sábado, 18 de julho de 2015
Prof.º Ribeiro, 9 anos depois
1000 anos que viva nunca me esquecerei do que vi e vivi
naquela tarde.
Estavamos num solarengo e quente dia de Julho de 2006 e
a notícia da sua morte chegou.Lembro-me de que as movimentações para se fazer o
funeral que ele havia pedido começaram de imediato.
Como havia sido pedido pelo próprio, seria cremado e lançado
ao mar, então o ponto de concentração para iniciar as cerimónias no edifício
dos Socorros a Náufragos e quando lá cheguei era um mar de caras-conhecidas,
uma verdadeira conferência das nações com pessoas que tinha vindo expressamente
do Algarve, Madeira, Açores, Espanha, França, Angola, Moçambique. Alguns esgotaram meses de
poupanças num billhete de avião para lá estarem, mas era o Prof.º Ribeiro.
Quando chegou a carrinha com as suas cinzas houve alguma
comoção natural do momento, com lágrimas a rodos, mas é nesse que irrompe o “Cheira
bem, Cheira a Lisboa” pela Banda do Galo de Barcelos (um outro pedido do Prof.º
Ribeiro) pelo lado das Piscinas Municipais e com uma
ingenuidade infantil uma das mais respeitadas e temidas professoras da Henrique Medina diz em alto e bom som: “Alegria,
ele queria alegria, nada de choros” e todos irrompem
a cantar o “Cheira bem, cheira a Lisboa”.
O mote estava dado.
Chegados à praia de Ofir, a Banda do Galo de Barcelos tocava o "Cheira bem,cheira a Lisboa" virada para o mar, com um mar de gente vestida de preta com coroas de flores fúnebres e um mar de gente ainda maior em trajes de praia a olhar para aquilo com um ar de espanto e de curiosidade.
É uma cena que não mais me esquecerei, o maestro da Banda do Galo de Barcelos com os pés na água a comandar a Banda.
No fim, o Prof.º Ribeiro esteve sempre connosco.
quinta-feira, 16 de julho de 2015
Não foi suficiente
Na mesma semana em que anunciou as contratações dos trintões Iker Casillas e Maxi Pereira, o FC Porto viu despedirem-se dos seus quadros, a título definitivo, os jovens centro-campistas Frédéric Maciel e Tozé, ambos oriundos do concelho de Esposende, e sobre quem vaticina-se um futuro auspicioso dentro das 4 linhas.
Para além do grande relevo que ambos tiveram na equipa B do FC Porto, e do número assinalável de golos marcados na 2ª Liga, as prestações de Frédéric e Tozé, ou o futuro auspicioso apontado pela imprensa especializada a cada um deles, não foram suficientes para que o clube azul e branco integrasse estes atletas no seu projecto desportivo de médio prazo.
No caso de Tozé, o empréstimo de 1 ano ao Estoril na 1ª Liga, de pouco serviu para que merecesse a confiança do treinador Lopetegui para fazer, pelo menos, a pré-época. No caso de Frédéric, salta directamente da 2ª Liga para o futebol estrangeiro.
Para os esposendenses que gostam de acompanhar o desporto-rei e, de modo especial, os seus conterrâneos, o anúncio oficial das saídas de Tozé e Frédéric não deixa de causa uma certa desilusão e desconforto. Afinal de contas, tratam-se de dois dos mais relevantes jogadores da formação do FC Porto dos últimos anos.
Pessoalmente, temi sempre por este desfecho. O FC Porto está longe de ser um clube que aposta nos jovens jogadores da sua formação. Muitos escrevem que no FC Porto os resultados têm de ser para hoje e não para amanhã, o que exige no imediato jogadores já feitos e não projectos de jogadores.
Acresce, a isso, o facto de nas últimas edições da Liga o FC Porto iniciar a partida com o máximo de 2, 3 jogadores portugueses no seu 11. O último ano foi paradigmático pois houve um jogo em que o FC Porto entrou em campo sem qualquer português no 11.
