terça-feira, 11 de agosto de 2015

Notas soltas

1. Em Maio, por ocasião do alargamento da ciclovia, chamei a atenção para a necessidade de, na zona junto ao Pé no Rio, delimitarem-se bem os espaços que competem a ciclistas e peões, respectivamente, uma vez que era utilizada por ambos indistintamente, sendo foco de potenciais acidentes.
Sempre em cima do acontecimento, o vereador Prof. Rui Pereira informou logo, numa nota simpática enviada, que tal delimitação estava já perspectivada na intervenção em curso na ciclovia. O que veio, de facto, a suceder.
A ciclovia, após a renovação levada a cabo, está ainda mais apelativa e segura. Registem-se, pois, a sua significativa melhoria, bem como a atenção do Município sobre o tema. 

2. Ainda no mês de Maio, em artigo escrito para o Jornal Notícias de Esposende, precisamente intitulado "Notas soltas", sugeri, numa nota, a atribuição a Joaquim de Carvalho, no dia do Município, da mais alta condecoração do Município, a Medalha de Honra.
Na semana passada, o Município divulgou o nome das personalidades que irão ser distinguidas no dia do Município.
A mais alta condecoração municipal, a Medalha de Honra, será atribuída a...Joaquim de Carvalho. 
Uma escolha em cheio, justa e acertada. 
Estranhou-se a ausência, na lista das distinções, do jornal "Farol de Esposende", que este ano assinala 25 anos. Basta ver que no ano passado a Esposende Rádio, que registava 25 anos, foi condecorada.
Tal "esquecimento" (eventualmente, na aparência, pois o Fórum Esposendense, a que pertence o jornal, foi condecorado no ano passado) não deixa de ser um pouco revelador da perda de expressão do jornal nos últimos anos. 

3. A lista de candidatos a deputados da coligação "Portugal à Frente" para o distrito de Braga não contempla nenhum candidato oriundo do concelho. Zero, como diria o outro. Desta vez, nem sequer temos um conterrâneo a concorrer por outro círculo eleitoral, como sucedeu há 4 anos com o forjanense Couto dos Santos, que concorreu por Aveiro.
Se do lado do CDS Esposende não surpreende que não haja qualquer nome  aproveitado a favor da coligação, do lado do PSD Esposende, dadas as sucessivas vitórias no concelho, assim como o histórico do partido local no distrito, esperava-se outro reconhecimento.
Claro que o peso numérico de Esposende face a outros concelhos do distrito (Guimarães, por exemplo), torna especialmente difícil a colocação de um nome local em boa posição. Nesse sentido, mais do que o preencher a quota por preencher, importa que o candidato proposto pelo PSD Esposende seja, de facto, uma figura local relevante, capaz de projectar-se para além do próprio concelho.
Na ausência de João Cepa (que, não fosse o desentendimento com o partido, seria o candidato ideal a indicar pelo PSD Esposende), o único nome que, eventualmente, poderia ser cogitado seria o do próprio presidente do partido local e da câmara, Benjamim Pereira. No entanto, tal hipótese, na prática, não teria qualquer viabilidade.
Perde assim, o PSD Esposende, mais uma oportunidade para ter algum relevo político no distrito.

4. Este ano Esposende apostou ainda mais forte na sua programação de Verão.
O mês de Agosto ainda não terminou, mas a avaliar pelo feedback dos forasteiros, as iniciativas têm sido uma aposta ganha.
Rui Pereira a marcar (ainda mais) pontos.

sábado, 1 de agosto de 2015

São Bartolomeu, mas da Ponte da Barca...

E quando passava pela A28 fiquei espantado.

O cartaz que anunciava as festas de São Bartolomeu da Ponte da Barca fez-me lembrar as Festas de São Bartolomeu do Mar e o que elas poderiam ser.
Não sou bairrista, mas admito que ao ver aquele cartaz perguntei-me a mim mesmo se não poderia ser um cartaz de Esposende ali a figurar. O que nos faltava para podermos anunciar as nossas festas? Pouco ou quase nada.
Já escrevi neste blogue que São Bartolomeu do Mar pode ser um dos grandes cartões de visita esposendenses, quer na parte religiosa, quer na parte profana, se assim podemos dizer.
Ainda hoje fico surpreendido pela quantidade de pessoas que me contam que nos anos 80 e 90 vinham acampar para Mar para ver as festas, o banho santo, a romaria, os rapazes e as raparigas, e algum desse hábito se foi perdendo.

Sou um profundo desconhecedor da tradição de São Bartolomeu na Ponte da Barca, mas pelo que conheço da Ponte da Barca, esta nem é a sua principal festividade e mesmo assim os seus cartazes estão à saída do Porto.

