segunda-feira, 10 de julho de 2017

Esposende do antigamente, hoje

Acompanho com muito interesse as páginas no Facebook que se dedicam à partilha de fotos históricas da cidade de Esposende (verdadeiro serviço público). Imagens de lugares que sofreram alterações significativas com o decurso do tempo, retratos de sítios que, tirando um aspeto ou outro, mantêm o seu traço identitário. 
Um denominador comum entre as fotos do antigamente e os tempos atuais prende-se com o nosso parque hoteleiro. Hotel Ofir e Hotel Suave Mar, sempre presentes. Apenas e só. Faz lembrar o nosso mercado cervejeiro, resumido a duas marcas, ao contrário do que sucede no resto da Europa.
Faz-me impressão como é que, nos últimos 20 anos, não foi possível inaugurar um novo hotel. Nesse ponto concreto, o nosso turismo encontra-se estagnado há muito. Procurando Esposende surfar a onda do turismo, com razões próprias para isso, é estranho que o concelho não seja capaz de promover um investimento no âmbito hoteleiro, como se isso não fosse também uma âncora para captar mais gente. 
Recentemente, em conversa com um investidor francês, que reside há pouco mais de um ano em Portugal e que é grande fã de Esposende (sobretudo, das atividades do Kook Proof), contava-me que esteve interessado em investir na cidade, na atividade de alojamento local, tendo até o imóvel para o efeito identificado. Infelizmente, o projeto ficou sem efeito porque sobre esse imóvel residia um direito de preferência (que seria canalizado para fins particulares). Desta pequena história ressaltam-me dois aspetos que me parecem fundamentais para os próximos 4 anos: em primeiro lugar, identificar o tipo de investimento que pretendemos para o concelho (e acho que o hoteleiro é um investimento que faz muito sentido) e reunir as condições junto dos potenciais investidores, ao invés de serem estes a fazer o trabalho de casa, poupando assim tempo (e, como diz o povo na sua sabedoria, tempo é dinheiro). Em segundo lugar, o concelho tem, definitivamente, de fomentar uma rede de contactos junto da sua comunidade espalhada pelo estrangeiro. Não é o primeiro caso que conheço de forasteiro endinheirado e que se perde de amores pela nossa terra. Quantas oportunidades de negócio em potência não estarão por descobrir?
Será uma grande pena se deitarmos fora mais 4 anos. Será uma grande pena se daqui a 4 anos, muitas fotos de Esposende do antigamente poderem ser tiradas hoje, porque tudo continua igual.