quarta-feira, 20 de julho de 2016

E ainda o "Verão"

O verão está a chegar e nada como analisar o sempre polémico programa de festas de Verão de Esposende.

Mas antes de falar do programa de festas, é mais importante falar do que é o concelho de Esposende hoje em termos de turismo.

Com a troika, as portagens e o crescente turismo nas cidades mais próximas, Esposende já não é um destino de verão natural e quase mandatário como outrora foi. Achar que o turismo de Esposende se aguenta sem motivos de atração é condenar Esposende ao turismo meteorológico, aquele que só vem tomar um café porque está sol em Vila Verde.

Quem se lembra do mar de placas a dizer "Vende-se" nas moradias das zonas de praia durante os primeiros anos da troika percebe que um sobressalto nos juros da dívida portuguesa é um pequeno tornado no número de turistas em Esposende.

Gostava que as forças vivas interessadas neste sector do nosso concelho estivessem cientes que mais de metade das dormidas em Esposende se concentram nos meses de Julho, Agosto e Setembro, sendo este período o barómetro para um bom ou mau ano para as nossas unidades hoteleiras.

Gostava que as forças vivas interessadas neste setor do nosso concelho também estivessem cientes que as populações que visitavam Esposende cada vez são menos fieis e cada vez têm maiores opções perto de casa, logo mais cómodas e baratas.

Olhando ao nosso redor vemos que os barcelenses, depois do Polis, já não detestam Barcelos como antigamente e até vimos nascer um dos mais reputados festivais de música na cidade, que cada vez mais dá a conhecer a cidade a quem vem de Lisboa e Porto.

Olhando  um pouco mais longe vemos que a vaga turística que aflui a Braga faz com  que hoje em dia a cidade já disponha de um programa de verão e não se torne um deserto em Agosto, o que se reflete na ocupação média dos hotéis a rondar os 85% durante o verão. O melhor sinal disto é dado pelas discotecas bracarenses que já abrem no mês de Agosto.

E se olharmos para o Porto, então o cenário ainda é mais aterrador, já que devido à afluência de turistas as atividades culturais e os estabelecimentos de lazer estão abertos o ano inteiro e já muitos não abandonam a cidade no verão, e poucos são aqueles que resistem a passar a Póvoa de Varzim quando viajam pela A28.

Pensar que as pessoas vão continuar a gastar quase 6€ de portagem e outros 6€ em gasolina, ou seja, 12€ para nos visitar apenas para respirar o ar do rio é um pensamento que me parece perigoso e um caminho condenado ao fracasso.
  
Falando do conteúdo do programa, é mais do mesmo dos últimos anos, mas isso não significa que seja mau ou que seja algo desvalorizante.

Apoia-se em provas desportivas, alguns concertos, feiras de artesanato e tem como principais pilares a Feira Romana, o Festival da Juventude e a GalaicoFolia.

Até aqui nada de novo e é um pouco daquilo que é necessário para ter um programa de animação composto e com qualquer coisa a acontecer durante quase todos os dias.

Mas também existem pontos que poderiam ser melhorados.

Deveria ser dada maior visibilidade às restantes festas populares das freguesias, e aqui penso claramente em São Bartolomeu do Mar, onde deveríamos aproveitar o património cultural já existente e ainda potenciá-lo mais, já que também essas festas fazem parte do concelho e da animação do concelho.

Deveria ter uma chamada de atenção ou uma rubrica para aquilo que se segue ao verão, para as atividades que existem para lá de Setembro, já que esta é sempre uma boa oportunidade para as lançar ou para as relembrar a quem porventura não nos visita mais.

De um ponto de vista de programa de festas futuro, penso que o modelo da Feira Romana deva ser alterado e se deva abrir mais ao rio e ao mar e ser criado algo mais condizente com a tradição piscatória da cidade e puxar as festas religiosas da cidade para dentro da cidade, já que Feira Romana e GalaicoFolia ocupam um mesmo espaço e é uma dispersão de recursos.

Mas disso falarei mais tarde.  

sexta-feira, 15 de julho de 2016

CPCE... encanto pelo canto!


Já há um bom par de anos que não conseguia assistir a actuações do Coro de Pequenos Cantores de Esposende. Ontem consegui.

Como ponto prévio posso já adiantar que não tenho filhos, primos ou vizinhos (pelo menos que me tenha aparcebido) envolvidos em tal projecto, pelo que a minha opinião está apenas "viciada" pelo gosto que tenho por ver coisas bem feitas!

Voltando ao título! Fiquei maravilhado!
O momento juntou o CPCE e uma banda de acompanhamento "New Friens Old Songs" e foi simplesmentes fabuloso.

Quando cheguei ontem à Praça do Município estava o concerto a começar. Como estava cheia tive inicialmente que contentar-me com um canto ao fundo e por momentos pensei que o acompanhamento fosse "playback". Surpresa minha quando consigo ver a banda a acompanhar numa sintonia perfeita.

