quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Exame à Câmara

Assinalou-se, ontem, o primeiro ano da tomada de posse de Benjamim Pereira como presidente da Câmara Municipal de Esposende.
365 dias depois, o «Largo dos Peixinhos» faz o balanço do primeiro ano de mandato do atual executivo camarário, incluindo a apreciação sobre os vereadores que compõem a denominada «oposição».

Benjamim Pereira (13 valores) 
(Presidente, com os pelouros do Desenvolvimento Económico, Administração e Finanças, Juntas de Freguesia, Ordenamento do Território, Obras Municipais e Ambiente)

Francisco Melo: Ganhar o futuro. Assim se apresentou Benjamim Pereira aos esposendenses. Depois de um longo ciclo à frente dos destinos camarários protagonizado por João Cepa, em que grandes obras estruturais foram realizadas, a Benjamim Pereira apresentava-se o desafio (difícil é certo) de instaurar um novo ciclo na política que se faz em Esposende, mais virado para a economia e o emprego. No entanto, os primeiros 12 meses pouco indiciaram sobre esse «futuro» que se pretende para Esposende. Vimos, antes, a inauguração de outros equipamentos, o anúncio de requalificações, na linha do que marcou o anterior executivo camarário, mas quanto a uma agenda sobre emprego, oportunidades de negócio ou parcerias (para quando o aproveitamento da rede de contactos da nossa forte comunidade emigrante?), pouco se viu, o que levanta algumas reservas sobre a real capacidade de Benjamim Pereira em deixar uma «marca» noutra área que não seja a das infraestruturas (ou não fosse arquitecto e engenheiro).
Nota: 14 valores.

João Felgueiras: Benjamim Pereira apresentou-se aos Esposendenses com a ideia de “ganhar o Futuro”, um futuro secundado pela perspectiva da alavancagem económica do nosso concelho, modernizando o seu tecido empresarial, criando emprego, apontando baterias aquilo que se poderia chamar de “empreendedorismo camarário”. Neste primeiro ano, pouco se viu nesta área, uma área difícil de se atingir num plano de crise macroeconómica. Aguardo com expectativa que o trabalho de bastidores esteja a ser feito, e bem feito, por isso o benefício da dúvida. Noutros contextos, pouco mexeu e costuma dizer-se: é melhor não mexer que fazer pior. Parte do seu primeiro ano como edil serviu para se tentar distanciar do seu antecessor, mas “vivendo” sempre com “medo” da sua sombra. Esperamos pelas suas grandes “obras” e pelo seu plano “empreendedor”; se o conseguir todos sairão a ganhar. 
Nota: pelo benefício da dúvida do primeiro ano, 13 valores.

João Paulo Torres: Demasiado preocupado em assinalar as diferenças para com o seu antecessor, tem pautado o discurso por um tom de “faço melhor e mais depressa” algo inadmissível de alguém que já estava dentro da casa, com os meios à disposição. O discurso do “Dia do Município” ficará registado como se de um discurso de “líder da oposição que chegou ao poder” se tratasse. Fico ainda na dúvida de perceber se a celeridade se deve à conclusão de processos que vinham em curso do anterior mandato ou se temos mesmo em mãos um super-autarca.
Em 12 meses assisti a um homem mais preocupado em afirmar-se como político do que como autarca. Cedo no entanto ao critério de razoabilidade do “benefício da dúvida”: 
Nota: 12 valores.

Manuel Pereira: “Quem não têm cão, caça com gato”, já diz o velho ditado. Em anos de contenção orçamental é difícil avançar com novos projectos, com novas ideias, com novas realidades e isso faz-se sentir de uma forma muito forte neste mandato. A utilização dos dinheiros públicos para fazer obras em Esposende será a ordem do dia e isso ficou bem claro nos discursos do Dia do Município. Nos próximos anos exige-se mais na parte da captação de investimento,empregos, de interesses e interessados para Esposende, para que a economia e o emprego sejam verdadeiramente prioridades. Não estragou o que herdou e agora exige-se mais audácia na sua gestão.
Vive ainda em conflitos com o passado e a sombra do seu antecessor, provocando sempre leituras duplas quando Benjamim fala de João Cepa, algo que o descredibiliza de uma forma muito disfarçada.
Nota: 13 valores.



