domingo, 10 de junho de 2018

E o mar ter uma marca?

 Gostamos de enaltecer a nossa ligação ao mar, gostamos de enaltecer a nossa herança piscatória e de muitas vezes referir que as nossas localidades começaram com o comércio do sal, mas a verdade é que não temos uma marca/empresa que transporte essa carga e essa herança.

 Lançar as bases para uma empresa de venda de produtos marítimos ou de transformação do peixe tendo como um dos pilares principais os métodos tradicionais e o facto de não termos uma grande carga industrial nesse processo é um processo que não só introduz um novo tipo de atividade comercial como um bom veículo de publicidade.

 Alguém se lembra que os "Rebuçados da Nazaré" são feitos em Viana do Castelo? Pois, mas a verdade é que grande parte das pessoas acha que os rebuçados vêm mesmo da Nazaré e todos lembram-se daquela vez que foram à Nazaré comer peixe e até ganham vontade de ir lá no fim-de-semana.

 Já não falo em recuperar a tradição do sal que nos obrigaria a um reordenamento da nossa costa, e provavelmente não teríamos um bom resultado, mas aproveitar aquilo que o mar nos dá.

 Claro que se me perguntarem o que seria realmente ótimo nesta estratégia de "publicidade indireta", era a de possibilitar a entrada do grupo brasileiro de sapatos Paquetá, que detém a marca Esposende e ajudá-los a ajudarem-nos, mas isso vai ter de esperar.

A estátua forjanense no Brasil!

 No dia 10 de Junho, é revelada no Rio de Janeiro, mais propriamente na Casa do Minho, para a comemoração do Dia de Portugal a estátua de Dom Afonso Henriques, obra a encargo da forjanense família Mendanha.

 Não resisto a este comentário e a esta nota já que aquando do  Estátua de Homenagem ao Bombeiro que foi edificada no Largo Rodrigues Sampaio assistimos a uma quase tentativa de homicídio de carácter, enquanto pessoas e artistas, por parte de alguns habituais detratores mas como tive a oportunidade de dizer ao Nuno Mendanha, meu amigo pessoal para declaração de interesses: lá fora só interessa o trabalho!

 Este é mais um bom exemplo de que muita vezes o silencio é de ouro!

terça-feira, 5 de junho de 2018

Os miúdos da "Equipa Coragem", um exemplo!

 E hoje quero falar dos juniores da Associação Desportiva de Esposende.  

 Porque chamo à baila uma equipa de jovens, grande parte deles sem ainda terem 18 anos ? Pelo exemplo de compromisso, sacrifício, combatividade que deram ao longo de todo o ano e parecendo um tema pouco usual, mas o seu exemplo é um bom exemplo da nova forma como teremos de abordar o associativismo no concelho de Esposende, em particular na cidade de Esposende.

 O início foi tumultuoso: saídas inesperadas em todos os sectores da equipa, pessoas que abraçaram outros projetos de uma forma repentina , um plantel com um número de jogadores abaixo do que é exigível para o nível competitivo atual, descrença e incerteza generalizada sobre o facto da equipa conseguir competir ou não, ou seja,todos os ingredientes estavam preparados para que este fosse um ano sabático neste escalão e alguns diziam que isto não era uma equipa mas uma "manta de retalhos".

 Mas a época começou com quem quis lá estar!

 Não começou da melhor forma, várias derrotas nos primeiros tempos mas com o tempo foi melhorando, ultrapassando no seu caminho todos os problemas que uma equipa desportiva passa, alcançado ponto a ponto, escalando a tabela classificativa e ultrapassando as suas eliminatórias na Taça AF Braga até chegar à final.

 Caminho esse que na última semana atingiu o seu corolário: vitória categórica contra o favorito Fão para o campeonato em casa e uma derrota no prolongamento da final da Taça AF Braga contra o "papão" deste escalão, o SC Braga.  

 E o que têm isto de especial? Muita coisa.

 É uma equipa constituída por vários jovens da Póvoa de Varzim e Vila do Conde que suaram a camisola do Esposende como se tivessem cá nascido.
 É uma equipa constituída por vários jovens da Póvoa de Varzim e Vila do Conde que jogo após jogo começaram a arrastar os país e os amigos para virem ver os jogos a Esposende e a apoiar a ADE sem que eles tivessem tido qualquer ligação com este clube.
 É uma equipa constituída por vários jovens da Póvoa de Varzim e Vila do Conde que podia ter atirado a toalha ao chão e ido jogar para clubes mais próximos de casa e ter menos dores de cabeça e incertezas.
 É uma equipa constituída por vários jovens da Póvoa de Varzim e Vila do Conde que hoje sentem Esposende como um local querido e quase como a sua segunda casa.

 E isto deve ser uma lição para o associativismo e os dirigentes associativos deste concelho: só importa quem cá fica, quem trabalha e que sua a "camisola". Pouco importa se são "da terra" ou não, pouco importa se conhecem as ruas das freguesias de Esposende e se dizem "olá" a todos na rua, pouco importa se são bons rapazes e se conhecemos os seus pais e os seus avós, o que realmente importa é que vindos de onde tenham vindo enalteceram uma instituição de Esposende!

 Numa cidade que vive o resultado de uma engenharia social e demográfica orquestrada por anos de domínio laranja que teve como propósito esvaziar um dos poucos polos de resistência e enaltecer as freguesias vizinhas, é mandatório perceber que temos que contar com quem vêm de outras paragens para tornar alguns sonhos em realidade, para tornar ideias avulsas em realidades concretas, para passar obstáculos quando eles nos parecem intransponíveis e que se eles viverem o nosso sonho caminharão connosco e não contra nós.

