segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Esta (polémica) não compro

O Município de Esposende, pelos vistos, desperdiçou boa oportunidade para captar investimento para o concelho. 
A estória é revelada pelo vereador João Cepa: resumidamente, no dia 5 de Dezembro enviou e-mail ao Presidente da Câmara dando conta desta possibilidade, a qual teria de ser respondida até dia 7 do mesmo mês. Perante a ausência de resposta, o potencial investidor virou-se para outras paragens, acabando por optar fixar-se em concelho da região centro. 
"Até à presente data [10 de Fevereiro de 2018] não obtive qualquer resposta, pedido de esclarecimento ou de informação complementar.", lamenta João Cepa. Custa ver o Município deixar fugir tão boa oportunidade para o concelho, no que isso significaria de criação de emprego e contributo para as receitas municipais. Mas, pergunto-me, terão sido empregues todos os esforços para trazer o assunto para a agenda?
Recordando a factualidade: foi enviado um e-mail no dia 5, dando como deadline o dia 7. 
Pois bem, no dia do prazo final - 7 de Dezembro - teve lugar mais uma reunião do executivo camarário. Compulsada a acta da reunião, em particular o período de antes da ordem do dia, verificamos várias intervenções do vereador João Cepa, mas nenhuma delas dedicada a este potencial investimento no concelho. Em momento algum do período de antes da ordem do dia, existe qualquer alusão ao email do dia 5 e à urgência da sua resposta. 
Ora, tratando-se de uma oportunidade de capital importância para o concelho, seria lógico e natural que João Cepa aproveitasse a reunião para confrontar o Presidente da Câmara com o assunto, chamando a atenção para o mesmo e a sua relevância. 
Mais, sendo as reuniões do executivo registadas para acta, ficaria assim consagrada, para memória futura, a evidência de uma oportunidade que, por inércia ou desinteresse, o Executivo não agarrara. 
Mas nada disto tudo sucedeu. João Cepa nada disse na reunião, depositando todas as esperanças na resposta a um e-mail, mesmo correndo o risco de esse e-mail se poder perder nas dezenas de e-mails que um presidente de câmara recebe por dia. 
João Cepa surpreende-se com o aparente desinteresse municipal neste caso de potencial investimento externo no concelho, mas não menos surpreendente é o desinteresse do vereador esposendense em aproveitar a reunião de dia 7, termo do prazo para apresentação de proposta, para colocar o assunto na agenda, sabendo da sua relevância e da urgência do prazo. Se este tema era realmente prioritário, impunha-se, pois, a utilização de todas as vias disponíveis (e-mail, reunião de câmara, e-mail de lembrete, etc.) para dar andamento ao mesmo. Pelo menos, assim, João Cepa poderia dizer "tudo fiz para que Esposende conseguisse entrar na discussão por este investimento". No entanto, não foi o que aconteceu.
Esta polémica não tem, portanto, razão de ser.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

E ainda, e sempre, a barra...

Admito desde já que não percebo nada de orlas costeiras e de zonas (ou áreas) protegidas, mas por isso penso que o meu ponto de vista de um simples cidadão possa esclarecer os mais esclarecidos.

A barra de Esposende foi, é e provavelmente será sempre um problema.

Não é de hoje, não será de amanhã e não é de há 15 anos que a barra ciclicamente é um problema para as autoridades, pescadores e habitantes de Esposende.

Ciclicamente temos sempre uma solução, temos sempre um projeto definitivo, temos um "Ponto zero" que vai resolver tudo e descobrimos que afinal é preciso nova solução, projeto ou "ponto zero" o que me diz, como cidadão, que o que não têm solução, solucionado está.

Já tentamos a solução dos sacos de areia que falhou redondamente, poucos terão a coragem de refutar este facto,  e também já tentamos a solução das dragas, e ao que parece é aquela a que vamos voltar regressando a uma solução que foi aplicada à cerca de 10 anos atrás e que não resolveu em definitivo a solução.