Maranhão Peixoto (14,5 valores)
(Vice-Presidente, com os pelouros da Gestão Urbanística, Iluminação Pública, Mobilidade, Protecção Civil e Segurança e Florestas)

Francisco Melo: É o número 2 da câmara. Ganhou destaque mediático nos problemas que envolveram a orla costeira esposendense. Tem cumprido nas tarefas todo-o-terreno que lhe são acometidas.
Nota: 16 valores.

João Felgueiras: O Vice-Presidente que se mostra presente, que esteve na linha da frente quando Esposende sofreu um dos momentos mais problemáticos em tempos de intempérie e que sem grande alarido articulou os trabalhos entre as entidades competentes. Parece-me pessoa que põe as “mãos na massa”. 
Nota: 15 valores.

João Paulo Torres: Um “low-profile”! O mesmo registo humano de sempre, empenhado em “cumprir a missão”. Nada mais se exige, pelo menos por agora. 
Nota: 14 valores.

Manuel Pereira: Apareceu aquando dos problemas da orla costeira, tendo cumprido com a exigência do momento. Nos restantes pelouros não temos notado no terreno a sua acção. Pode fazer um bom trabalho na iluminação pública e nas florestas, trabalho esse que tem garantias de longevidade no terreno.
Nota: 13 valores 

Rui Pereira (17 valores)
(vereador do Desporto, Juventude, Turismo e Transportes)

Francisco Melo: Ruipereirarizar. Um verbo que se foi formando através do sem número de iniciativas (e muitas com valor acrescentado) que o jovem vereador da juventude, turismo e desporto veio realizando. Rui Pereira não deixou o seu pelouro em piloto automático e tem surpreendido pela energia com que vai dinamizando as suas áreas. É já uma confirmação como um bom valor autárquico e o seu exemplo de dinamismo deveria, aliás, fazer escola para alguns dos seus colegas de vereação. Não sei se estará condenado a outros voos na política esposendense, ou mesmo distrital, mas Esposende está bem servido com este vereador que promete não ficar por aqui.
Nota: 18 valores.

João Felgueiras: O mais destacado do executivo, pelo seu dinamismo, pela abnegação e pela visibilidade que o pelouro lhe dá. Teve uma das maiores fatias do orçamento camarário e tem-na investido em iniciativas de alcance turístico e desportivo que são necessárias para o nosso concelho, os resultados nestas áreas, principalmente no desporto têm surgido. Se assim se mantiver é uma pessoa que poderá almejar outros “voos”. 
Nota: 17 valores.

João Paulo Torres: O vereador que mais se expõe. Presente activamente na “rede social”, mobiliza, responde, sujeita-se à crítica e acima de tudo anda na rua. Num registo que vem crescendo ao longo dos anos é o oposto do “chefe de fila” - o que menos parece preocupá-lo é a política-partidária. Sempre receptivo à sugestão e a explicar as opções. Mesmo sabendo que serei injusto, um “Nota 16” apenas porque acredito que ainda tem muito mais para dar na fasquia.
Nota: 16 valores.

Manuel Pereira: O elemento com mais visibilidade de todo o elenco. Com os seus eventos de Verão e as suas corridas de atletismo (e outras), Rui Pereira consegue não só animar Esposende mas como trazer pessoas a Esposende e acima de tudo, descobrir Esposende. Penso que haja espaço, quer em termos de disponibilidade financeira das associações participantes quer em termos de aderência do público, para que o calendário de eventos aumente e se diversifique. É essa evolução que considero lógica para 2015. A partir dai, Rui Pereira terá de se tornar mais empresário e mais construtor e avançar para a requalificação das infraestruturas e locais turísticos em Esposende.
Nota: 17 valores.