Dei por mim a sentir saudades das já longínquas aulas de canto coral e polifonia... o que não é fácil (tinham tanto de bom quando a coisa começava a afinar como de fastidioso enquanto a coisa andava desafinada)! Mas ajuda a perceber melhor o empenho que ali está investido! 

No geral creio que toda a gente consegue perceber que aquele nível não se alcança sem muito esforço, mas quem já participou em projectos de canto a vozes... compreenderá bem melhor o tempo e empenho que é preciso investir para alcançar aquele nível de excelência.

Estão de parabéns!
(Não que os meus parabéns lhes façam falta alguma, nem que a minha formação musical, apesar de longa (e preguiçosa) me legitime a ser melhor ou pior crítico que todos os outros que me rodearam naquele momento.)

Creio que com alguma modéstia se pode dizer que são muito bons! Ups!! Se calhar isto não é lá grande "modéstia", mas em boa verdade o apelo à modéstia é frequentemente a arma dos medíocres para diminuirem o mérito de quem investe em ser melhor.

Que continuem a ir mais além por muitos anos pois não são muitos os projectos com tal nível.
E que os vejamos sempre na Praça do Município para brilharem com talento e nunca mais para se manifestarem como já assistimos num passado recente.

Força!

terça-feira, 12 de julho de 2016

O verdadeiro "Euro de França" para Esposende

A Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa tem assinado acordos cooperação que visam promover o investimento produtivo local em Portugal, tendo já assinado com 15 munícipios: Caminha, Penafiel, Vila Pouca de Aguiar, Idanha-a-Nova, Viana do Castelo, Viseu, Batalha, Faro, Chaves, Valpaços, Cascais, Fundão, Região Autónoma da Madeira, Vila de Rei, Ferreira do Zêzere e Pombal;

Como por diversas vezes aqui notámos, a existência de uma relevante comunidade esposendense em França pode e deve constituir factor de criação de oportunidades de investimento e de parceria.
Esposende não prima, propriamente, por ser um destino de negócios, mas nem só de turismo vive a economia de um concelho. 
Seja por falta de vontade, seja por falta de capacidade, a verdade é que o Município de Esposende nunca apostou verdadeiramente no aproveitamento da rede de contactos gerada pela sua vasta comunidade espalhada em França, para, a partir daí, tentar dinamizar a economia local.
O amor e forte ligação a Esposende que os emigrantes espelham bem nas semanas do ano em que estão de volta ao nosso convívio, merecia uma acção a partir daí por parte do executivo camarário.
Tomara que esta iniciativa da Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa, à qual já se associaram os nossos vizinhos de Viana do Castelo, possa encontrar acolhimento nos Paços do Concelho.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Obrigadinho à rapaziada de Vila Chã!

Foto: Rui André Santos Oliveira

Finalmente a final perdida do Euro-2004 pode ficar para trás das costas!!!
Esse domingo do ido ano de 2004 foi uma jornada que começou mal e acabou pior. 
Tal como ontem, também há 12 anos o largo dos bombeiros era o santuário esposendense para ver a grande final. 
Sucede, porém, que a má combinação da disposição do ecrã e do pôr-do-sol tornaram impossível ver em condições boa parte do primeiro tempo. De modo que optámos, então, por ir para o Rio Doce ver o jogo. E foi lá que vimos Portugal perder a clamorosa oportunidade de se estrear nas conquistas das grandes provas internacionais.
Ontem, só eu sei porque fiquei em casa a ver o jogo. 
Mas, mal a taça foi levantada pelo capitão Ronaldo, toca a ir de imediato para outro santuário esposendense, o da festa, e associar a  voz à de centenas de esposendenses que davam largas ao seu contentamento. Somos campeões da Europa!!! 
Como canta o Chico Buarque, foi bonita a festa, pá
Das comemorações, guardo o êxtase duma carrinha de caixa aberta de rapaziada de Vila Chã que dava constantes volta à rotunda das piscinas, com tambores, cornetas, cânticos por Portugal, entoações do hino, eu sei lá que mais! Uma carrinha onde devem caber 10 pessoas e parecia que estavam lá umas 100! Indescritível!
Agradeço, pois, à rapaziada de Vila Chã por ter personificado tão bem a alegria imensa que foi sair à rua e festejar a conquista do Euro por Portugal! 
Por muitos anos que viva, o golo do Éder e a carrinha a dar a volta à rotunda, tremendo por todo o lado, e o povo todo em júbilo, nunca me sairão da galeria das gratas recordações! 
Viva Esposende! Viva Portugal!

terça-feira, 5 de julho de 2016

Indecisão 2017 (1)

