segunda-feira, 4 de julho de 2016

Salários em Esposende

Volto à matriz da minha presença neste blogue: contribuir para o debate da qualidade de vida dos Esposendenses.
Muitas opiniões e opinadores existem sobre a vida do concelho, sobre o dinheiro que se gasta e o dinheiro que não se gasta, onde se gasta e o que se pretende retirar desse gasto.
Muitas opiniões e opinadores gostam de mostrar que existem os informados e os não-informados e muitos deles afloram a ideia de que muitos não têm direito à opinião ou a divulgar a sua opinião porque não são informados, não sabem, não conhecem, não estudaram.
Em resumo: não pertencem a uma certa elite cultural que essas opiniões e opinadores acham pertencer.
Como todos pagamos impostos e todos temos o cartão de votante, a opinião de cada um importa porque é com o dinheiro desses impostos que se pagam obras, se arranjam jardins, se promulgam contratos, se compram viaturas, se financiam instituições de cariz social e clubes desportivos, se compram jornais e se enchem restaurantes.
  
Claro que não sou ingénuo, existem pessoas que pela sua experiência têm opiniões mais prováveis de serem as acertadas do que outras mas isso são os outros que o ressaltam.
Um dos indicadores da qualidade de vida esposendense que raramente vejo discutido nas campanhas políticas locais é o rendimento médio dos trabalhadores deste concelho.
Sempre fomos bombardeados com a excelência da qualidade de vida de Esposende, o que do ponto de vista ambiental é verdade, mas que no rendimento dos trabalhadores por conta de outrem não se reflete.
Olhando para os dados do Pordata que vão até 2013, a comparação do salário médio em Esposende com o de Portugal e com a NUT Cávado (engloba Braga, Barcelos, Amares, Terras do Bouro entre outros) não nos é muito favorável:
Se os 60€ de diferença para a nossa região não é alarmante, os 217€ de diferença para a média nacional já nos deveria fazer pensar e deveria fazer pensar quem comanda a nível económico este concelho.
Usando uma expressão do final dos anos 80 portugueses, a "convergência" dos salários desde 2002 tem sido quase nula, acompanhando a tendência da média nacional.

Quantas vezes ouvimos alguém a abordar este tema? Quantas vezes ouvimos falar destes valores? Quantos planos de ação houve para alterarmos o panorama? Nada ou quase nada.
Mas algo que também deveria fazer pensar as forças vidas são os números do total de trabalhadores por conta de outrem registados no concelho:
É verdade, perdemos quase 3000 postos de trabalho em 4 anos, quase 10% da nossa população total do concelho.

É complicado querer dar vida à cidade sem gente e sem massa humana para povoar a cidade e fazer a economia local andar de uma forma minimamente saudável e sustentável.
Claro que estes números poderão ser rebatidos e têm diversas explicações válidas desde a crise que se vive até à própria forma de contabilizar estas grandezas. Não esperava que Esposende tivesse um disparo no salário médio com a crise a partir 2008 e ficaria surpreendido se tivéssemos tido um grande aumento nos postos de trabalho.
Mas estes são os números que as forças vivas e políticas deveriam discutir e refletir em vez de se perder tempo com o número de idosos na Quinta da Malafaia.