Jaquelina Areias (11,5 valores)
(vereadora da Educação e Cultura)

Francisco Melo: Vereadora da educação e cultura. 5 anos depois e Esposende continua sem ter um ciclo literário que trouxesse até nós alguns vultos da língua portuguesa, ou de cinema que desse a conhecer algumas obras da sétima arte que marcam a história. Eventos que concelhos de dimensão similar a Esposende têm. Com geminações com França e Cabo-Verde e nunca houve um ciclo de música cabo-verdiana em Esposende, ou levou-se a banda dos bombeiros até França ou Cabo-Verde. Sendo a cultura uma pasta a que, infelizmente, se destina um reduzido orçamento, os titulares dessa pasta têm de puxar pela cabecinha e tentar gerar iniciativas que animem a terra para além do Verão.
Nota: 12 valores.

João Felgueiras: Muito pode ser feito no âmbito da cultura e educação no Concelho de Esposende, falta dinamizar a rede de museus, criar ciclos de tertúlias ou espaços café-concerto, dinamizar mais iniciativas como o ciclo de teatro e aumentar a oferta neste campo, cultivar uma cultura de associativismo. Claro que num pelouro que tanto ataque tem sofrido do poder central criam-se alguns entraves a algumas iniciativas, mas sendo o “parente pobre” deve-se aguçar o engenho. 
Nota: 11 valores.

João Paulo Torres: O “Crato” local. Com muita pena minha, o primeiro ano do novo mandato para a vereadora da educação ficará marcado pela trapalhada na reorganização do mapa escolar. Assumidademente indignado com a forma “à político” como foi conduzido o processo de Marinhas - Escola de Cepães/Jardim de Infância de Igreja, mais preocupado com a imagem política do que com as crianças, só posso registar o chumbo na época de Setembro. 
Nota: 8 valores. 

Manuel Pereira: Não é fácil ser-se vereadora de duas áreas que são o parente-pobre do Governo da República.  Se no caso da educação é necessário maior dinamismo nas instituições de suporte à atividade escolar, e dar maior visibilidade a estas, também é verdade que os diretores das escolas são os senhores das instituições que dirigem e isso cria alguns entraves à sua atuação de quase todos os vereadores desta área. Na secção de cultura as atividades não foram muitas mas com alguns ciclos de cinema, teatro, música a ter boa adesão. Penso que este tipo de mini-ciclos devem ter continuidade, já que o público esposendense está sedento de atividades e temos de ter noção da quantidade de público que pode ser atingido e dimensionar as atividades a esta realidade. A revitalização em termos de publicidade aos museus é imperativa.
Nota: 13 valores 

Raquel Vale (11,5 valores)
(vereadora da Coesão Social, Saúde Pública, Mercados e Feiras, Comércio e Indústria, Agricultura e Pescas e Qualidade e Modernização Administrativa)

Francisco Melo: Todos os executivos têm o seu elemento apagado. Deveria conviver mais com Rui Pereira.
Nota: 11 valores.

João Felgueiras: Pouca visibilidade do trabalho efetuado; trabalho efetuado em parcerias com associações concelhias o que é de louvar; deve potenciar ação social na área educativa sendo que poderia articular mais trabalho com a vereadora Jaqueline. 
Nota: 12 valores.

João Paulo Torres: Com ligeiros aparecimentos na acção social, creio que enverga em demasia a discrição que alguns dos assuntos que tutela exigem. Em todo o caso acredito que não lhe ficaria mal um pouco mais de agenda, um pouco mais de causas junto da comunidade.
Nota: 12 valores.

