mal na fotografia

A pessoa que sai mal nesta fotografia é, por estranho que possa soar, aquela que não aparece na mesma.
A ocasião era soleníssima: celebração do dia do Município e dos 25 anos da elevação de Esposende a cidade. Questiúnculas pessoais à parte, aquele era o dia de Esposende. Como tal, o que se impunha e esperava, como sempre nestas ocasiões, era que todos os partidos com assento no Executivo se fizessem representar nas cerimónias. Afinal de contas, os sete vereadores que compõem o executivo camarário representam os 30 mil esposendenses.
Infelizmente, o movimento Juntos pela Nossa Terra optou pela falta de comparência. Uma ausência desprestigiante, para mais quando João Cepa, como Rui Pereira (que, neste mandato, já participou por diversas vezes nas reuniões da câmara, em regime de substituição), exerceram no passado funções no Executivo ao mais alto nível e, por essa razão, participaram empenhadamente nas comemorações do dia de Esposende.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Grande Entrevista - Alberto Figueiredo


25 anos volvidos desde a elevação de Esposende a cidade, entrevistamos Alberto Figueiredo. Figura incontornável na liderança dos destinos do concelho enquanto autarca (1990-1999), é hoje um homem em paz com a sua consciência. Triste com diversos episódios de cariz político, feliz com a obra feita durante os anos à frente dos destinos da autarquia, que considera terem sido os melhores anos da sua vida. Foi assim que Alberto Figueiredo recebeu o blogue Largo dos Peixinhos para uma entrevista.
Agradecemos a honra que nos concedeu, em revisitar parte da história que se fez em Esposende e da qual é protagonista indissociável.

Por que é que era importante Esposende passar a ter o estatuto de cidade?
Alberto Figueiredo: Esposende era um concelho onde não existia, propriamente, um sentimento de orgulho para com a sua sede.
Havia uma grande rivalidade entre as freguesias do concelho, sobretudo entre Esposende e Fão (até entre os respetivos bombeiros!), e era muito comum que qualquer pessoa, por exemplo, de Fão, Marinhas ou Apúlia, se estivesse em Lisboa e fosse questionada de onde era, respondesse que era de Fão, Marinhas ou Apúlia. Raramente diria que era de Esposende. Já por exemplo um habitante da Estela, se estiver em Lisboa, diz, com orgulho, que é da Póvoa de Varzim, não que é da Estela.
As pessoas não se reviam em Esposende como sede do seu concelho, fosse porque a sua freguesia era de dimensão maior (caso de Marinhas), fosse porque a sua freguesia era mais rica (caso de Apúlia). Esposende era então uma vila pequena por si, que tinha tido alguma evolução mas que estava algo parada no tempo.
Ora, a minha preocupação, quando entrei na Câmara [1990], foi mudar essa mentalidade. Esposende era um concelho com pouca projeção a nível nacional e eu sabia que para o concelho se poder afirmar, era importante afirmar a sua sede. Este foi, portanto, o meu esforço convicto, afirmar a sede do concelho, primeiro perante a população, para aceitaram-na enquanto tal, e depois, naturalmente, projetá-la para o resto do país.
Julgo que esse propósito foi conseguido. Esposende, de uma forma geral, já é conhecido no país e a grande maioria das pessoas, quando está fora, diz que é de Esposende. As pessoas hoje sentem orgulho na sua sede.
Para além deste aspeto, importa salientar que o início dos anos noventa ficou marcado por um conjunto de importantes investimentos (cerca de 25 milhões de contos) de obra (feita e em curso) que proporcionaram um surto de desenvolvimento em Esposende que acabou por influenciar a elevação de Esposende a cidade.
Algumas pessoas questionaram na altura “mas por quê cidade?”. Ora bem, com exceção de duas ou três vilas em Portugal que, por razões históricas, fazia todo o sentido permanecerem com esse estatuto, no caso de Esposende, que era um concelho pequeno, cuja sede estava um pouco atrasada, passar de vila a cidade dava projeção.
A passagem a cidade foi como que o corolário do esforço de desenvolvimento que se fez nessa altura no concelho.

Este processo de elevação a cidade obrigou ao cumprimento de algum caderno de encargos?
Alberto Figueiredo: Caderno de encargos propriamente dito, não. Havia determinados pressupostos que era preciso cumprir.
Por exemplo, o número de habitantes. Era requisito ter 8 mil habitantes, número que Esposende não tinha durante o ano todo, mas foi então argumentado que na época do Verão esse número era largamente ultrapassado, o que foi aceite pela Assembleia da República. Também era necessário que Esposende estivesse dotada de um conjunto de equipamentos, mas aí não houve problema, pois Esposende já possuía esses equipamentos.

Este processo encontrou apoio junto dos partidos da oposição?
Alberto Figueiredo: Sim. Da parte dos partidos não foi levantada qualquer questão. Como referi anteriormente, a dificuldade residia nas populações, dadas as rivalidades.

