sábado, 12 de novembro de 2016

Havemos de ir a Viana

Aproveitando a época de Inverno em que Esposende está menos sensível aos temas turísticos e ao eterno "aparecer ou fazer", gostava de falar de Viana do Castelo.

Sou suspeito para falar de Viana do Castelo, já que é a cidade com que sinto maior afinidade, carinho e simpatia. Se tivesse de morar noutro sítio que não Esposende, era lá que morava. Sendo uma cidade minhota com uma vertente turística, as comparações parecem-me algo inevitáveis e as consequências do não "aparecer".

Começando pela cidade em si, a todos os estrangeiros que mostro as fotos de Viana do Castelo e que já tenham passado várias vezes por Portugal dizem que desconheciam aquela cidade, sendo normal muito deles já terem visitado Ponte de Lima e não Viana do Castelo, e que com certeza a querem visitar numa outra oportunidade.

Recordo aqui que Viana do Castelo tem uma das melhores pousadas do Grupo Pestana e um dos melhores restaurantes e bar a norte de Coimbra.

Olhando para os seus monumentos, da Santa Luzia à ponte Eiffel, passando pela Praça da República até ao novo parque da cidade passando pela Biblioteca Municipal pensada por Siza Vieira e pelo navio Gil Eanes e acabando nas praias, não podemos dizer que argumentos lhe faltem para atrair as pessoas e os visitantes.

E depois de falar  em monumentos, falemos de eventos.

A Sr.ª da Agonia é a maior romaria de Portugal e isso diz quase tudo, Viana do Castelo ainda conta com a passagem do Rally de Portugal nas suas freguesias desde que este passou a contar para o Mundial da especialidade e é a casa da Seleção nacional de ténis onde decorre a etapa portuguesa da Taça Davis. É o local de um dos melhores eventos de música eletrónica no país. Penso que poderemos dizer que só estes eventos já são satisfatórios e que fariam a alegria de muito autarca por esse Portugal fora. 

E depois de monumentos e eventos, falemos das infraestruturas.

Viana do Castelo conta com um dos mais importantes porto de mar de Portugal, tem uma ligação ferroviária e é um nó para diversas autoestradas. Mais uma vez, não me parecem argumentos de baixa-valia.

Mas a verdade é que Viana do Castelo não descola, não avança, não vê a sua indústria de turismo a florescer e a desenvolver-se como Porto, Braga ou até Ponte de Lima. Falta a publicidade, o anúncio, a comunicação, a atração das pessoas para a cidade e que mais tarde cria a "movida" e a "moda" de ir a Viana do Castelo.

Aquilo  que muitos criticam em Esposende, é aquilo que falta a Viana do Castelo e que lhe quase deita por terra os seus argumentos de ser uma das capitais do turismo em Portugal.

Pensemos nisto.