Sei que o dinheiro não dá para tudo, nem dá para todos, mas chega a uma altura em que o turismo de Esposende terá que começar a fazer escolhas de cariz programático, dos eventos que apoia e que quer fazer deles seu cartaz.

Também sei que haverá um coro de críticas por parte de algumas juntas de freguesia que se sentirão lesadas, mas uma boa divisão dos lucros provenientes das outras atividades resolverá alguns problemas em termos de alinhamento. Esse será um jogo político que a Câmara e as juntas de freguesia terão de jogar, e no fim o negócio terá de ser bom para todos, como todos os bons negócios o são.

Temos de ser sinceros e o turismo de Esposende também o tem de ser, já o deve ser, ao admitir que Esposende enquanto concelho não tem capacidade financeira para ter um programa de festividades locais e um programa de festividades camarárias, e que a um dado momento estas duas realidades terão de ser mescladas para garantir a continuidade  dealgumas.

Alguém acredita que não haja mais festas no concelho de Viana do Castelo do que a Nossa Senhora da Agonia? Claro que existem, mas escolhas tiveram de ser feitas.

GalaicoFolia 2015

Mais um ano, mais uma GalaicoFolia!

É crescente em mim o sentimento de que este poderá ser um dos maiores trunfos de Esposende em termos de festivais, festas, romarias.
O cenário natural é um dos melhores, a temática é ajustada e o ambiente em si proporciona algum tempo de qualidade.

Sei que alguns falam da sua expansão, quer em termos de espaço, quer em termos de conteúdo programático, mas com a atual estrutura pouco mais poder-se-ia fazer. 
Um aumento de visitantes obrigaria a um maior número de parques, tendo estes que já estar colocados em plena Vila-Chã ou em Góios, ou a um aumento da frequência de autocarros.

Como oportunidade de melhoria da organização sugeria que o autocarro de deslocação fosse mais publicitado e os parques de estacionamento em Esposende fossem melhor sinalizados e, principalmente, a alteração da zona de restauração.
Eu percebo que o objetivo seja o de promover o contacto com a natureza, mas estarmos confiantes que estará sempre um tempo favorável para almoçar ou jantar a céu aberto é demasiado otimista para um clima como o de Esposende. Ter de jantar sobre os pingos da chuva não é algo que seja do agrado de todos.

Parabéns à organização e espero para o ano lá estar.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Esposende impulsiona desenvolvimento económico!!!

Hoje pela matina, em mais uma das minhas leituras zapping ao que não se faz por cá, deparo-me com isto Município de Esposende impulsiona desenvolvimento económico no concelho

Primeira reacção: WOW! 
Segunda reacção: QUÊ???

Tenho andado desinspirado para a escrita! De repente deparo-me com algo que aparenta poder ser interessante e, no fim de contas, o que retiro da pomposa notícias é que Esposende, apesar da sua pequena dimensão, é incapaz de ter uma resposta interna às suas próprias assimetrias.

Não vem mal nenhum em pedir ajuda! Em abrir portas à obtenção de receita em prol do desenvolvimento local seja por que via for. Mas o que de mais relevante retiro é a constatação do que vem sendo óbvio ha tempo demais por estes lados: só se "faz bonito" na marginal de Esposende, e o resto do concelho vem-se contentando com um rumo de infraestruturas. 

Queres viver ali na tua freguesia ao lado do centro da cidade? Força! Já tens água da rede pública lá e também já lá chegou o saneamento! É portanto uma freguesia desenvolvida!

E equipamentos de lazer? Um simples jardim? Um lugar ao sol?
Isso tens na marginal. Ou então vais à praia que é bom e natural!

Reconheço a importância das infraestruturas de água e saneamento, mas o desenvolvimento das freguesias não pode resumir-se a isso, nem pode ser dado como concluído o desenvolvimento de uma localidade logo que esta concluída a instalação de tais redes. A ser assim, dispensem-se os projectos políticos em tempo de eleições e eleja-se o empreiteiro que vai ganhar o concurso para tais infraestruturas.

Falta sem dúvida alguma um rumo para a qualidade de vida e conforto nas nossas freguesias. Falta um projecto de igualdade. 

Falta sem dúvida alguma um rumo que não faça do concelho apenas aquela porção de terra que fica na margem da marginal.

Digo eu!

sábado, 18 de julho de 2015

Prof.º Ribeiro, 9 anos depois_ parte 2

Fica a imagem do que me ficou na cabeça.

 

Prof.º Ribeiro, 9 anos depois

1000 anos que viva nunca me esquecerei do que vi e vivi naquela tarde.
 