No surto de desenvolvimento, que há pouco referiu, os Engenheiros Oliveira Martins e Couto dos Santos, naturais do concelho e ministros nos Governos do Professor Cavaco Silva, foram seus interlocutores privilegiados?
Alberto Figueiredo: Sim. Gostaria também de destacar o Dr. Luís Marques Mendes, que não sendo do concelho, foi fundamental neste processo. Era uma pessoa a quem eu telefonava e me recebia. Sempre que necessitava de reunir com alguém do Governo, ligava ao Dr. Marques Mendes, que tratava de me encaminhar para as pessoas competentes, consoante o assunto em causa, ou, como muitas vezes sucedeu, de marcar logo na agenda os encontros.
Este é um aspeto muito importante: termos uma boa relação com o poder, seja qual for a cor do partido dominante, porque nós, autarquias, devemos ter uma boa relação com o poder. Sei de alguns municípios vizinhos que tinham uma péssima relação com o Governo, só porque não era do seu partido.
No caso de Esposende, enquanto fui Presidente da Câmara, lidei com Governos distintos (PSD e PS) e procurei sempre manter uma boa relação com qualquer um deles.
De cada vez que o Governo apoiava uma obra lançada pela Câmara, estava desejoso de poder terminá-la rapidamente e, assim, convidar o membro do Governo para vir à sua inauguração. É que para quem está no poder, também é gratificante ver que o dinheiro é bem aplicado e que as coisas se fazem.
Gostava de falar do Engenheiro Oliveira Martins. O Engenheiro Oliveira Martins, na minha opinião, representa aquilo que de bom tem a política, devendo servir de exemplo do que deve ser um político.
Foi um homem de uma enorme seriedade e competência extrema e que nunca o Concelho o reconheceu. Não morreu cheio de dinheiro. Quando saiu do Governo, era uma pessoa muito bem cotada tecnicamente e foi trabalhar para o seu gabinetezinho, ao invés de ir para uma empresa multinacional, ganhar um alto salário, como aconteceu com tantos ministros.
Talvez poucas pessoas se recordem, mas o Engenheiro Oliveira Martins chegou a ser secretário de Estado no tempo de Marcello Caetano, tendo sido condecorado. Nessa época, para se chegar a secretário de Estado, a pessoa tinha de ser oriunda de famílias influentes. Ora, o Engenheiro Oliveira Martins era filho de dois professores primários de Esposende, que não tinham grande influência. Chegou, pois, a secretário de Estado devido à sua competência técnica, que era bastante reconhecida. E foi por causa dessa competência que mais tarde entrou no Governo do Professor Cavaco Silva, como Ministro, notando que a sua escolha não mereceu qualquer contestação apesar de ter exercido funções no tempo do Estado Novo.
Tenho muito orgulho em dizer que o Engenheiro Oliveira Martins é do meu concelho, porque foi um homem reconhecido por toda a gente.
O Engenheiro Oliveira Martins era uma pessoa que amava a sua terra (quando morreu, em cumprimento de desejo que tinha deixado em vida, o seu caixão deu uma volta a Esposende) e que procurou sempre ajudar o concelho, o que não quer dizer que fosse de pedir favores, porque não pedia, nem sequer para ele, era uma forma de estar.
Já no tempo do Engenheiro Losa, colaborou com o esporão que vai dos socorros a náufragos e que protege a marginal. E recordo-me que, no tempo do Governo do Engenheiro Guterres, fui um dia falar com o secretário de Estado, por causa da barra de Esposende, e o Engenheiro Oliveira Martins acompanhou-me nessa visita. Esse secretário de Estado era alguém que devia muito ao Engenheiro Oliveira Martins, porque quando o Engenheiro Oliveira Martins era Ministro, essa pessoa era o presidente do metro de Lisboa e o Engenheiro Oliveira Martins manteve-a no cargo, quando era normal, nessas alturas, substituir as pessoas sempre que mudava o Governo. Chamou-me a atenção a humildade como o Engenheiro Oliveira Martins se dirigia ao secretário de Estado, uma pessoa que lhe devia muito e a quem o Engenheiro Oliveira Martins não devia nada.
Devo ao Engenheiro Oliveira Martins a ótima relação que sempre mantive com a Direção-Geral dos Portos. Tudo o que pedia, só se não pudessem é que não faziam. Porque sabiam que o Engenheiro Oliveira Martins era de Esposende e que gostava da sua terra.
O Engenheiro Oliveira Martins devia honrar os esposendenses. Não compreendo como é que, até hoje, o Município ainda não lhe prestou uma homenagem. Quer dizer, compreendo uma parte. É que “já morreu” e nós, por vezes, temos a memória curta. Na altura condecorei o Engenheiro Oliveira Martins com a Medalha de Honra do Município de Esposende, mas considero que há muito que se justifica uma homenagem por parte do Município, por exemplo atribuir o seu nome a uma rua ou a uma praça, que faça perdurar a sua memória.
Esposende devia ter orgulho no Engenheiro Oliveira Martins que foi uma figura que prestigiou muito o Concelho e a classe politica. Ainda hoje, quando estou com outros políticos que passaram pelo poder e falamos do Engenheiro Oliveira Martins todos recordam que foi um Ministro exemplar.
  
O processo de elevação a cidade insere-se numa conjuntura de importantes investimentos em infraestruturas na cidade. Houve alguma autarquia modelo que tivesse tomado como referência?
Alberto Figueiredo: Sempre que ia lá fora, procurava ver o que de melhor havia e que podia aproveitar para Esposende.
Recordo-me que, a propósito da construção das piscinas de Esposende, cheguei a ir a França e à Suíça visitar umas piscinas com ondas, que me tinham referenciado e que acabaram por ser importantes na definição do modelo das piscinas de Esposende.
De qualquer modo, em termos de equipamentos, Esposende não ficava atrás da generalidade dos concelhos em Portugal. O problema, muitas vezes, está em termos instituições a menos.
Lembro-me, a esse propósito, que quando visitei Ozoir-la-Ferrière, com quem Esposende tinha estabelecido uma geminação, de reparar que eles tinham instalações mais fracas do que as nossas. A diferença residia nas instituições. Eles apostavam muito nas suas instituições locais, que eram bastante dinâmicas. Para eles, o mais importante são as pessoas. Para nós, o mais importante é ter bons edifícios, mesmo que não funcionem.
Cheguei, aliás, num discurso do dia do Município, a fazer essa comparação. Muitas vezes achamos que lá fora têm mais coisas do que nós, mas não é verdade. 

