sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Séniores de Esposende, 20 anos depois.

20 anos depois, a cidade de Esposende têm novamente uma equipa desportiva sénior em competição.

Falo da equipa sénior de voleibol da Associação Desportiva de Esposende (ADE).

Existem factos, acontecimentos ou actividades que apesar de parecerem banais à primeira vista são reveladoras do que foi o passado, do que é o presente e do que será o futuro e este é um deles. É um daqueles factos, acontecimentos ou actividades que têm um leitura muito mais profunda e ampla do que o âmbito desportivo e de onde poderemos tirar conclusões tácitas sobre a nossa sociedade, as suas dinâmicas e  o seu estado de evolução material e cultural.

O desporto feminino, e o sucesso nele,tornou-se nos tempos modernos uma das mais irrefutáveis provas da vitalidade de um sociedade, da igualdade de oportunidades entre géneros e da facilidade de acesso da população infraestruturas e actividades que não tenham directamente a haver com a sua evolução no mercado de trabalho. 

Olhando para a tabela de medalhas conquistadas a partir de 1996 nos Jogos Olímpicos é fácil verificar que são os países com melhores índices de qualidade de vida e de literacia que ocupam os lugares cimeiros do rácio medalhas/população feminina. Falamos dos casos de Noruega, Holanda, Nova Zelândia,Austrália, Suécia ou Suíça e acho que por aqui já fica claro o que quero dizer.

Em termos portugueses,a Quinta dos Lombos paulatinamente se têm tornado uma referência no desporto feminino ano após ano e não será de espantar que este clube esteja sediado em Oeiras, um dos concelhos de Portugal com melhor qualidade de vida.

E isso leva-me a pensar o que se passou na cidade de Esposende nos últimos 20 anos para não termos tido desporto feminino a este nível.Alguns estarão a pensar que este período está deturpado já que houve competição ao nível sénior em São Bartolomeu do Mar e Fão no andebol, houve competição sénior em Palmeira de Faro e Apúlia no futebol mas gostava de me focar no facto de nada disto ter ocorrido na cidade sede do concelho.

Tenho a percepção que tivemos um conjunto de factores que levou a esse facto e que esses factores são eles sinais do tempo e dos tempos que passaram.Não tínhamos pessoas suficientes? Não tínhamos pessoas capazes de organizar estas equipas? Faltavam ideias sobre que desportos praticar? Não existia a cultura do desporto feminino no concelho? Faltava a incitação do desporto escolar para novos valores despontarem? Penso que não. 

Na minha verdade, a resposta certa é a falta de um verdadeiro projecto e do empenho das forças vivas para que esta equipa fosse um realidade à muito tempo e que levou a que estivéssemos quase 2 décadas sem algo semelhante. 

Serei sincero e até assustador: Um falhanço na sobrevivência desta equipa por falta de apoios externos da sociedade e das suas forças vivas é um falhanço de todos os esposendenses e não apenas da ADE!

As Lobas do Mar não são apenas uma equipa de voleibol num qualquer campeonato nacional , é um cartão de visita desta cidade, é uma montra do que a cidade de Esposende é como sociedade e é um teste à cidade de Esposende na sua capacidade de organização e na sua capacidade de apoio e incentivo a um novo projecto.Estas mulheres não carregam apenas o emblema da ADE, carregam toda a imagem de um cidade que se quer mostrar na região e no país como uma cidade moderna e arejada.  

As Lobas do Mar são um dos mais importantes projectos que esta cidade viu nos últimos tempos e quem achar o contrário não percebe os tempos em que vive.