 Não deixo de saudar também os jovens de Esposende que fizeram parte desta equipa que mostraram a fibra que é necessária para se ser um "Lobo do Mar" e que também eles são uma das principais colas para o sucesso que foi esta equipa.

 Para mim esta equipa ficará conhecida como a "Equipa Coragem"!

 E alguém que me diga que estou a exagerar...

quinta-feira, 31 de maio de 2018

E uma nova Expozende?

Longe vão os tempos em que a Expozende era um dos pontos altos do cartaz de atividades do concelho.

Seria bom recuperar este evento.

Ter um certame onde conseguíssemos a presença dos atores principais das atividades económicas em Esposende seria um bom barómetro do ponto de situação do tecido empresarial esposendense e colocar o desafio às empresas de passar a ter uma necessidade de se exporem e cativarem pela sua apresentação é algo que nos dias que correm é mandatório.

Fica a ideia.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Meia-Maratona de Esposende, notas finais!

E a Meia-Maratona realizou-se.

Depois de mais de uma década de interrupção, voltamos a ter uma prova de 21km nas estradas do concelho e isso é um motivo de alegria.

O percurso que prometia ser tortuoso e repetitivo revelou-se agradável e "fácil" de percorrer sem que as passagens repetidas fossem penosas e se sentisse essa questão. Fica dica para as próximas edições: entrar mais em Fão pela EN13 e eliminar a parte da Sr.ª da Saúde ou de Gandra.

Mas ainda podemos melhorar noutros aspetos, a envolvência com a prova.

Mesmo com uma organização da RunPorto podemos vender os pacotes de hospitalidade para quem queira cá passar o fim-de-semana, já que isso permite que os corredores de paragens mais distantes se sintam mais confortáveis a vir até Esposende.

Outro aspeto a melhorar é a data em que se realiza.

Colocar a data desta prova na mesma data que a Meia-Maratona do Douro Vinhateiro é meio-caminho andado para termos muitos menos participantes do que os que poderíamos ter se as datas não colidissem, já que esta prova é uma das que maior poder de publicidade têm e consegue chamar corredores de quase todo o país quer pelo percurso, quer pela localização quer pela oferta de estadia que os operadores turísticos oferecem.

Outra oportunidade de melhoria é publicitar esta prova na Galiza, aproveitando as feiras de turismo onde as entidades que regem o turismo costumam marcar presença.

E espero que para o ano possa estar aqui a fazer mais alguns melhoramentos a esta prova.


sábado, 19 de maio de 2018

E um campeonato concelhio?

Chega ao fim a época das equipas séniores de futebol do concelho.

 Pelo 2º ano consecutivo tivemos a descida de uma equipa do Pró-nacional para a Divisão de Honra e isso deve-nos fazer pensar que direção queremos dar à política desportiva do concelho neste escalão e neste desporto.

 É evidente que só daqui a uns bons anos é que os clubes do concelho que têm equipas séniores estarão em condições para abraçar uma subida ao Campeonato Nacional de Séniores, onde a semiprofissionalização é mandatária e não existem grandes movimentações para que os clubes que outrora já tiveram equipas séniores queiram novamente abraçar um projeto neste setor.

 Relembro que a um dado momento tivemos cerca de 8 equipas séniores do concelho a competir e hoje temos 4 e isso é muito significativo.

 Sejamos sinceros e realistas, as equipas séniores são sempre o maior espelho do estado e da saúde de um clube e esta desertificação de equipas séniores no concelho é um sinal do que já fomos, do que somos e será um sinal do que queremos ser.

 Um clube ter uma equipa sénior funcionar é uma bandeira, um sinal do estado do clube, é um objetivo para os mais novos e um exemplo de sacrifício e superação que se dá às camadas jovens, é um porto de abrigo para os jovens que aos 18 anos já não podem jogar nas camadas jovens e necessitam de uma equipa sénior para continuar a competir. 

 Por isso urge criar as condições  para os clubes terem uma equipa sénior a competir.

 Esse modelo terá de ser o do campeonato concelhio.

 Temos já em andamento um campeonato de veteranos mas será necessário expandir este modelo para o escalão sénior, com as equipas do concelho a jogarem entre si e quem sabe se as equipas que já jogam nas competições distritais possam colocar aqui as suas equipas "B".

 Um campeonato de custos controlados, poucas deslocações, dérbis garantidos, que melhores ingredientes podemos ter para que alguns dos clubes voltem a ponderar ter novamente as equipas séniores?

 Fica a ideia.

Marginal, o "muro de Berlim".

As obras de renovação em algumas das casas na 1ª linha da Marginal de Esposende continuam...

Nada tenho contra os moradores nem contra as pessoas que já lá habitam mas nunca consigo deixar de lamentar a situação que vivemos na nossa marginal, e a sua permanente "murodeberlinização".

Continuamos a ter moradias de habitação privadas a dominar a sua 1ª linha e a tornar impossível ter atividades que vão além da corrida e da caminhada na marginal algo que se assemelha a um desperdício tão grande como o de podermos extrair petróleo no Algarve e estarmos preocupados com os pensionistas franceses que lá compraram casa.

Necessitamos de ter um outro tipo de habitação, de construção, que permita ter comércio e locais de restauração/animação noturna que tirem partido da vista e da localização, algo que é completamente impossível com a estrutura que temos atualmente. Não defendo uma política ao estilo da Póvoa de Varzim, com as suas torres, já que isso seria uma enorme descaracterização da cidade mas algo ao género de Vila do Conde.

 Claro que me vão perguntar se a solução é expropriar e deixar florescer nova construção? Não sei, mas sei que como está não está bem e geração após geração continuamos a desperdiçar um importante ativo deste concelho.