Das obras levadas a cabo, qual foi aquela de que mais se orgulha?
Alberto Figueiredo: Houve várias obras importantes, o abastecimento de águas, a rede de esgotos, a habitação social, as piscinas de Forjães, mais tarde, as piscinas de Esposende, foram muitas Talvez destacasse o Museu Municipal, uma vez que é uma obra muito interessante e que, no início, não pensei fazer.
A Câmara anterior tinha comprado o edifício com o objetivo de nele fazer um auditório. Estava previsto ser um auditório com uma capacidade máxima de 50/60 lugares o que, face à despesa prevista, seria um disparate. Aquele edifício era tão interessante, com aquela sala de azulejos no rés-do-chão, e como Esposende não tinha um museu, surgiu então a ideia: “E por que não um museu?”.
Porém, de imediato, colocou-se o problema: como arranjar o dinheiro para fazer a obra? Esposende, na altura, era um concelho pequeno, que não tinha as receitas que tem hoje, eram necessários 120.000 contos.
À época, o Governo apoiava as obras de cariz cultural com interesse intermunicipal. Fui a Lisboa reunir com a Dra. Isabel Mota, então secretária de Estado do Planeamento e do Desenvolvimento Regional, que logo aí ela demonstrou uma enorme sensibilidade para a importância da obra e, ao cabo de 1 hora de reunião, disse-me que podia voltar para Esposende, que o pedido já estava aprovado.
O Governo comparticipou com 75% ou 85% e a Câmara com o restante.
Claro está que o Museu ou as piscinas são a face mais visível do trabalho que se fez. Mas também houve outras obras, pequenas quando comparadas com estas que referi, e que me deram um orgulho enorme. Por exemplo, no tempo do Governo do Professor Cavaco Silva, foi lançado um programa para acabar com as barracas. Infelizmente, no concelho de Esposende tínhamos algumas famílias nessas condições. Houve um caso em Pinhote, em que um casal tinha quatro filhas e todos eram alcoólicas. Viviam numa pequena casa. Fizemos a recuperação da casa, criando um primeiro andar para uma das filhas, que na altura tinha marido e um filho. Tempos mais tarde, quando passei por lá, convidaram-me para entrar na casa e posso dizer-vos que encontrei uma casa limpinha, toda bem arranjada. Para mim, esse é o lado mais nobre da política: poder ajudar os outros. A população muitas vezes não compreende “Ah querem passar tempo no café. Se quiserem uma casa, que trabalhem”. Ora, os filhos não têm culpa e se não agirmos a tempo, serão depois os filhos destes e entramos, assim, num ciclo vicioso.
Também me recordo de numa ocasião, em Forjães, termos recuperado uma casa e quando entregámos as chaves à família, a filha chamou-me, apontou à banheira e perguntou-me o que era aquilo.

Em retrospetiva, há algum investimento que lamente não ter feito?
Alberto Figueiredo: Poderia ter feito mais coisas – por exemplo, acabar as zonas industriais, mas não no conceito que têm hoje, ter resolvido o problema do Forte que acho que deveria ter sido convertido em Museu do Mar, ou ter concluído, de uma vez por todas, o saneamento básico –, mas isso implicaria ter de endividar a Câmara. Quando cheguei à Câmara encontrei 200 mil contos de dívida, e quando saí a Câmara registava 200 mil contos de dívida. Essa era outra das minhas grandes preocupações, não endividar a câmara.
Apesar dos recursos serem limitados, toda a verba que tínhamos disponível era sempre canalizada em investimento. Quando cheguei à Câmara de Esposende, deparei-me com a seguinte situação: por ocasião da adesão de Portugal à União Europeia, foi distribuída uma verba ao Governo português, que este depois transferiu para os municípios, para financiar obras em 50%. No caso do agrupamento Barcelos/Esposende, a verba destinada ascendia a 400 mil contos, dos quais 150 mil respeitavam a Esposende. Ora, essa verba nunca tinha sido aplicada, nem por Esposende, nem por Barcelos. Aproveitei então a verba destinada a Esposende para fazer a Estação de Tratamento de Águas, junto do Marachão, porque quando chegávamos ao Verão não havia água. Apúlia e Fão também tinham restrições de água, sobretudo no Verão, e aproveitámos para fazer uma adutora nova. Uma vez que Barcelos não tinha executado a verba que lhe competia, sondei o Presidente da Comissão, Braga da Cruz, para ver se seria possível Esposende gastar parte da verba destinada a Barcelos. Infelizmente, o Presidente da Câmara de Barcelos não autorizou, mas também nunca veio a gastar a verba atribuída. E, assim, ficaram 250 mil contos por gastar e que muito jeito poderiam ter dado.
Muitos Municípios tinham mais olhos do que barriga, isto é, todos queriam a sua parte dos apoios, mas eu já sabia que a grande maioria não iria fazer nada. É que o dinheiro dos fundos comunitários obrigava a fazer o projeto, lançar a obra e só era atribuído no fim, depois de concluída a obra e meter o recibo de pagamento. E muitas autarquias nem sequer passavam da fase do projeto. Assim, por exemplo, se houvesse um determinado apoio previsto para Esposende no valor de 100, eu fazia obra para 500, porque sabia que, no final do dia, iria conseguir obter a parte que faltava através dos apoios que outros municípios não tinham utilizado.
Recordo-me, até, de um quadro comunitário de apoios em que concorreram 26 municípios, todos do norte, a um financiamento de 13 milhões e Esposende conseguiu obter 2,5 milhões.
Recordo-me, também, que quando assinámos o contrato-programa para ampliação e recuperação do edifício da câmara, idêntico contrato foi assinado por uma autarquia vizinha nossa. Quando inaugurámos as obras, essa autarquia não tinha sequer iniciado as suas obras…
Quando trazia membros do Governo a Esposende, tinha a preocupação de lhes mostrar a capacidade de execução do concelho. Recordo-me de que quando foi inaugurado o Centro Social das Marinhas, a Associação já funcionava. O Ministro da altura, Silva Peneda, veio a Esposende e ficou surpreendido, pois o que era habitual era inaugurarem primeiro o edifício e só depois instalarem uma associação para lá funcionar. Ora, a nossa estratégia era, precisamente, a oposta.
Um dia, era Ferro Rodrigues ministro do Emprego, e veio até Esposende. Fui mostrar-lhe duas instituições, em Belinho e Vila Chã, duas instituições a funcionar sem instalações com condições. Tínhamos submetido um projeto para as respetivas instalações, mas que não tinha ainda sido aprovado. O Dr. Ferro Rodrigues viu aquilo, chamou o chefe de gabinete e disse “estes dois projetos têm de ser aprovados”. E por que é que isso aconteceu? Porque foi ao local e viu as instituições a funcionarem.