Frédéric e Tozé são mais duas vítimas, a engrossar o rol, de jovens jogadores que fizeram tudo direito no seu percurso de formação desportiva no FC Porto e que saíram sem terem tido uma oportunidade de jeito para mostrarem o seu valor na equipa principal. Atrevo-me a dizer que no caso destes jovens conterrâneos, a sua maldição é a de não terem um nome acabado em "ez" ou "ic".
Largos são os anos que Frédéric e Tozé têm pela frente no futebol. Como já aconteceu num passado recente, podem muito bem vir a ser os próximos casos de jovens jogadores formados no FC Porto, que saíram pela falta de oportunidades na equipa principal, singraram noutro clube e, mais tarde, viriam a ser contratados pelo FC Porto.
Para memória futura de muitos paizinhos esposendenses, ficam estes exemplos mais chegados à nossa comunidade, para servirem de aviso de como, às vezes, mais vale deixar e continuar a apoiar a permanência do filho num clube com menos nome mas que trata bem os seus jovens, do que incentivar a mudança para um clube de maior nomeada, mas sem fama e proveito de apostar nos seus jovens.
terça-feira, 30 de junho de 2015
Jogo das Estrelas
Há muitos anos atrás, era Alberto Figueiredo presidente da Câmara, Esposende associou-se às cidades de Ozoir-la-Ferrière (França) e São Domingos (Cabo-Verde), passando a estar geminada com ambas.
Pretendia-se, com essa relação, promover a partilha de conhecimento e experiências nos mais variados domínios (cultura, desporto, ambiente, economia), desenvolvendo as competências de uma localidade com base no que de melhor sabia fazer a outra.
Quase 20 anos após o estabelecimento das geminações, o balanço é desolador. Tirando a inauguração de ruas em Esposende com o nome de Ozoir-la-Ferrière e São Domingos, ou a presença de representantes de cada uma daquelas cidades nas festas da Cidade (e mesmo aí, só nos primeiros anos), não se vislumbram casos concretos em que tenha sido concretizado o intercâmbio desejado.
Que medida inspirada no exemplo de Ozoir-la-Ferrière ou São Domingos foi posta em prática no concelho? Ou que experiência de sucesso em Esposende foi replicada em qualquer uma daquelas localidades?
A ausência de iniciativas no âmbito das geminações estabelecidas, faz questionar a utilidade na manutenção dessas cooperações. Ter o nome e não tomar qualquer acção a partir dele não faz qualquer sentido.
Recentemente, o Município de Esposende divulgou uma iniciativa que visa recolher donativos a favor das crianças de S. Domingos. Trata-se de um jogo de futebol com antigos jogadores de futebol conhecidos. Esse jogo será precedido por outro que contará com a presença de políticos e figuras públicas.
Curioso que uma iniciativa que incide sobre um município com o qual Esposende está geminado se faça sem a "prata da casa".
O Município poderia promover um concerto, ou uma série de concertos pelo concelho, do Coro dos Pequenos Cantores de Esposende, com as receitas a reverterem a favor da causa anunciada. O Município poderia também encomendar uma peça de teatro ao grupo de teatro amador local, cujas sessões costumam ser bastante concorridas. O Município poderia também promover uma corrida/caminhada solidárias, ou não seja Esposende e a sua marginal um palco privilegiadíssimo para a prática do desporto.
No entanto, a opção acabou por residir antes num jogo de futebol, precedido por outro, com a anunciada presença de antigos jogadores conhecidos e figuras públicas.
Ao invés de colocar-se o melhor de Esposende ao serviço de um município com o qual estamos geminados, vamos, antes, dispor o relvado do estádio Pe. Sá Pereira ao serviço de figuras públicas e menos públicas, e outros, para que possam dar uso às chuteiras e posar para a foto.
E assim (não) vai a geminação à moda de Esposende...
sábado, 27 de junho de 2015
João Cepa, sonhos de verão.
João Cepa volta a ter mais uma rastejante aproximação ao
poder autárquico, desta vez tendo como palco o jornal “Notícias de Esposende”.