Manuel Pereira: Num concelho de pescadores, num concelho com algumas empresas agro-alimentares, num concelho que fará aposta na atração de empresas e emprego é estranho que quem detenha estes pelouros não tenha maior visibilidade. Necessita de aparecer mais, necessita de mostrar mais ideias e mais dinamismo. Esta menor visibilidade será consequência de uma colaboração próxima com Benjamim Pereira
Nota: 10 valores 

João Nunes (15 valores)
(vereador PS)

Francisco Melo: João Nunes nunca irá ganhar a presidência da câmara de Esposende. Ele sabe disso, o PS de Esposende sabe disso também. Sucede, porém, que o PS de Esposende tem (de há largos anos para cá) uma grande dificuldade em lançar novos rostos no seu combate autárquico. À falta de outras soluções, trava-se a guerra com as armas que se têm. Ora, nesse particular, João Nunes tem sido um autarca dedicado e competente, enveredando por uma oposição interventiva e, no que é sempre saudável, sem maledicência. Comparado com os 4 anos em que esteve na vereação presidida por João Cepa, este ano, já com Benjamim Pereira a presidente, revelou-se o melhor dos 5 no plano da actuação de João Nunes.
Nota: 16 valores.

João Felgueiras: Coerente na sua forma de fazer oposição, tem-se mostrado o vereador mais preparado nas discussões dos temas em carteira e que procede a uma oposição mais efetiva, colocando o interesse dos Esposendenses sempre em primeiro plano, tem sido cooperante quando o tem de ser e tem sido divergente quando deve. 
Nota: 15 valores.

João Paulo Torres: Não sei se o Sr. João Nunes alguma vez foi político, se o foi desconheço - e em boa verdade, não sei se isto lhe terá sido desfavorável de todo. Reconheço no entanto que no último ano se tem revelado aprendiz da arte. Ou que tenha mudado de manual, ou que tenha mudado de professor, a verdade é que o João Nunes do último ano parece finalmente ter aprendido umas coisas, sem que isso no entanto o torne uma oposição forte ou digna do nome. Creio que se resume ao importante papel: é o único que tem vontade dentro do PS. O único que aceita lutar mesmo quando a batalha está de antemão sistematicamente perdida. Para os dias em que “cheirar a vitória” estou certo que não faltarão “Antónios Costas”. 
Nota: vai-se notando! 

Manuel Pereira: João Nunes será o eterno 2.º classificado das autárquicas. Tal como havia acontecido com Tito Evangelista, a estranha estratégia do PS-Esposende faz com os seus líderes tenham a sua imagem detriorada com sucessivas derrotas e uma inexistência mediática quando na oposição. João Nunes na oposição, e como vereador, surge macio e algo complacente com os poderes instalados, quando deveria ser ele o primeiro a criticar o trabalho de Benjamim Pereira e o primeiro com novas ideias para o concelho. Aconselho o estudo do caso de Ricardo Rio na Câmara de Braga, para perceber a postura que se deve ter num verdadeiro projecto para ganhar a câmara em vários anos na oposição.
Nota: 13 valores.

Berta Viana (11 valores)
(vereadora CDS)

Francisco Melo: Sigo o sábio conselho de George Eliot: "Bendito seja o homem que, não tendo nada para dizer, se abstém de o demonstrar através das suas palavras.".
Nota: 11 valores.

João Felgueiras: O CDS-PP Esposende tem seguido os passos do CDS-PP nacional, colando-se ao poder ao invés de fazer oposição. Quase perdia o seu vereador nas últimas eleições um dos partidos que em tempos já foi poder em Esposende; ainda não “Fez o que ainda não foi feito”, mas a ver vamos como será o futuro…
Nota: 10 valores.

João Paulo Torres: O CDS-PP Esposende, com ligeira ressalva dos tempos do Dr. Areia de Carvalho, mantem-se fiel a si mesmo: o elo mais fraco. Sem rumo, sem posição, sem oposição.  Neste cenário difícil se torna atribuir uma nota. Seria como avaliar um aluno que não foi a exame. Atribuir um “zero” seria demasiado pesado, admitindo que ainda estará em tempo para justificar a falta.
Nota: Nem se nota.