O início dos anos 90 ficou marcado por um considerável aumento da construção urbanística. No entanto, Esposende conseguiu sempre evitar a construção em altura ou desordenada, como caracterizou muitos outros concelhos. Foi uma preocupação que teve sempre presente?
Alberto Figueiredo: Sim, bastante. O planeamento urbanístico é essencial para traçar o futuro. É preciso planear hoje o que vai ser a cidade daqui a 50 anos. É aquilo que decidir hoje que terá impacto daqui a 50 anos. 
Infelizmente, as Câmaras não pensam muito em planeamento urbanístico. Estão a navegar à vista. Quando cheguei à Câmara de Esposende, o Engenheiro Losa tinha deixado um plano preparado, que não estava ainda aprovado, mas eu tentei cumpri-lo ao máximo, porque mais valia partir de alguma base, do que estar a começar do zero.
Tem-me custado ver o que está a acontecer em Apúlia. Não sei se algum dia Apúlia será recuperável. Não há espaços verdes, não há estacionamentos.
Também a parte de cima de Esposende requer uma intervenção. A parte de baixo de Esposende, por exemplo, obedeceu a um estudo.
Fão já não tem esse problema. Tirando a zona na Estrada Nacional para Ofir, em que se fizeram estudos, Fão quase que está planeada, tudo foi mais ou menos pensado. Quando intervínhamos nalgum espaço, fazíamos logo um estudo para a zona envolvente, para haver coerência. Foi das terras que menos destruição teve. Também valeu a Fão não ser uma terra muito rica, porque quando se é muito rico, a propensão para fazer estragos é maior. É o caso de Apúlia. As pessoas viram-se com muito dinheiro e começaram a construir desordenadamente.
Embora já sendo um pouco tarde, considero, em todo o caso, que a Câmara de Esposende deve fazer um planeamento urbanístico, sob pena de não se salvaguardar o futuro.

Em 2013 houve uma reorganização das freguesias, que muita polémica suscitou. Qual é a sua posição sobre o tema?
Alberto Figueiredo: A reorganização das freguesias foi um erro. Ainda hoje se está para perceber que ganhos, nomeadamente de poupança, se conseguiram com a junção das freguesias.
Pessoalmente, considero que fazia muito mais sentido juntar alguns concelhos, porque hoje em dia existe uma série de concelhos muito pequenos, com estruturas pesadas, e que só teriam a ganhar se se juntassem. Haveria rentabilização de recursos e quadros. Ganhavam todos. Mas politicamente seria muito mais difícil fazer esse processo, do que a reorganização das freguesias.

E acha que no futuro poderá colocar-se essa possibilidade?
Alberto Figueiredo: É desejável, mas reconheço que não será fácil. Só com um Governo com grande determinação e coragem.

Voltando à reorganização das freguesias, o Município de Esposende opôs-se desde o início ao processo. Nem tão pouco tomou a iniciativa, que o Governo concedia, de apresentar a sua própria proposta de reorganização. Concorda com a abordagem seguida?
Alberto Figueiredo: Compreendo a posição do Município. A proposta de reorganização do Governo não teve qualquer lógica. Olhando para o caso de Esposende, vemos que na proposta do Governo juntavam-se freguesias já por si grandes e que não se deveriam ter juntado, ao invés de juntarem outras freguesias, mais pequenas, onde faria todo o sentido juntar. Como tal, o Município não poderia subscrever uma proposta sem qualquer critério, nem consistência.

Mas a partir do momento em que o processo era irreversível, não deveria o Município, ainda assim, apresentar a sua própria proposta de forma a evitar os erros que referia?
Alberto Figueiredo: Quando a Câmara tomou consciência de que o processo não voltaria atrás, teria a ganhar em apresentar a sua proposta. Era desejável que o concelho tivesse uma outra composição das suas freguesias, com lógica, face àquela que o Governo propunha. Mas, também aqui, compreendo a posição do Município, que não censuro. Com efeito, num processo que estava errado desde o começo, ninguém quereria ficar com o ónus de um arranjo que não era do agrado das populações. Nesse caso, fica mais fácil que seja o Governo a arcar com as culpas.

Considera que se a Câmara fizesse a reorganização, isso teria consequências eleitorais?
Alberto Figueiredo: Teria sempre algumas. As populações sentem muito as suas terras, há um grande vigor bairrista, e se o Município liderasse algum processo de reorganização, isso acabaria por ter alguns custos.

O Senhor Alberto Figueiredo chegou, durante algum tempo, a ser Deputado. Que avaliação faz dessa experiência?
Alberto Figueiredo: Fui deputado cerca de seis meses. Não gostei da experiência. Enquanto na Câmara tinha a oportunidade de fazer coisas, de ser um executivo, na Assembleia não temos um papel tão participativo e eu gosto de fazer coisas. Pessoalmente, privilegio mais ter uma ação participativa e executiva do que ter uma participação de corpo presente. É uma enorme diferença.

Que balanço guarda da experiência de ter sido Presidente da Câmara?
Alberto Figueiredo: Os melhores anos da minha vida foram aqueles que passei como Presidente da Câmara. Fiz tanta coisa que gostei de fazer. Tínhamos muitos sonhos nessa altura.
Procurei sempre envolver-me nos assuntos. Por exemplo, no PDM, eu conhecia-o todo, porque vivi-o todo. Não se lançava nenhum projeto, em que não desse a última palavra. Fosse que projeto fosse. Dou-vos este exemplo: houve um projeto para o concelho, com alguma dimensão, em que se previa que as portas teriam uma altura de 2 metros. Ora, eu achava que 2 metros era baixo. Até pedi opinião a um arquiteto amigo que me disse que os edifícios públicos deveriam ter 2,5 metros, uma vez que os jovens hoje têm quase 2 metros de altura. Isto para exemplificar o pormenor com que debatia os assuntos.
Quando andava na rua, se visse que qualquer coisa não estava bem, mal chegasse à Câmara ia falar com o técnico responsável.
Por vezes, fica aquela ideia de que “gosta de decidir sozinho”, mas não é bem assim. O que acontece é que às vezes ficamos sós, porque ninguém quer assumir a responsabilidade de decidir. E não é fácil decidir sozinho. Ficamos com uma carga de responsabilidade muito grande em cima das costas.
Procurei sempre pautar a minha conduta na política com base na consciência. Não quer dizer que decidi tudo bem, porque naturalmente cometi erros, mas todas as decisões que tomei foram em consciência e, para mim, isso é o mais importante na política, estarmos bem com a nossa própria consciência.

