terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Um cinema que se afundou como o Titanic

Quando se assinalam 20 anos da estreia do Titanic nos cinemas portugueses, as redes sociais entraram, por estes dias, em modo nostalgia, com evocações do filme e das sessões vistas.
Embora 20 anos não sejam 20 dias, tenho bem presente na memória as imagens das filas enormes que se formaram a partir da bilheteira, gente que ia várias horas antes da sessão começar para tentar conseguir adquirir o seu bilhete mágico. O sucesso foi tal que, extraordinariamente, foram realizadas várias sessões da película. Sempre com lotação esgotada.
Na altura do Titanic andava no 9º ano. Lembro-me que o entusiasmo com o filme foi de tal ordem que numa aula de História, a matéria acabou por ser trocada pela discussão sobre o filme. Foi um debate muito vivo e apaixonante. A certa altura alguém sugeriu agendar um visionamento no cinema exclusivamente dedicado às turmas do 9.º ano, com o aliciante de o filme ser comentado, do ponto de vista histórico, pelos professores da disciplina. Infelizmente, essa boa intenção nunca veio a ganhar acção.
O Titanic foi, seguramente, o filme de maior sucesso comercial no cinema de Esposende. Mas outros filmes podem reclamar o seu lugar na galeria das sessões épicas que passaram no nosso cinema. Jurassic Park, Apollo 13 ou Braveheart, só para citar alguns exemplos.
Actualmente, não temos cinema no nosso concelho. A proximidade com Braga ou Porto, que apresentam uma oferta muito superior e sempre actual, a par com o decréscimo no número de espectadores a irem ao cinema, foram factores que contribuíram para que o cinema em Esposende se afundasse, como sucedeu com o Titanic. É uma lacuna que, porém, se lamenta. 
O cinema não é apenas comércio, mas também cultura. Quantos filmes históricos, realizadores históricos, actores clássicos, não mereciam um ciclo de cinema dedicado a si? Por exemplo, um ciclo sobre "O filme da vida de...", convidando personalidades do concelho para elegerem um filme marcante e comentarem-no. Julgo que há espaço para este tipo de iniciativa e tenho pena que nunca tenha sido tentada.
Como aqui já recordei neste espaço, há alguns anos, nas festas de Verão, o Município levou a cabo uma semana inteira dedicada ao cinema (de tarde, filmes para as crianças, à noite, filmes para os mais velhos). As sessões encheram sempre. Devo a essa semana ter visto, pela primeira vez, o Jumanji e Laços de Ternura, filmes que me marcaram. Novo lamento: essa iniciativa nunca mais foi repetida.