Manuel Pereira: Berta Viana foi 3ª o ano passado e parece que não querer encurtar a distância para o PSD e Benjamim Pereira e tomar o 2º lugar de João Nunes que está ali mesmo ao virar da esquina. Mais uma vez, aconselho o estudo do caso de Ricardo Rio para perceber como estar na oposição autárquica durante vários anos. Berta Viana quase passa despercebida na vida mediática, parecendo não querer capitalizar em si e no CDS-PP o sentimento de descontentamento do eleitorado esposendense.
Nota: 11 valores.

domingo, 5 de outubro de 2014

Frases de 2014 (5)

"O CDS [de Esposende] foi uma máquina trituradora das pessoas que se aproximam da política com espírito altruísta."
José Paulo Areia de Carvalho em entrevista ao Jornal Notícias de Esposende (13.09.14) 

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Frases de 2014 (4)

"Mesmo que assim não seja, ficará sempre a sensação de que a prioridade é a rapidez e não a qualidade e a transparência do documento."

João Cepa comentando no seu blogue o facto de a Câmara Municipal submeter a revisão do PDM à discussão pública por um prazo, apenas, de 30 dias, quando outras Câmaras, como Braga, fixaram um prazo mais alargado de 120 dias.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Festa do Idoso - uma proposta para 2017, 2021, 2025 e seguintes

Realiza-se amanhã mais um passeio a Fátima que a Câmara de Esposende proporciona, anualmente, aos idosos do concelho.
No ano passado, o passeio ficou marcado pelos terços que o Presidente João Cepa ofereceu aos participantes, gesto pretendido  "como forma de agradecimento aos idosos pela simpatia, atenção, apoio e amizade", mas visto pela oposição como manobra eleitoralista atendendo às eleições municipais que se avizinhavam.
Este ano, como não há eleições, o passeio voltará a ser pacífico como se deseja, isto é, sem estórias.
Apesar de o próximo acto eleitoral ainda vir distante, deixo a minha proposta sobre o tema: em ano de eleições autárquicas o passeio a Fátima deverá ser agendado para data posterior ao acto eleitoral. Precisamente para afastar quaisquer suspeitas de aproveitamento eleitoral por parte de autarcas que se candidatam nesse ano.
E, para ilustrar melhor o que acabo de dizer, socorro-me do protocolo do Vaticano, o qual estabelece que o Papa não recebe governantes que estejam em ano de eleições. Uma medida protocolar que se percebe. Afinal, a tentação de um político querer aproveitar uma audiência papal a seu favor, sobretudo se a eleição doméstica estiver tremida, pode ser muita.
Embora os passeios a Fátima sejam organizados pela Câmara, não deixa de ser verdade que estes contam com a colaboração próxima do arciprestado de Esposende. Assim, e à semelhança do que o sucessor de Pedro determina para si próprio, seria aconselhável que os bons pastores cá da terra não arriscassem  qualquer aproveitamento político nas suas costas e, consequentemente, recusassem o passeio em data antes das eleições. 
Faço esta observação no pressuposto de que o primeiro passo para rever esta calendarização nunca partirá do próprio Município. 
Dir-me-ão alguns que é um exagero comparar um simples passeio em peregrinação a Fátima com uma audiência papal. Bom, mas o seguro nunca morreu de velho, e se em Roma o chefe da Igreja tem este cuidado, pelo motivo acima referido, por que razão haveria de ser diferente na realidade da igreja esposendense?

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Romaria, festa e festança!

Passadas as festas, romarias, festivais parece-me oportuno discutir o que foi o concelho de Esposende nestes eventos.