Estavamos num solarengo e quente dia de Julho de 2006 e a notícia da sua morte chegou.Lembro-me de que as movimentações para se fazer o funeral que ele havia pedido começaram de imediato.
Como havia sido pedido pelo próprio, seria cremado e lançado ao mar, então o ponto de concentração para iniciar as cerimónias no edifício dos Socorros a Náufragos e quando lá cheguei era um mar de caras-conhecidas, uma verdadeira conferência das nações com pessoas que tinha vindo expressamente do Algarve, Madeira, Açores, Espanha, França, Angola, Moçambique. Alguns esgotaram meses de poupanças num billhete de avião para lá estarem, mas era o Prof.º Ribeiro. 

Quando chegou a carrinha com as suas cinzas houve alguma comoção natural do momento, com lágrimas a rodos, mas é nesse que irrompe o “Cheira bem, Cheira a Lisboa” pela Banda do Galo de Barcelos (um outro pedido do Prof.º Ribeiro) pelo lado das Piscinas Municipais e com uma ingenuidade infantil uma das mais respeitadas e temidas professoras da Henrique Medina diz em alto e bom som: “Alegria, ele queria alegria, nada de choros” e todos irrompem a cantar o “Cheira bem, cheira a Lisboa”. 

 O mote estava dado.

 Chegados à praia de Ofir, a Banda do Galo de Barcelos tocava o "Cheira bem,cheira a Lisboa" virada para o mar, com um mar de gente vestida de preta com coroas de flores fúnebres  e um mar de gente ainda maior em trajes de praia a olhar para aquilo com um ar de espanto e de curiosidade.

 É uma cena que não mais me esquecerei, o maestro da Banda do Galo de Barcelos com os pés na água a comandar a Banda.

  No fim, o Prof.º Ribeiro esteve sempre connosco.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Não foi suficiente

Na mesma semana em que anunciou as contratações dos trintões Iker Casillas e Maxi Pereira, o FC Porto viu despedirem-se dos seus quadros, a título definitivo, os jovens centro-campistas Frédéric Maciel e Tozé, ambos oriundos do concelho de Esposende, e sobre quem vaticina-se um futuro auspicioso dentro das 4 linhas.
Para além do grande relevo que ambos tiveram na equipa B do FC Porto, e do número assinalável de golos marcados na 2ª Liga, as prestações de Frédéric e Tozé, ou o futuro auspicioso apontado pela imprensa especializada a cada um deles, não foram suficientes para que o clube azul e branco integrasse estes atletas no seu projecto desportivo de médio prazo.
No caso de Tozé, o empréstimo de 1 ano ao Estoril na 1ª Liga, de pouco serviu para que merecesse a confiança do treinador Lopetegui para fazer, pelo menos, a pré-época. No caso de Frédéric, salta directamente da 2ª Liga para o futebol estrangeiro.
Para os esposendenses que gostam de acompanhar o desporto-rei e, de modo especial, os seus conterrâneos, o anúncio oficial das saídas de Tozé e Frédéric não deixa de causa uma certa desilusão e desconforto. Afinal de contas, tratam-se de dois dos mais relevantes jogadores da formação do FC Porto dos últimos anos.
Pessoalmente, temi sempre por este desfecho. O FC Porto está longe de ser um clube que aposta nos jovens jogadores da sua formação. Muitos escrevem que no FC Porto os resultados têm de ser para hoje e não para amanhã, o que exige no imediato jogadores já feitos e não projectos de jogadores. 
Acresce, a isso, o facto de nas últimas edições da Liga o FC Porto iniciar a partida com o máximo de 2, 3 jogadores portugueses no seu 11. O último ano foi paradigmático pois houve um jogo em que o FC Porto entrou em campo sem qualquer português no 11.
Frédéric e Tozé são mais duas vítimas, a engrossar o rol, de jovens jogadores que fizeram tudo direito no seu percurso de formação desportiva no FC Porto e que saíram sem terem tido uma oportunidade de jeito para mostrarem o seu valor na equipa principal. Atrevo-me a dizer que no caso destes jovens conterrâneos, a sua maldição é a de não terem um nome acabado em "ez" ou "ic".  
Largos são os anos que Frédéric e Tozé têm pela frente no futebol. Como já aconteceu num passado recente, podem muito bem vir a ser os próximos casos de jovens jogadores formados no FC Porto, que saíram pela falta de oportunidades na equipa principal, singraram noutro clube e, mais tarde, viriam a ser contratados pelo FC Porto. 
Para memória futura de muitos paizinhos esposendenses, ficam estes exemplos mais chegados à nossa comunidade, para servirem de aviso de como, às vezes, mais vale deixar e continuar a apoiar a permanência do filho num clube com menos nome mas que trata bem os seus jovens, do que incentivar a mudança para um clube de maior nomeada, mas sem fama e proveito de apostar nos seus jovens.