Voltamos a ter um João Cepa a tomar o papel de senador do
concelho de Esposende, um papel de júri da actual Câmara Municipal, falando como
se o actual executivo municipal tivesse de demonstrar a João Cepa que merece lá
estar, falando de uma forma proprietária sobre os destinos da câmara e das
vertentes que ela toma.
Não vou aqui analisar o discurso da poupança e dos famosos 2
milhões de euros que ele deixou na Câmara e da forma espantada com que ele
abordou o facto de o actual executivo ter aumentado as poupanças através do
esforço dos cidadãos de Esposende. Pergunto-me quem é que João Cepa pensa que
proporcionou os 2 milhões do seu executivo.
João Cepa deixa a porta entreaberta para uma candidatura sua às próximas eleições, se houver a vaga de fundo popular a pedir a sua candidatura para retirar Benjamim Pereira da Câmara.
João Cepa deixa a porta entreaberta para uma candidatura sua às próximas eleições, se houver a vaga de fundo popular a pedir a sua candidatura para retirar Benjamim Pereira da Câmara.
Mas a culpa não é apenas de João Cepa, mas também de quem lhe
dá o palco e a oportunidade de se exprimir desta forma, ou seja, o “Notícias de
Esposende”.
Não vamos ser ingénuos, uma entrevista altamente agressiva
seria rejeitada por João Cepa à cabeça e o tom teria sempre de ser pacífico, mas
mesmo assim achei que esta entrevista é
demasiadamente feita à medida do
entrevistado e foca-se no passado que lhe interessa e tem como assunto
o alvo que ele pretende. Mas teria sido
interessante falar de outras coisas.
Teria sido interessante perguntar por que é que nunca cumpriu a sua
promessa de “não andar por ai” e desde 2013 que não se calou com as críticas.
Teria sido interessante perguntar a João Cepa como corre a sua atividade
profissional das suas empresas que criou desde que abandonou a câmara
municipal.
Teria sido interessante perguntar se ser um pré-candidato a
autarca não é incompatível com a sua posição de director/gestor no “Esposende
Acontece”.
Teria sido interessante perguntar o que atualmente acha do
corrente executivo camarário, já que o havia criticado no passado pela inércia,
e quantos deles ele manteria na sua função se fosse novamente presidente da
câmara.
Mas existe uma questão ainda mais interessante que todas as outras referidas que poderia ter sido perguntada.
O mais interessante que poderia ter sido perguntado a João Cepa é como é
que ele, segundo as palavras do próprio no seu blogue, sendo um político que
não aceita críticas de quem “nunca plantou uma árvore” se quer candidatar a
presidente da câmara, um lugar de escrutínio constante feito maioritariamente
por pessoas que nunca plantaram uma árvore. Como é que alguém que não aceita
críticas sequer coloca a hipótese de ocupar um lugar de eleição?
Até os
animais políticos necessitam de alguma coluna vertebral.
quarta-feira, 24 de junho de 2015
Norte/Sul de Esposende
Cumpriu-se a tradição!!!
Após alguns anos de interrupção, o grande embate entre a equipa Norte
e equipa Sul de Esposende voltou a acontecer; a “redondinha” rolou
vigorosamente no relvado do Padre Sá Pereira.
Voltou a rolar a redondinha e não só…
A alegria, que marca o duelo entre os “eternos” rivais, entre Norte e
o Sul, é a premissa de uma “batalha” que não serve para a afirmar o domínio das
duas metades desta terra, mas serve para o fortalecimento de uma grande amizade
e profundo companheirismo entre os participantes.
Ali se vê que a “rivalidade” é salutar, que apesar de ninguém querer
perder, tudo acontece num clima de grande confraternização e alegria.
Quem
nasceu no Norte, embora more no Sul alinha pela equipa do “berço”…
O mesmo fazem os do Sul e o resultado deste “derby” é talvez o menos importante,
pois, no final, o marcador registou um expressivo 4-4, algo a confirmar com o
árbitro da partida, o Sr. Álvaro Paquete, que «equilibrou» a partida com mestria.
Algumas falhas por foras de jogo não assinalados pelos seus ajudantes Adélinho
e Manel “Leão”, não deslustraram o bom trabalho executado, pela constante atenção
ao desenrolar dos acontecimentos.