Em primeiro lugar quero deixar a nota positiva à organização da Silent Party e da Festa 80’s do Parque Radical. Este tipo de festas e eventos fazem falta a Esposende que assim consegue diversificar o seu leque de atrações e aproveita a cidade em si e as praças e pelo que fui vendo nas noites de Verão deveríamos pensar num reaproveitamento do Largo Rodrigues Sampaio e não apenas ser utilizado como local das feiras de artesanato e de velharias.
Em segundo lugar, e mais importante, é necessário que a calendarização dos eventos seja mais racional e mais equilibrada e que haja esforços para que algumas festas de base religiosa e mundana sejam unificadas para permitir não só uma vertente religiosa como uma vertente civil que crie eventos mais sólidos e mais apelativos para quem nos visita.
As festas de São Bartolomeu do Mar continuam a ser o maior desperdício em termos de potencial turístico festivo do nosso concelho. Sendo uma das mais antigas e mais características do país é difícil de explicar como ela não têm melhor tratamento e divulgação pelo turismo esposendense. Seria desejável e proveitoso que elas tivessem um símbolo, uma linha gráfica, cartazes com identidade própria como se de uma marca se tratasse ou como se da Galaicofolia se tratasse e que fosse relocalizada, já que termos a EN13 com apenas 1 via de circulação enquanto existem espetáculos e pessoas a amontoarem-se sobre essa via livre é uma cena que pertence aos anos 80.
A Galaicofolia continua a ser uma boa aposta forte do turismo de Esposende e continua a dar bons resultados. Na minha condição de utilizador é necessário aumentar a frequência de meios de transporte para o São Lourenço, como facilitar o parqueamento de automóveis no próprio monte.  Mas mais do que isto é necessário a reorganização das datas para que haja confluência com o as festas do São Lourenço. Que sentido faz termos um festival hoje e daqui a 8 ou 15 dias uma festa no mesmo local? Pouca, na minha visão.  

Não estou a afirmar que se elimine uma em favor da outra, mas que haja uma confluência de ambas, e que elas partilhem o mesmo esforço em termos de espaço, de logística de meios e que partilhem as pessoas que vão a São Lourenço por esta altura. Nesta senda de festas em montes e locais com contacto privilegiado com a natureza será uma boa aposta a revitalização da Senhora da Guia em Belinho, aproveitando a dinâmica da Galaicofolia para encetar alguns eventos naquele local, um dos locais com melhores vistas do concelho de Esposende.
A Feira Medieval mais uma vez esteve em bom plano, sendo cada vez mais a referência em termos de festa da cidade de Esposende, é o local onde toda a gente se encontra e onde todos se revêm. Por muito que custe a acreditar, hoje a feira medieval é a “Senhora da saúde” de há muitos anos atrás, a romaria quase obrigatória, onde se ouvem crianças a rir, pais às compras, famílias a passear.E qual o segredo? Porque se realiza nas ruas e cria um sentido de massa humana positivo.  Como melhoria apenas vejo a possibilidade de termos uma parte da feira aberta até mais tarde, para lá da 1 da manhã, com música, copos, comida e um espaço envolvente já de si temático.
O Festival Sons de Verão 2014 veio desafiar a noção de que os festivais e as festas apenas são para os mais novos. Com o concerto de Vitorino vimos um público mais velho, mais conhecedor a vir a Esposende o que pode servir como  aviso à organização do evento que para 2015 será proveitoso apostar novamente em artistas para este público, e já agora, aproveitar as bandas filarmónicas de música do concelho e outro tipo de bandas do concelho para estes concertos.
E agora as “Senhoras da Saúde”. Sou ainda um daqueles para quem as festas da Senhora da Saúde e da Soledade de Esposende eram o ponto alto do concelho, o dia de maior agitação em Esposende e um dos pontos de maior agitação noturna da cidade e onde as máquinas de jogos, os carrinhos de choque, as barraquinhas, as caravanas de k7, fogo de artifício e as procissões faziam a festa.  Daqui digo um profundo “obrigado” a todos os que a organizaram ano após ano e digo “força” a quem a organiza atualmente e nada do que direi a seguir pretende menosprezar o esforço de quem a organiza nos nossos dias.
Mas os tempos mudaram e a realidade mudou e hoje as festas da Senhora da Saúde já não são o ponto alto de Esposende.  Hoje a sua dimensão e capacidade de mobilização pouco ou nada têm a haver com o que foi mas têm lentamente vindo a recuperar com mais algumas pessoas, mais alguns comerciantes (a face mais visível do número expectável de pessoas) . 