Para concluir, o que acha que será do concelho de Esposende daqui por 25 anos?
Alberto Figueiredo: O futuro vai depender muito do que planeamos hoje. O futuro constrói-se todos os dias. 
Ter uma boa Zona Industrial, em Fão, seria importante. É uma Zona onde a Câmara poderia ter uma grande bolsa de terrenos, para poder trazer para Esposende indústrias com interesse. Esposende precisa de mais e melhores empregos. Mas, não pode transformar a mesma numa zona comercial como aconteceu com a Zona Industrial de Esposende, que tem contribuído para a desertificação ativos do centro da cidade. Esta se nada se fizer pode transformar-se no dormitório. 
O turismo está a crescer, com o crescimento do Porto, o que levará o Município a pensar em investir em equipamentos de apoio ao desenvolvimento desta aérea. A agricultura continuará a ter um papel importante, onde os jovens são importantes pelos seus projetos inovadores. 
Esposende tem condições ímpares temos que ser capazes de as melhorar sem as destruir. Esposende será sempre um Concelho onde valerá a pena viver!

Entrevista conduzida por Francisco Melo e João Paulo Torres.

domingo, 29 de julho de 2018

A publicidade na Afifense!

As obras na caravela junto ao antigo Parque Radical parecem inofensivas, certo?

Parecem inocentes mas durante a semana passada a Rádio Afifense fez questão de passar num programa da manhã, não me perguntam qual, a informação que este parque se encontrava em obras e não poderia ser visitado.

Parece mentira, mas é verdade...

Isto demonstra que temos de ter o máximo cuidado com aquilo que nós apresentamos aos nossos visitantes e acima de tudo, que mais olhos estarão postos em nós para nos criticar do que para nos elogiar.

Fica o conselho.  

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Esposende não é o Texas

O turismo é o petróleo da economia esposendense. 
Ano após ano, o Município e os agentes económicos investem forte para esta época do ano, procurando manter e reforçar Esposende como um destino preferencial de férias.
A estatística já todos conhecemos de cor e salteado: nesta altura, o concelho triplica a população residente. E os constrangimentos provocados por esse aumento exponencial, se não aumentam na mesma proporção, pelo menos dobram!
Uma das limitações resultantes da procura turística de Esposende é a que se prende com o estacionamento. A oferta de lugares disponíveis para estacionar não é a ideal. Ora, perante esse condicionamento, os condutores, à boa maneira portuguesa, tratam de se desenrascar como podem. 
A habilidade, regra geral, resulta em flagrantes atropelos às mais elementares regras rodoviárias, desde o estacionamento em passadeiras, passando, mais grave, pelo parqueamento dos carros nos passeios.
O domingo de ontem foi um bom exemplo disso: pelos acessos às praias do concelho, cada buraco no passeio desimpedido, tornou-se, imediatamente, em lugar ocupado.
Para as famílias com crianças, ou para as pessoas que se movem em cadeira de rodas, a estrada passou a ser a única (e perigosa!) alternativa para conseguirem aceder à praia. 
Não está certo, nem está correcto!
As autoridades, locais e policiais, não podem fechar os olhos a isto. Pelo respeito dos espaços exclusivos aos peões afere-se muito do grau de civismo que perpassa, por estas semanas, pelo nosso concelho.
Esposende não é o Texas, nem o livrete do carro dá a exclusividade de um lugar de estacionamento mesmo à beirinha da praia. Estacionar em cima dos passeios jamais deverá ser tolerado como opção!

quinta-feira, 28 de junho de 2018

A "Linha da Praia".

 A Transdev inicia uma linha que liga Braga a Apúlia e à Póvoa do Varzim, denominando-a "Linha da Praia".

 Sendo um apologista de que o acesso a Braga por meio de transportes públicos deva ser melhorado, fica uma sensação de insatisfação por esta medida ser apenas durante o Verão.

 As ligações a Braga por via rodoviária são manifestamente poucas quando comparadas com o Porto e se tivermos em consideração que pertencemos ao mesmo distrito esta situação mais estranha fica, ficando a sensação que as nossas relações (em termos de trabalho,educação, etc) já sofreram um ajuste na sua orientação e hoje estão viradas a Sul.

 Podem-me sempre dizer é necessário também termos mais "vida" e entropia com Braga para que este melhoramento do acesso seja concretizado e veja a luz do dia e não poderia concordar mais.

 No final, a falta de "vida" com Braga é mais um sinal que a nossa continuidade no distrito de Braga será um assunto que no futuro não poderemos fugir.

domingo, 10 de junho de 2018

E o mar ter uma marca?

 Gostamos de enaltecer a nossa ligação ao mar, gostamos de enaltecer a nossa herança piscatória e de muitas vezes referir que as nossas localidades começaram com o comércio do sal, mas a verdade é que não temos uma marca/empresa que transporte essa carga e essa herança.

 Lançar as bases para uma empresa de venda de produtos marítimos ou de transformação do peixe tendo como um dos pilares principais os métodos tradicionais e o facto de não termos uma grande carga industrial nesse processo é um processo que não só introduz um novo tipo de atividade comercial como um bom veículo de publicidade.

 Alguém se lembra que os "Rebuçados da Nazaré" são feitos em Viana do Castelo? Pois, mas a verdade é que grande parte das pessoas acha que os rebuçados vêm mesmo da Nazaré e todos lembram-se daquela vez que foram à Nazaré comer peixe e até ganham vontade de ir lá no fim-de-semana.

