quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

A História é sexy

A muito concorrida sessão de apresentação da mais recente obra de José Felgueiras, “Naufrágios na Costa de Esposende”, à qual não faltou a quase totalidade do executivo camarário, é bem reveladora do interesse e gosto que a comunidade esposendense tem pela sua história.
Nem só de concertos vive a cultura e Esposende, felizmente, tem a sorte de ter pessoas dedicadas que emprestam o seu tempo à comunidade, investigando, pesquisando e tratando para livro alguns dos acontecimentos mais importantes da existência do concelho.
Manuel Albino Penteado Neiva e José Felgueiras são dois historiadores que têm brindado o concelho com importantes obras evocativas da história local. Penteado Neiva coligiu um inestimável documento histórico sobre a participação esposendense na Primeira Guerra Mundial. José Felgueiras dispensa apresentações no que toca ao tratado histórico sobre o Mar e Esposende a que se vem dedicando.
Estes importantes contributos ao concelho não se podem ficar apenas pelas cerimónias de lançamento dos respectivos livros. Conferências pelas freguesias, apresentações nas escolas, são algumas das iniciativas que podem e devem ter lugar, sempre que surge uma nova obra histórica sobre a terra.
No ano passado, o Centro Cultural de Belém levou a cabo uma série de tertúlias sobre a história de Portugal e a Europa, sempre com um olhar na actualidade. Estas sessões, que eram feitas por alguns dos mais destacados historiadores nacionais, tiveram enorme sucesso, estando sempre cheias. Julgo que isto demonstra bem como, afinal, as pessoas têm interesse pela História.
Gostaria, pois, que, à sua escala, Esposende também viesse a replicar este tipo de iniciativa. Os pressupostos estão reunidos: as pessoas aderem em grande número às apresentações de obras sobre história; temos muito bom material histórico para ser dissecado; e temos historiadores com um grande capital de conhecimento para ser partilhado. Não podemos, nem devemos conformar com o mero lançamento dos livros.