terça-feira, 16 de janeiro de 2018

PSD-Esposende, Rio acima e Rio abaixo.

 E tivemos as diretas no PSD.

 Bons velhos tempos em que o PSD nos proporcionava aqueles fins-de-semana de "Congresso do PSD" muito pesados, com "barões", intriga e grandes enxovalhos a Durão Barroso e Pacheco Pereira, agora temos as calmas diretas e uns debates a roçar a peixeirada.

 Não sou, nem nunca fui, simpatizante ou votante do PSD e não sou, nem nunca fui, adepto de qualquer um dos candidatos à liderança por isso considero-me na posição de Ícaro: vejo tudo de uma posição distante.

 Santana Lopes não me convence porque quando lhe foi dada a hipótese de governar foi um pequeno desastre (a governação de Durão Barroso foi o seu principal fardo ou não teria ele fugido para Bruxelas) utiliza a calúnia e as questões pessoais com uma facilidade atroz e têm o vício de andar sempre por ai, mas em comparação com Rui Rio parece que têm alguma noção do que é política e do que é uma estrutura ideológica de partido.

 Rui Rio por sua vez causa-me diversos repúdios. Grande parte dos seus créditos na estabilidade financeira que deu à Câmara Municipal do Porto e ter iniciado a abertura do Porto ao turismo mas nesta sua caminhada deixou uma cidade cada vez mais secundarizada em relação a Lisboa naquilo que concerne aos centros de decisão nos principais vértices da vida do país, incomoda-me a sua visão de capataz de fazenda para uma organização e a sua aversão à cultura não me traz confiança e não me venham com o argumento do "ser do Norte": Nuno Melo também é e não é por isso que o acho mais aceitável.

 E como fica a concelhia do PSD-Esposende depois desta eleição? A deixar passar o mar agitado e à espera que as eleições legislativas cheguem.

 Se o apoio a Santana Lopes por parte de Benjamim Pereira era implícito depois da aparição de Santana Lopes na campanha autárquica, também não é menos verdade que a distrital de Braga foi uma das distritais que teve uma votação mais repartida o que me diz que dentro da distrital teremos elementos de ambos os lados na mesma e obriga a estrutura nacional a ter cuidado com os ímpetos de purga que usualmente surgem depois da mudança de líder.

 O PSD-Esposende terá que fazer o papel de morto até que as eleições cheguem e a necessidade de ter uma máquina minimamente oleada no terreno para combater a gerigonça de Costa. É uma crença minha que este apoio a Santana Lopes será punido aquando da distribuição de lugares para as listas de deputados no círculo de Braga, ficando na melhor das hipóteses na mesma posição de 2015.

 Falta também perceber até que ponto as alterações de Rui Rio atingirão as distritais e apenas nessa altura poderemos perceber o que é que as ondas que começaram no São Caetano terá na costa de Esposende.

 Interessante também será perceber quem do PSD-Esposende colocará como danosa esta proximidade entre Benjamim Pereira e Santana Lopes e quem daqueles que abandonaram o partido nas últimas autárquicas aproveitará a eleição de Rui Rio como um pretexto para uma aproximação e até reintegração no PSD.

A ver vamos.