 Já não falo em recuperar a tradição do sal que nos obrigaria a um reordenamento da nossa costa, e provavelmente não teríamos um bom resultado, mas aproveitar aquilo que o mar nos dá.

 Claro que se me perguntarem o que seria realmente ótimo nesta estratégia de "publicidade indireta", era a de possibilitar a entrada do grupo brasileiro de sapatos Paquetá, que detém a marca Esposende e ajudá-los a ajudarem-nos, mas isso vai ter de esperar.

A estátua forjanense no Brasil!

 No dia 10 de Junho, é revelada no Rio de Janeiro, mais propriamente na Casa do Minho, para a comemoração do Dia de Portugal a estátua de Dom Afonso Henriques, obra a encargo da forjanense família Mendanha.

 Não resisto a este comentário e a esta nota já que aquando do  Estátua de Homenagem ao Bombeiro que foi edificada no Largo Rodrigues Sampaio assistimos a uma quase tentativa de homicídio de carácter, enquanto pessoas e artistas, por parte de alguns habituais detratores mas como tive a oportunidade de dizer ao Nuno Mendanha, meu amigo pessoal para declaração de interesses: lá fora só interessa o trabalho!

 Este é mais um bom exemplo de que muita vezes o silencio é de ouro!

terça-feira, 5 de junho de 2018

Os miúdos da "Equipa Coragem", um exemplo!

 E hoje quero falar dos juniores da Associação Desportiva de Esposende.  

 Porque chamo à baila uma equipa de jovens, grande parte deles sem ainda terem 18 anos ? Pelo exemplo de compromisso, sacrifício, combatividade que deram ao longo de todo o ano e parecendo um tema pouco usual, mas o seu exemplo é um bom exemplo da nova forma como teremos de abordar o associativismo no concelho de Esposende, em particular na cidade de Esposende.

 O início foi tumultuoso: saídas inesperadas em todos os sectores da equipa, pessoas que abraçaram outros projetos de uma forma repentina , um plantel com um número de jogadores abaixo do que é exigível para o nível competitivo atual, descrença e incerteza generalizada sobre o facto da equipa conseguir competir ou não, ou seja,todos os ingredientes estavam preparados para que este fosse um ano sabático neste escalão e alguns diziam que isto não era uma equipa mas uma "manta de retalhos".

 Mas a época começou com quem quis lá estar!

 Não começou da melhor forma, várias derrotas nos primeiros tempos mas com o tempo foi melhorando, ultrapassando no seu caminho todos os problemas que uma equipa desportiva passa, alcançado ponto a ponto, escalando a tabela classificativa e ultrapassando as suas eliminatórias na Taça AF Braga até chegar à final.

 Caminho esse que na última semana atingiu o seu corolário: vitória categórica contra o favorito Fão para o campeonato em casa e uma derrota no prolongamento da final da Taça AF Braga contra o "papão" deste escalão, o SC Braga.  

 E o que têm isto de especial? Muita coisa.

 É uma equipa constituída por vários jovens da Póvoa de Varzim e Vila do Conde que suaram a camisola do Esposende como se tivessem cá nascido.
 É uma equipa constituída por vários jovens da Póvoa de Varzim e Vila do Conde que jogo após jogo começaram a arrastar os país e os amigos para virem ver os jogos a Esposende e a apoiar a ADE sem que eles tivessem tido qualquer ligação com este clube.
 É uma equipa constituída por vários jovens da Póvoa de Varzim e Vila do Conde que podia ter atirado a toalha ao chão e ido jogar para clubes mais próximos de casa e ter menos dores de cabeça e incertezas.
 É uma equipa constituída por vários jovens da Póvoa de Varzim e Vila do Conde que hoje sentem Esposende como um local querido e quase como a sua segunda casa.

 E isto deve ser uma lição para o associativismo e os dirigentes associativos deste concelho: só importa quem cá fica, quem trabalha e que sua a "camisola". Pouco importa se são "da terra" ou não, pouco importa se conhecem as ruas das freguesias de Esposende e se dizem "olá" a todos na rua, pouco importa se são bons rapazes e se conhecemos os seus pais e os seus avós, o que realmente importa é que vindos de onde tenham vindo enalteceram uma instituição de Esposende!

 Numa cidade que vive o resultado de uma engenharia social e demográfica orquestrada por anos de domínio laranja que teve como propósito esvaziar um dos poucos polos de resistência e enaltecer as freguesias vizinhas, é mandatório perceber que temos que contar com quem vêm de outras paragens para tornar alguns sonhos em realidade, para tornar ideias avulsas em realidades concretas, para passar obstáculos quando eles nos parecem intransponíveis e que se eles viverem o nosso sonho caminharão connosco e não contra nós.

 Não deixo de saudar também os jovens de Esposende que fizeram parte desta equipa que mostraram a fibra que é necessária para se ser um "Lobo do Mar" e que também eles são uma das principais colas para o sucesso que foi esta equipa.

 Para mim esta equipa ficará conhecida como a "Equipa Coragem"!

 E alguém que me diga que estou a exagerar...

quinta-feira, 31 de maio de 2018

E uma nova Expozende?

Longe vão os tempos em que a Expozende era um dos pontos altos do cartaz de atividades do concelho.

Seria bom recuperar este evento.

Ter um certame onde conseguíssemos a presença dos atores principais das atividades económicas em Esposende seria um bom barómetro do ponto de situação do tecido empresarial esposendense e colocar o desafio às empresas de passar a ter uma necessidade de se exporem e cativarem pela sua apresentação é algo que nos dias que correm é mandatório.

Fica a ideia.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Meia-Maratona de Esposende, notas finais!

E a Meia-Maratona realizou-se.

Depois de mais de uma década de interrupção, voltamos a ter uma prova de 21km nas estradas do concelho e isso é um motivo de alegria.

