sexta-feira, 7 de julho de 2017

Das Confederações com Maradona.

Maradona, eu vi-o!
 
Não tenho medo do tom infantil, aficionado, apaixonado, até algo histérico que utilizo já que tal como eu muitos milhares de "senhores", "pais de família", "maridos", "doutores" e "engenheiros" que perderam as suas capas sociais e as suas atitudes amadurecidas pelo tempo e pelo entrosamento social e que retornaram à sua infância e adolescência quando o viram a subir ao relvado e com uma alegria juvenil diziam aos filhos quem lá estava e gesticulavam freneticamente para o centro do relvado.
 
O único poster de um jogador que figurou no meu quarto é de Maradona e por isso numa viagem dedicada ao futebol que melhor final poderia pedir? Não consigo imaginar outro.
 
Estava preparado para descrever as cidades onde estive nesta Taça das Confederações mas como sempre, Maradona roubou o espetáculo.

Poderia descrever a boa organização da prova. As facilidades concedidas para os visitantes em termos de visto foi refrescante, os omnipresentes voluntários que se encontravam nos principais pontos das cidades para ajudar os adeptos no que fosse preciso, os meios de transporte que foram colocados à disposição dos adeptos e até comboios que percorreriam cerca de 5000km's entre Sochi e Kazan gratuitos para todos os adeptos. Poderia descrever o Fan-ID, uma identificação específica que todos os que quiseram aceder ao estádio tinham de ter e que permitiram aos adeptos identificar outros adeptos, à polícia prender e mandar de volta para casa os mais exaltados e às autoridades impedirem de forma pacífica os cadastrados de aceder aos jogos e que se tornou o nosso maior amigo enquanto lá estivemos. Será o mesmo que o chapéu ao Athletic Bilbao na final da Copa do Rei?
 
Poderia descrever Kazan, capital da Tartária e a 3ª cidade russa, e todas as suas idiossincrasias . Poderia descrever que Kazan é onde reside o presidente da Tartária, uma espécie de região autónoma na Federação Russa, que para além da sua bandeira própria têm também uma língua própria. Poderia descrever o seu belo Kremlin que se extende nas margens do Volga, símbolo de um poder forte de outros tempos, poderia descrever a sua população jovem e universitária que circula pelas suas ruas principais e pela boa indústria que aqui existe, desde os camiões Kamaz ao centro de investigação aéreo e espacial que entre outras coisas produziu o único concorrente ao Concorde. Mas o que é isso comparado com o homem que colocou o remediado Nápoles no topo mundial ?
 
Poderia descrever São Petersburgo, os seus palácios históricos sempre belos e rejuvenescidos para o próximo campeonato do Mundo, as suas majestosas catedrais que se deslumbram através da Rua Nevsky, o novo estádio de São Petersburgo que finalmente equipa a cidade com um estádio à sua altura e com uma vista sobre o Báltico fantástica. Poderia descrever a vida noturna que a cidade ganha com as noites brancas e onde a elevação das pontes que atravessam o rio Neva ganham direito a ser um espetáculo digno de ser visto por centenas de pessoas nas margens. Poderia, mas o que é isso comparado com o único futebolista do mundo que teve um filme digno desse nome?
 
Teria de descrever mais uma vez a minha querida Moscovo e como ela se mantêm impecável em toda a sua pujança e se sente o início da retoma económica e algumas nuvens negras económicas e sociais se dissipam no horizonte e onde cada vez mais se sente um aprimoramento dos espaços públicos e de lazer. Apenas a poderia comparar ao momento em que Ele deixou metade da equipa inglesa no chão e fez o 2-0, menos do que isso era inaceitável.
 
Poderia descrever sim, mas haverá muitos guias de viagem e roteiros de turismo que o farão muito melhor do que eu, por isso foco naquilo que não está em nenhum destes locais: a emoção irracional.
 
No final o que posso dizer ? Espero voltar a vê-lo no Campeonato do Mundo 2018.
 
Seria um muito bom sinal...