sábado, 11 de fevereiro de 2017

Empresas!!! (Até que a voz nos doa)


Nos últimos dias sugiram um pouco por toda a parte notícias e comentários sobre a implementação de novas empresas nos concelhos vizinhos ao de Esposende, casos de Viana do Castelo ou um pouco mais distantes, como Paredes de Coura. Há quem defenda uma implementação massificada de indústria no concelho de Esposende, há quem defenda que não e que nos devemos guiar por esse lema de sermos um “Privilégio da Natureza”. Ou seja, voltamos a ter várias opiniões e, como em quase todos os temas, as tropas de cada lado da barricada “digladiam-se na arena” que são as redes sociais.

A cada lado dou um pouco de razão, mas acho que Esposende deve, sem sombra de dúvida encontrar um ponto de equilíbrio entre aquilo que é a sua beleza natural e quais os sectores a captar e potenciar para um desenvolvimento económico sustentável e progressista.
Sou contra a implementação da chamada “indústria pesada” no Concelho, a qual colocaria em risco vários recursos naturais, sendo que não estamos vocacionados para tal, mas por outro lado sou totalmente contra a massificação de comércio nas zonas, ditas, industriais.

Com a revisão e aprovação do PDM, o plano dotou o Concelho com áreas de maior implementação industrial e até agora pouco se na execução dessa implementação. Ainda há uns dias mais um caso de uma empresa que não encontrando “aceitação” no nosso concelho se foi instalar em Viana do Castelo, e como essas tantas. E ouve-se à boca pequena, que algumas que cá estão pensam mesmo sair…

Estamos a perder uma corrida contra outros Concelhos? Estamos, estamos em toda a linha. 

Não estamos a saber captar o tipo de empresas que, a meu ver nos interessa, empresas com pouco impacto ambiental, mas com muita criação de valor, empresas cujos colaboradores procuram aquilo que Esposende oferece, ser um “privilégio” (que o é, independentemente de quem está a comandar o destino deste concelho), fazendo com que esses mesmos colaboradores pensem, em tempo futuro, instalar—se no nosso Concelho.

Empresas de serviços, com alta criação de valor, nomeadamente as empresas de carácter tecnológico são aquelas que nos devem interessar.
Esposende tem tudo para a implementação de várias empresas deste sector, não colocam em risco os nossos recursos naturais e têm um potencial empregador imenso. Esposende está bem posicionado em termos geográficos, está a 30 minutos do Porto, de um porto de mar e de um aeroporto, estamos a 20 minutos de Braga, a 10 de Viana, para além disso e face à falta de um Pólo Universitário em Esposende, podemos aproveitar os Pólos destas três cidades.

Esposende ao longo dos últimos 20 anos dotou-se de várias infraestruturas, requalificou zonas junto ao rio, em vários pontos das várias freguesias, o que torna o nosso concelho um dos mais aprazíveis para se viver, o que contribuiu para uma qualidade de vida que muitos procuram.

Mas então o que falta?

Falta muita capacidade de inovação, muito engenho e por vezes acho que falta predisposição para tal… Fala-se de uma incubadora de negócios há demasiado tempo (parece que agora verá a luz do dia), quando muitos dos Concelhos vizinhos já o fizeram há tantos ou mais anos do que o nascimento da ideia no nosso concelho.

Meus Senhores, as empresas não vão bater à porta da Câmara, a Câmara é que tem de estar atenta e bater à porta das empresas. Olhem o exemplo da Farfetch, uma empresa que necessitou de relocalizar e claro, quem lhes bateu à porta foram os responsáveis Portuenses que conseguiram instalar a empresa na zona industrial da Lionesa enquanto outros Municípios viram o comboio passar. Temos de olhar para os exemplos, como este e outros, em que o Porto se “mexeu” e se tornou um local atractivo, mas não tarda estará sobrelotado e devemos estar preparados para aproveitar esse factor.

Num mandato que tinha como “bandeira” o crescimento e desenvolvimento económico, parece-me, ficamos muito aquém do esperado.


Perdemos o comboio, mas ainda podemos apanhar a última carruagem!!!