Todos os intervenientes estiveram à altura dos seus pergaminhos, nomeadamente
no jantar que se seguiu…
Equipa do Norte
(Fotografia: Prof. Carlos)
Equipa do Sul
(Fotografia: Prof. Carlos)
Uma palavra de apreço para o Sr. Carlos (Carlinhos da Jandira) que tenta
manter viva esta tradição, contando este ano com ajuda da comissão de festas em
honra do São João.
Esperemos que para o ano se volte a realizar o “Norte/Sul”, e que se consiga
juntar ainda mais gente no Estádio.
São estas boas tradições que fazem de nós o que somos...
P.S. –
Apesar do empate, uma nota para a alegria contagiante que um jogador da equipa
do Sul fez alinhar. “Manelzinho
Brasileiro” fez das suas… e apesar das origens Brasileiras dançou o bailinho da
Madeira ao invés do samba… Ou terá sido mais um bailinho à moda de Esposende?
quinta-feira, 11 de junho de 2015
Corridas primaveris
Mais um ano, mais uma Corrida da Primavera.
É com grande prazer que participo pela 3.ª vez na corrida da
Primavera e devo dizer que esta última edição terá sido a mais equilibrada de
todas, com o número de participantes a estar perto do perfeito e com as
condições climatéricas a permitirem melhores performances (relembro dilúvio da
1.ª edição e o calor africano da 2.ª edição).
Cada vez mais a Corrida da Primavera se torna um evento no
calendário regional em termos de corridas mas ainda lhe falta algo mais ao
nível da promoção para se afirmar como um evento de primeiro plano no panorama
das corridas que se realizam nos distritos de Braga, Porto e Viana do Castelo.
Não se poderá comparar com a Maratona do Porto,
Meia-Maratona Sport-Zone, São Silvestres do Porto e com a corrida do São João
do Porto nem com a Meia-Maratona de Cortegaça e da Régua, eventos que contam
com forte presença de atletas da zona Norte e da zona Centro. Numa outra
dimensão temos também as Meias-Maratonas de Viana do Castelo e de Barcelos que
contam com forte presença dos atletas dos distritos de Braga e Porto.
Para dinamizarmos mais a Corrida da Primavera penso que
seria importante apostar num novo símbolo, mais apelativo e sensual para o
público alvo. Percebo que a atual mascote pode ter potencial como mascote, mas
necessitaria de um nome e de uma máquina de campanha que a tornasse conhecida e
que isso é um recurso que a organização não deve conseguir fazer.
Outro ponto que pode trazer mais pessoas e fidelizar mais
pessoas a esta prova seria aumentar os presentes à chegada. Eu sei que parece
simples e até algo ingénuo, mas durante anos a corrida de Famalicão era
conhecida e concorrida devido aos bolos-reis que distribuía e é sempre um gesto
bem visto por quem não é de Esposende.
Finalmente, penso que teríamos de fazer um acordo entre os hotéis , restaurantes,
cafés e até os museus locais para oferecer vales de desconto para quem
participasse nesta prova. Um pacote atrativo seria uma noite no hotel com
descontos para grupos num dos restaurantes locais o que atrairia grupos e
famílias principalmente da zona centro e Espanha.
O grande desafio será o de ressuscitar a Meia-Maratona “Cidade
de Esposende” que ocorreu entre 2000 e 2006 e que quando em 2007 passou para a
Inatel apenas estava acessível aos atletas federados e ditou o seu fim
compulsivo devido à fraca adesão.
Saúdo daqui o Teodósio pelo esforço que na altura colocou em
organizar este evento quando as corridas ainda não estavam na moda e pelos atletas
que conseguiu trazer a Esposende para uma prova que não contava com nenhuma
tradição.
Esta prova teria de ter outros contornos do que a sua edição original, que preconizava 2 voltas de 10km no mesmo trajeto, mas um trajeto mais alargado e mais agradável ao participante, podendo até, e isto era uma boa lança em África, ser estendida a Fão e fazendo-a passar pela ponte de Fão, penso que seria um grande postal de Esposende.
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