Sempre me disseram que o "mar vêm buscar o que é dele" e que as forças da Natureza raramente podem ser contrariadas, ou seja, porque não perceber que a nossa barra, decorrente em grande parte do rearranjo do que foi feito na Foz do Lima e na Foz do Neiva, terá que ter uma nova configuração e um novo rearranjo? Será melhor estarmos a dragar e a inventar, com o dinheiro dos contribuintes, e a colocar pensos numa ferida que está sempre a gangrenar? Eu penso que não.

Mas eu percebo pouco disto... 

  

domingo, 28 de janeiro de 2018

PS-Esposende, um regresso ao futuro?

Tito Evangelista foi nomeado como presidente da Concelhia do PS-Esposende e isso leva a algumas reflexões.

A primeira reflexão que temos de fazer é que a continuidade de Laurentino Regado depois do resultado das eleições autárquicas o percurso seria algo penoso quer para a concelhia quer para o próprio Laurentino Regado, dor ainda mais ampliada depois da s para a JPNT.

A segunda reflexão que temos de fazer é sobre a ausência de caras novas na política esposendense. Se nas últimas autárquicas João Cepa teve mais tempo a refutar a debater o que foram os seus 3 mandatos do que a apresentar novas ideias para o concelho, Tito Evangelista terá ainda maior tarefa neste campo já que algo me diz que os seus anos de PSD e mandato como vereador pelo PS serão chamados ao debate público e à esgrima dos argumentos e numa época em que parte do debate é feito nas virulentas redes sociais, o que foi dito e feito no passado é rapidamente arremessado contra quem o fez ou disse. 
Esta situação exigiria uma cara nova, um novo rosto e um político sem grande cadastro para que o PS-Esposende retomasse o seu lugar histórico neste concelho: o principal opositor ao PSD. Penso que esta ausência de renovação deve-nos fazer pensar a todos, e principalmente às concelhias e às juventudes partidárias, se estamos a formar pessoas capazes de assegurar com competência e sentido de responsabilidade o futuro político deste concelho e não apenas pessoas para estarem nos lugares não-elegíveis e fazerem número nas arruadas.

A terceira reflexão que temos de fazer é que este é o corolário do que se assistiu nos debates das eleições autárquicas onde Tito Evangelista mostrou-se sempre uma pessoa mais à vontade no debate de ideias e na acareação com as outras forças políticas e terá de explorar esta sua veia para ir apagando a imagem de presença truculenta do PS-Esposende que Laurentino Regado foi deixando nos seus anos de mandato.

Finalizando, se por um lado Tito Evangelista é a melhor opção para o PS-Esposende neste momento o mesmo PS-Esposende deve perceber o que quer para o período pós-Tito Evagelista e evitar uma contínua reciclagem de antigas figuras.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

A História é sexy

A muito concorrida sessão de apresentação da mais recente obra de José Felgueiras, “Naufrágios na Costa de Esposende”, à qual não faltou a quase totalidade do executivo camarário, é bem reveladora do interesse e gosto que a comunidade esposendense tem pela sua história.
Nem só de concertos vive a cultura e Esposende, felizmente, tem a sorte de ter pessoas dedicadas que emprestam o seu tempo à comunidade, investigando, pesquisando e tratando para livro alguns dos acontecimentos mais importantes da existência do concelho.
Manuel Albino Penteado Neiva e José Felgueiras são dois historiadores que têm brindado o concelho com importantes obras evocativas da história local. Penteado Neiva coligiu um inestimável documento histórico sobre a participação esposendense na Primeira Guerra Mundial. José Felgueiras dispensa apresentações no que toca ao tratado histórico sobre o Mar e Esposende a que se vem dedicando.
Estes importantes contributos ao concelho não se podem ficar apenas pelas cerimónias de lançamento dos respectivos livros. Conferências pelas freguesias, apresentações nas escolas, são algumas das iniciativas que podem e devem ter lugar, sempre que surge uma nova obra histórica sobre a terra.
No ano passado, o Centro Cultural de Belém levou a cabo uma série de tertúlias sobre a história de Portugal e a Europa, sempre com um olhar na actualidade. Estas sessões, que eram feitas por alguns dos mais destacados historiadores nacionais, tiveram enorme sucesso, estando sempre cheias. Julgo que isto demonstra bem como, afinal, as pessoas têm interesse pela História.
Gostaria, pois, que, à sua escala, Esposende também viesse a replicar este tipo de iniciativa. Os pressupostos estão reunidos: as pessoas aderem em grande número às apresentações de obras sobre história; temos muito bom material histórico para ser dissecado; e temos historiadores com um grande capital de conhecimento para ser partilhado. Não podemos, nem devemos conformar com o mero lançamento dos livros. 