Sei que  sendo esta uma festa de cariz religioso está sempre ligada a uma data fixa e que existem mais duas festas devotas a esta santa, em Apúlia e Marinhas, mas será preciso deixarem realizar o festival do marisco na mesma altura? Se estas são as festas religiosas de maior nomeada no nosso concelho não seria de esperar que não se pretendesse dividir as pessoas entre as duas coisas? E mesmo que me digam que é este o fim-de-semana  mais propício para se realizar, não se deveria fazer uma publicidade conjunta dos dois eventos?  O concelho de Esposende não aguenta estas divisões de público e as juntas de freguesia que promovem estes eventos com esta calendarização e com esta divulgação nada mais estão a fazer do que a queimar dinheiro.  
Não faria sentido colar o Festival Sons de Verão a esta festa? Não faria sentido organizar uma das feiras de artesanato na altura das festas? Porque tal como se percebe da Feira Medieval, não é uma rua da Senhora da Saúde despida de luzes, de pessoas, de barracas, de vida no essencial que atrai as pessoas  e dá vida a esta festa. É preciso perceber como se atrai as pessoas para a rua Rodrigues Faria e as leva até à rotunda e isto é algo que deve estar ao encargo do turismo e não da comissão organizadora  das festas.  Como diz Pacheco Pereira, é preciso mudar o paradigma, e as festas para sobreviverem terão de obrigatoriamente de mudar.
E já agora, e isto é um pequeno desafio para o turismo esposendense, para quando atividades na sempre esquecida foz do Rio Neiva?

sábado, 13 de setembro de 2014

Fórum Esposendense - 25 anos

Já lá vai quase um mês, mas aqui o "estaminé", penso eu, não poderia deixar passar em claro a oportunidade de felicitar uma associação como o Fórum Esposendense pelos seus 25 anos. 
Estarei a incorrer no risco de "louvar" uma associação, esquecendo-me de outras que trabalham em prol do Concelho de Esposende e, que em muitos casos, substituem a responsabilidade do poder nacional, visto que quando ao poder local, temos assistido nos últimos anos a um estreitar de relações entre as instituições, o que é de enaltecer.

Mas corro este risco porque o Fórum é, sem dúvida, uma das associações com dinâmica acima da média, uma associação cuja intervenção é vasta, com a publicação do jornal "Farol de Esposende", com a reconstrução da Catraia (um dos símbolos de Esposende), com a requalificação do edifício dos Socorros a Náufragos e instalação do Museu Marítimo nesse espaço, com a requalificação do edifício dos Estaleiros, entre tantas outras... 
Bem, a obra fala por si!!!

Em 25 anos a obra é enorme, a associação cresceu, amadureceu, tornou-se mais profissional. Certamente não foram anos fáceis, com um começo atribulado como contam os seus fundadores, direcções e amigos, que nos momentos iniciais da associação encontraram grandes dificuldades e os tão afamados "velhos do Restelo". 
Mas ela ai está, de pedra e cal...

Eu tinha 6 anos quando o Fórum nasceu, mas acompanhei o crescimento da associação, por entre as conversas do saudoso amigo Armindo Duarte (Rochinha) com o meu pai, das conversas entre os fundadores, através da construção da Catraia em que, quando podia, "fugia" até aos estaleiros para ver a sua evolução, com o embalar e colar as etiquetas nas primeiras edições do jornal para expedição, com algumas férias a trabalhar na sede da Rua da Nogueira. O meu crescimento foi feito, também, com o crescimento do Fórum. 