O percurso que prometia ser tortuoso e repetitivo revelou-se agradável e "fácil" de percorrer sem que as passagens repetidas fossem penosas e se sentisse essa questão. Fica dica para as próximas edições: entrar mais em Fão pela EN13 e eliminar a parte da Sr.ª da Saúde ou de Gandra.

Mas ainda podemos melhorar noutros aspetos, a envolvência com a prova.

Mesmo com uma organização da RunPorto podemos vender os pacotes de hospitalidade para quem queira cá passar o fim-de-semana, já que isso permite que os corredores de paragens mais distantes se sintam mais confortáveis a vir até Esposende.

Outro aspeto a melhorar é a data em que se realiza.

Colocar a data desta prova na mesma data que a Meia-Maratona do Douro Vinhateiro é meio-caminho andado para termos muitos menos participantes do que os que poderíamos ter se as datas não colidissem, já que esta prova é uma das que maior poder de publicidade têm e consegue chamar corredores de quase todo o país quer pelo percurso, quer pela localização quer pela oferta de estadia que os operadores turísticos oferecem.

Outra oportunidade de melhoria é publicitar esta prova na Galiza, aproveitando as feiras de turismo onde as entidades que regem o turismo costumam marcar presença.

E espero que para o ano possa estar aqui a fazer mais alguns melhoramentos a esta prova.


sábado, 19 de maio de 2018

E um campeonato concelhio?

Chega ao fim a época das equipas séniores de futebol do concelho.

 Pelo 2º ano consecutivo tivemos a descida de uma equipa do Pró-nacional para a Divisão de Honra e isso deve-nos fazer pensar que direção queremos dar à política desportiva do concelho neste escalão e neste desporto.

 É evidente que só daqui a uns bons anos é que os clubes do concelho que têm equipas séniores estarão em condições para abraçar uma subida ao Campeonato Nacional de Séniores, onde a semiprofissionalização é mandatária e não existem grandes movimentações para que os clubes que outrora já tiveram equipas séniores queiram novamente abraçar um projeto neste setor.

 Relembro que a um dado momento tivemos cerca de 8 equipas séniores do concelho a competir e hoje temos 4 e isso é muito significativo.

 Sejamos sinceros e realistas, as equipas séniores são sempre o maior espelho do estado e da saúde de um clube e esta desertificação de equipas séniores no concelho é um sinal do que já fomos, do que somos e será um sinal do que queremos ser.

 Um clube ter uma equipa sénior funcionar é uma bandeira, um sinal do estado do clube, é um objetivo para os mais novos e um exemplo de sacrifício e superação que se dá às camadas jovens, é um porto de abrigo para os jovens que aos 18 anos já não podem jogar nas camadas jovens e necessitam de uma equipa sénior para continuar a competir. 

 Por isso urge criar as condições  para os clubes terem uma equipa sénior a competir.

 Esse modelo terá de ser o do campeonato concelhio.

 Temos já em andamento um campeonato de veteranos mas será necessário expandir este modelo para o escalão sénior, com as equipas do concelho a jogarem entre si e quem sabe se as equipas que já jogam nas competições distritais possam colocar aqui as suas equipas "B".

 Um campeonato de custos controlados, poucas deslocações, dérbis garantidos, que melhores ingredientes podemos ter para que alguns dos clubes voltem a ponderar ter novamente as equipas séniores?

 Fica a ideia.

Marginal, o "muro de Berlim".

As obras de renovação em algumas das casas na 1ª linha da Marginal de Esposende continuam...

Nada tenho contra os moradores nem contra as pessoas que já lá habitam mas nunca consigo deixar de lamentar a situação que vivemos na nossa marginal, e a sua permanente "murodeberlinização".

Continuamos a ter moradias de habitação privadas a dominar a sua 1ª linha e a tornar impossível ter atividades que vão além da corrida e da caminhada na marginal algo que se assemelha a um desperdício tão grande como o de podermos extrair petróleo no Algarve e estarmos preocupados com os pensionistas franceses que lá compraram casa.

Necessitamos de ter um outro tipo de habitação, de construção, que permita ter comércio e locais de restauração/animação noturna que tirem partido da vista e da localização, algo que é completamente impossível com a estrutura que temos atualmente. Não defendo uma política ao estilo da Póvoa de Varzim, com as suas torres, já que isso seria uma enorme descaracterização da cidade mas algo ao género de Vila do Conde.

 Claro que me vão perguntar se a solução é expropriar e deixar florescer nova construção? Não sei, mas sei que como está não está bem e geração após geração continuamos a desperdiçar um importante ativo deste concelho.


 

terça-feira, 8 de maio de 2018

Baluarte azul

Embora sportinguista, saúdo a Casa do Futebol Clube do Porto em Esposende!
Há muitos anos, um punhado de benfiquistas inaugurou uma Casa do Benfica em Esposende, mas foi iniciativa que durou muito pouco tempo (o sítio escolhido para sede também não ajudava muito...). 
Apesar do arranque em falso que representou a casa benfiquista, estava longe de imaginar que o Concelho teria de aguardar mais de uma década para voltar a ter uma representação de um Grande. Isto porque tanto Benfica, como o Porto, têm grande expressão no concelho, com adeptos muito fervorosos.
Seja como for, a lacuna foi, finalmente, colmatada, através do engenho dos dragões esposendenses. É prestigiante para o nosso concelho que uma instituição relevante no país e lá fora, como o Futebol Clube do Porto, tenha aí presença, através de uma das suas Casas. 
Longa vida, pois, para a Casa do Futebol Clube do Porto em Esposende (que não tenha o mesmo desfecho da já citada Casa do Benfica), formulando votos para que seja um espaço de convívio salutar e de desportivismo entre adeptos da bola, pois estou certo que será uma casa aberta a adeptos de outras cores. Afinal de contas, Esposende é uma terra de boas gentes e esse capital que nos distingue deverá ser preservado!

domingo, 29 de abril de 2018

O nosso distrito, Viana do Castelo!

 A ainda existente oposição política esposendense têm um atavismo para com Viana do Castelo.