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Um cinema que se afundou como o Titanic

Quando se assinalam 20 anos da estreia do Titanic nos cinemas portugueses, as redes sociais entraram, por estes dias, em modo nostalgia, com evocações do filme e das sessões vistas.
Embora 20 anos não sejam 20 dias, tenho bem presente na memória as imagens das filas enormes que se formaram a partir da bilheteira, gente que ia várias horas antes da sessão começar para tentar conseguir adquirir o seu bilhete mágico. O sucesso foi tal que, extraordinariamente, foram realizadas várias sessões da película. Sempre com lotação esgotada.
Na altura do Titanic andava no 9º ano. Lembro-me que o entusiasmo com o filme foi de tal ordem que numa aula de História, a matéria acabou por ser trocada pela discussão sobre o filme. Foi um debate muito vivo e apaixonante. A certa altura alguém sugeriu agendar um visionamento no cinema exclusivamente dedicado às turmas do 9.º ano, com o aliciante de o filme ser comentado, do ponto de vista histórico, pelos professores da disciplina. Infelizmente, essa boa intenção nunca veio a ganhar acção.
O Titanic foi, seguramente, o filme de maior sucesso comercial no cinema de Esposende. Mas outros filmes podem reclamar o seu lugar na galeria das sessões épicas que passaram no nosso cinema. Jurassic Park, Apollo 13 ou Braveheart, só para citar alguns exemplos.
Actualmente, não temos cinema no nosso concelho. A proximidade com Braga ou Porto, que apresentam uma oferta muito superior e sempre actual, a par com o decréscimo no número de espectadores a irem ao cinema, foram factores que contribuíram para que o cinema em Esposende se afundasse, como sucedeu com o Titanic. É uma lacuna que, porém, se lamenta. 
O cinema não é apenas comércio, mas também cultura. Quantos filmes históricos, realizadores históricos, actores clássicos, não mereciam um ciclo de cinema dedicado a si? Por exemplo, um ciclo sobre "O filme da vida de...", convidando personalidades do concelho para elegerem um filme marcante e comentarem-no. Julgo que há espaço para este tipo de iniciativa e tenho pena que nunca tenha sido tentada.
Como aqui já recordei neste espaço, há alguns anos, nas festas de Verão, o Município levou a cabo uma semana inteira dedicada ao cinema (de tarde, filmes para as crianças, à noite, filmes para os mais velhos). As sessões encheram sempre. Devo a essa semana ter visto, pela primeira vez, o Jumanji e Laços de Ternura, filmes que me marcaram. Novo lamento: essa iniciativa nunca mais foi repetida.

PSD-Esposende, Rio acima e Rio abaixo.

 E tivemos as diretas no PSD.

 Bons velhos tempos em que o PSD nos proporcionava aqueles fins-de-semana de "Congresso do PSD" muito pesados, com "barões", intriga e grandes enxovalhos a Durão Barroso e Pacheco Pereira, agora temos as calmas diretas e uns debates a roçar a peixeirada.

 Não sou, nem nunca fui, simpatizante ou votante do PSD e não sou, nem nunca fui, adepto de qualquer um dos candidatos à liderança por isso considero-me na posição de Ícaro: vejo tudo de uma posição distante.

 Santana Lopes não me convence porque quando lhe foi dada a hipótese de governar foi um pequeno desastre (a governação de Durão Barroso foi o seu principal fardo ou não teria ele fugido para Bruxelas) utiliza a calúnia e as questões pessoais com uma facilidade atroz e têm o vício de andar sempre por ai, mas em comparação com Rui Rio parece que têm alguma noção do que é política e do que é uma estrutura ideológica de partido.