Mas, mais importante é deixar uma palavra de apreço aos fundadores e colaboradores mais activos do Fórum. A associação, como foi pensada e como foi construída é o VOSSO LEGADO, é o legado que deixam às gentes de Esposende, é o vosso nome inscrito na história e nas estórias deste Concelho. A vossa visão perdurará, assim o espero, nas mãos dos mais jovens que vos irão substituir e aos quais entregastes e continuareis a entregar o futuro da associação. 

Bem hajam pelo esforço, pela dedicação e pela edificação de tão valorosa Associação!!! 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Dias da rádio

A Esposende Rádio celebra este ano os seus 25 anos e isso leva-me aos seus tempos iniciais quando a rádio teve o seu primeiro crescimento em termos de audiências, diversidade de programas e de implantação na sociedade esposendense.

O que mais me deixa saudades são as antigas tarde desportivas em que havia relatos em directo dos vários campos de futebol do concelho e onde cheguei a acompanhar relatos de jogos de andebol, algo que hoje parece longínquo e quase inacreditável. 

Mas não só de tardes desportivas vivia a rádio mas também dos programas de debate da atualidade esposendense e entrevistas às figuras das associações mais relevantes e esse era uma das suas maiores valências e maior serviço público que a rádio prestava, aproximar a sociedade das suas instituições.
Numa altura em que existe confusão entre o que é informação e conhecimento, entre jornalismo e justicismo, e entre debate e discussão, vemos que as referências nos meios de comunicação continuam as mesmas,  já que a revolução tranquila não trouxe um aumento de confiança, fiabilidade e de isenção, o que leva a que hoje os mesmos jornais, as mesmas estações de televisão, as mesmas rádios dominem as plataformas de comunicação quer a nível internacional, nacional e local. Claro que a plataforma em que nos são apresentados tem sido diversificada: os jornais passaram para a internet e para a televisão, a televisão para a internet e para conteúdos específicos, as rádios para a internet e para a televisão  (fenómeno ainda em expansão).
Seguindo o exemplo da diversificação das plataformas de informação surge como desenvolvimento natural dos meios de comunicação esposendenses a sua unificação e inter-ligação. Falo da Rádio Esposende, do Jornal de Esposende, do Novo Fangueiro online,Esposende Serviços, o Forjanense, etc.  
Sabendo que são detidos por identidades diferentes, surge-me como lógico e proveitoso que os meios de comunicação partilhem cada vez mais as informações, os programas, as entrevistas, os espaços de debate, os directos, entre outros. Sabendo que a nossa realidade não consegue criar notícias de uma forma constante e em volume suficiente o seu compartilhamento parece-me algo natural e desejável.
Tal como disse acima, é o reconhecimento de isenção, de responsabilidade, de profissionalismo e segurança que garante a existência das mesmas referências ano após ano e na realidade esposendense esses fatores são aqueles que garantem que os jornais, a rádio e a televisão se mantenham como veículos de comunicação priveligiados pela população.
Para além de compartilhar informação, as plataformas comuns permitem chegar mais longe, pensar em projectos mais ousados e que permitam maior visibilidade às atividades comerciais, culturais e políticas do nosso concelho. Nesta confluência de esforços poder-se-ia colmatar uma das grandes lacunas da informação esposendense, com a criação de um sitio na internet que aglomerasse a atualidade relativamente a Esposende, como que um Google Esposendense.
A união faz a força e no nosso caso só sobreviveremos e nos desenvolveremos com a união.
Só como sugestão, para quando um concurso para novos talentos musicais aqui em Esposende? Para quando a transmissão dos concertos da Musicórdia ou da Música na Praça?