 Faço já uma declaração de interesses: se tivesse de escolher uma cidade para viver que não Esposende escolheria Viana do Castelo, por isso não existe nenhum sentimento bairrista/egoísta da minha parte para com esta cidade.  

 Ciclicamente vemos os críticos dos destinos do concelho a fazerem comparações com Viana do Castelo nos mais diversos campos, da economia à educação, das acessibilidades à implementação de novas empresas.

 Para os mais distraídos, Viana do Castelo é uma capital de distrito, têm uma diocese, teve um Governo Civil quando eles existiam e Esposende é o 5º ou 6º concelho mais importante do seu distrito o que faz o ato de comparar Viana do Castelo com Esposende a mesma coisa que comparar Sintra com Lisboa, Sernancelhe com Viseu, ou Sabrosa a Vila Real, é uma comparação que na esmagadora maioria das vezes não busca procurar novas oportunidades, novos caminhos, nem lançar bases para uma nova ideia apenas é uma comparação que busca o menosprezo fácil, a crítica pífia. Por palavras mais simples, apenas fazer barulho.

 O mais engraçado é que alguns destes críticos não relembram que em 2007 Esposende nem foi considerado para acolher o Centro de Nanotecnologia que acabaria por parar na antiga Bracalândia e nem discutem o facto de Esposende poder ter acolhido a própria Bracalândia que acabaria por ir para Penafiel. Como cantava José Mário Branco: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades!

 Sejamos claros e pragmáticos sobre o que é Viana do Castelo pode fazer e nós não.

 Viana do Castelo sendo uma capital de distrito mais  facilmente colocou no seu próprio concelho um Instituto de Ensino Superior,  mais facilmente criou um porto de cargas, mais facilmente renovou as linhas de comboio que a servem e desenvolveu uma linha para Espanha, mais facilmente instala empresas estrangeiras, mais facilmente desenvolve uma política de turismo, mais facilmente instala instituições dos mais diversos tipos, mais facilmente atrai pessoas e serviços ligadas a atividades de valor acrescentado.

 Não sou parvo, claro que gostaria de ter o parque industrial do Neiva em Esposende, mas alguém acredita que se não é a força de uma capital de distrito se consegue colocar uma fábrica do grupo ENI (já foi vendida a outro grupo, eu sei), uma fábrica de armas e uma empresa de vedantes japonesa que funciona também de consulado do Japão para o nordeste Ibérico no seu concelho? Acho muito pouco provável.

 Alguém acha que Esposende teria hipóteses de atrair tudo isto?

 Mas como gosto de ser produtivo, deixo uma dica à nossa oposição: porque não discutir a inclusão de Esposende no distrito de Viana do Castelo?

 Se Viana do Castelo é a "terra do leite e do mel" porque não iniciarmos a discussão sobre a vontade de nos juntarmos a um distrito que que pode ser mais próximo, não apenas em termos geográficos mas também em termos políticos? Basta um pouco de coragem... 

 Acreditem que pelo que conheço deste concelho, na zona norte (Antas e Forjães) esta hipótese seria muito bem-vinda!

 Fica a dica.


E o 1º de Maio?

 Se por um lado a ausência de comemorações oficiais do 25 de Abril em Esposende é algo reprovável, a ausência de atividades no dia do Trabalhador também não pode ser deixada em claro.

 Se o 25 de Abril é um símbolo do sistema político atual  o 1º de Maio é um símbolo de quem constrói a sociedade, os trabalhadores e trabalhadores são todos os que trabalham e não existem "colarinhos" para comemorar este dia, apesar de muitos o quererem fazer apenas um dia de protesto de comunistas e socialistas avermelhados.

 Seria bom que  em Esposende tivéssemos algumas atividades dedicadas aos trabalhadores do concelho, não sendo necessário sessões mais ou menos solenes ou mais ou menos formais apenas um momento, uma iniciativa, uma visita, uma demonstração de apreço pelos trabalhadores das diversas empresas do concelho.

 Fica a dica.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Marinhas x Esposende

Excelente tarde de domingo no Estádio Pe. Avelino Marques Peres Filipe, com o sempre escaldante derby concelhio Marinhas x Esposende.
Um jogo interessante, cujo resultado final saldou-se num 0-0, não obstante as várias situações em que o golo esteve iminente, de parte a parte. É um resultado que não serve as aspirações da equipa da casa, que tem agora nos 4 jogos derradeiros autênticas finais, por forma a conseguir assegurar a manutenção na divisão. Os meus votos para que o FC Marinhas consiga atingir o seu propósito, pois doutro modo o campeonato distrital fica menos interessante.
Nota de destaque para o apoio que as claques dispensaram às suas equipas. Cada uma na sua bancada, a fazer levantar a voz para que o 12º jogador se fizesse sentir. As claques são projectos que os clubes devem acarinhar e estimular, e não há dúvidas que a ida ao estádio ganha outro alento e interesse com essa rapaziada.
Espero que as direções da ADE, Marinhas e, já agora, do Forjães, intensifiquem a aposta nas respectivas claques, por forma a que estes jogos concelhios despertem ainda maior participação por parte das comunidades locais. 
Outra nota de registo vai para o fair-play na bancada. Ou, por outras palavras, para a saudável rivalidade. Adversários apenas dentro das 4 linhas. Quando o exemplo que vem de cima (1ª Liga) é péssimo, uma jornada desportiva como aquela que se viveu ontem nas Marinhas acaba por ser uma lufada de ar fresco, que merece o nosso aplauso.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Esposende Semanário.

 Vamos ter um novo semanário em Esposende.

 Pelas primeiras impressões, aparenta uma bom dinamismo e um bom sentido gráfico nas apresentações que fez nas redes sociais.

 O que posso desejar? Que enriqueça o panorama informativo de Esposende, que traga à ribalta mais correntes de opinião e de ideias que digam algo ao povo do concelho de Esposende, como quem diz, que prima por uma maior proximidade da realidade noticiosa das nossas freguesias e  confira a seriedade na exposição das mesmas o que seria um ganho assinalável em relação ao habitual lençol de desinformação das redes sociais.

 A ver vamos como corre.