 Rui Rio por sua vez causa-me diversos repúdios. Grande parte dos seus créditos na estabilidade financeira que deu à Câmara Municipal do Porto e ter iniciado a abertura do Porto ao turismo mas nesta sua caminhada deixou uma cidade cada vez mais secundarizada em relação a Lisboa naquilo que concerne aos centros de decisão nos principais vértices da vida do país, incomoda-me a sua visão de capataz de fazenda para uma organização e a sua aversão à cultura não me traz confiança e não me venham com o argumento do "ser do Norte": Nuno Melo também é e não é por isso que o acho mais aceitável.

 E como fica a concelhia do PSD-Esposende depois desta eleição? A deixar passar o mar agitado e à espera que as eleições legislativas cheguem.

 Se o apoio a Santana Lopes por parte de Benjamim Pereira era implícito depois da aparição de Santana Lopes na campanha autárquica, também não é menos verdade que a distrital de Braga foi uma das distritais que teve uma votação mais repartida o que me diz que dentro da distrital teremos elementos de ambos os lados na mesma e obriga a estrutura nacional a ter cuidado com os ímpetos de purga que usualmente surgem depois da mudança de líder.

 O PSD-Esposende terá que fazer o papel de morto até que as eleições cheguem e a necessidade de ter uma máquina minimamente oleada no terreno para combater a gerigonça de Costa. É uma crença minha que este apoio a Santana Lopes será punido aquando da distribuição de lugares para as listas de deputados no círculo de Braga, ficando na melhor das hipóteses na mesma posição de 2015.

 Falta também perceber até que ponto as alterações de Rui Rio atingirão as distritais e apenas nessa altura poderemos perceber o que é que as ondas que começaram no São Caetano terá na costa de Esposende.

 Interessante também será perceber quem do PSD-Esposende colocará como danosa esta proximidade entre Benjamim Pereira e Santana Lopes e quem daqueles que abandonaram o partido nas últimas autárquicas aproveitará a eleição de Rui Rio como um pretexto para uma aproximação e até reintegração no PSD.

A ver vamos.   
   


quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Manhãs da Rádio...

É estranho falar de rádio e o assunto não ser a Rádio Esposende, mas isso também acontece e hoje é o caso.

A 3 de Janeiro fomos surpreendidos, alguns não, com o anúncio de Vasco Palmeirim que tinha tido uma Passagem de Ano em Esposende e logo a seguir descobrimos que Vera Fernandes conhecia a Estalagem Zende e era uma fã do Bacalhau à Zende e mais uns segundos depois vimos Pedro Ribeiro a elogiar a Marginal e a descortinar os nossos motivos de atração.

Em 30 segundos tivemos publicidade gratuita que de uma outra forma nos custaria muitos milhares de euros e que na realidade fez com que as pessoas tivessem pelo menos uma referência e um despertar de curiosidade para com o nosso concelho e que em abono da verdade fizeram quase tanto como as campanhas publicitárias levadas a cabo até hoje.

Dito isto, voltamos ao tema das verbas gastas em publicidade e da política de comunicação.

Não desdenho do esforço em publicitar mais o concelho que foi levado a cabo pelo Turismo de Esposende até hoje mas existe um momento em que se exige refletir sobre qual o patamar de divulgação em que queremos estar e penso que está na hora de darmos um salto qualitativo na nossa divulgação, que certamente levará a um salto nos custos, mas que nos podem dar outras perspetivas.

Uma das regras para promover uma marca de luxo é nunca fazer uma campanha baseado numa personalidade, outra das regra é vender fazer do produto algo mais caro e inacessível do que ele é mas uma das mais importantes é vender o produto como um estilo e ma forma de estar na vida e não como uma necessidade instantânea, e a publicidade de Esposende precisa disto.

Apesar do que escrevi aqui em cima, esta situação das manhãs da Rádio Comercial teria sido a desculpa perfeita para convidar a equipa da manhã a passar o fim-de-semana em Esposende e ganharmos ainda mais publicidade.

Um dia, e não pode ser daqui a muitos meses, temos de perceber se queremos concentrar o nosso esforço para os grandes meios de difusão e que tipo de cidade que queremos vender aos outros e quando esse caminho for tomado, as críticas terão de ser recebidas com armadura de ferro.