Manuel Monteiro, um dos políticos que marcaram a cena política portuguesa do final do século passado, foi apontado, nos últimos tempos, como potencial candidato às próximas eleições autárquicas em Esposende, nomeadamente, à Assembleia Municipal.
Na sessão de apresentação do livro de João Pedro Lopes, seu antigo compagnon de route, o ex-líder do CDS aproveitou a ocasião para anunciar que está fora dessa corrida.
Ficou, assim, desfeito o sonho de muitos centristas esposendenses em verem concorrer às autárquicas do próximo ano, pelo CDS Esposende, o ticket Areia de Carvalho/Manuel Monteiro.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Salários em Esposende

Volto à matriz da minha presença neste blogue: contribuir para o debate da qualidade de vida dos Esposendenses.
Muitas opiniões e opinadores existem sobre a vida do concelho, sobre o dinheiro que se gasta e o dinheiro que não se gasta, onde se gasta e o que se pretende retirar desse gasto.
Muitas opiniões e opinadores gostam de mostrar que existem os informados e os não-informados e muitos deles afloram a ideia de que muitos não têm direito à opinião ou a divulgar a sua opinião porque não são informados, não sabem, não conhecem, não estudaram.
Em resumo: não pertencem a uma certa elite cultural que essas opiniões e opinadores acham pertencer.
Como todos pagamos impostos e todos temos o cartão de votante, a opinião de cada um importa porque é com o dinheiro desses impostos que se pagam obras, se arranjam jardins, se promulgam contratos, se compram viaturas, se financiam instituições de cariz social e clubes desportivos, se compram jornais e se enchem restaurantes.
  
Claro que não sou ingénuo, existem pessoas que pela sua experiência têm opiniões mais prováveis de serem as acertadas do que outras mas isso são os outros que o ressaltam.
Um dos indicadores da qualidade de vida esposendense que raramente vejo discutido nas campanhas políticas locais é o rendimento médio dos trabalhadores deste concelho.
Sempre fomos bombardeados com a excelência da qualidade de vida de Esposende, o que do ponto de vista ambiental é verdade, mas que no rendimento dos trabalhadores por conta de outrem não se reflete.
Olhando para os dados do Pordata que vão até 2013, a comparação do salário médio em Esposende com o de Portugal e com a NUT Cávado (engloba Braga, Barcelos, Amares, Terras do Bouro entre outros) não nos é muito favorável:
Se os 60€ de diferença para a nossa região não é alarmante, os 217€ de diferença para a média nacional já nos deveria fazer pensar e deveria fazer pensar quem comanda a nível económico este concelho.
Usando uma expressão do final dos anos 80 portugueses, a "convergência" dos salários desde 2002 tem sido quase nula, acompanhando a tendência da média nacional.

Quantas vezes ouvimos alguém a abordar este tema? Quantas vezes ouvimos falar destes valores? Quantos planos de ação houve para alterarmos o panorama? Nada ou quase nada.
Mas algo que também deveria fazer pensar as forças vidas são os números do total de trabalhadores por conta de outrem registados no concelho:
É verdade, perdemos quase 3000 postos de trabalho em 4 anos, quase 10% da nossa população total do concelho.

É complicado querer dar vida à cidade sem gente e sem massa humana para povoar a cidade e fazer a economia local andar de uma forma minimamente saudável e sustentável.
Claro que estes números poderão ser rebatidos e têm diversas explicações válidas desde a crise que se vive até à própria forma de contabilizar estas grandezas. Não esperava que Esposende tivesse um disparo no salário médio com a crise a partir 2008 e ficaria surpreendido se tivéssemos tido um grande aumento nos postos de trabalho.
Mas estes são os números que as forças vivas e políticas deveriam discutir e refletir em vez de se perder tempo com o número de idosos na Quinta da Malafaia. 

sexta-feira, 1 de julho de 2016

"A barca"

O "programa das festas" da terra para o próximo verão foi ontem apresentado no "green" da Quinta da Barca.

A QdB dispensa apresentações.

Um dos apontamentos a retirar do local escolhido é o facto de permitir olhar de frente para o areal da "barca do lago" do lado de Fonte Boa.

O que tem sido feito por aquele espaço? 
Semear uma relva? E pouco mais.

Se aquele espaço tem de há uns anos a esta parte algum brio maior tal deve-se em grande parte à iniciativa privada lá instalada.

Creio que um espaço daqueles merecia mais, muito mais.
Basta percorrer as margens do nosso Cávado para ver o que outros concelhos fizeram nas suas margens.

Prado e Amares são dois exemplos assinaláveis do quão bonitas se podem tornar as margens de um rio.
E "nós por cá", que tanto nos queixamos das nortadas de Agosto, bem que podíamos estimar melhor o "plano B".

O rio Neiva já vem sendo digno dessa atenção, o que se aplaude, mas o Cávado... o Cávado parece continuar esquecido.


Foto (facebook do Município).