segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Momento Fernando Pessa

Um dos momentos televisivos de que guardo especial saudade é o dos famosos postais que o lendário jornalista Fernando Pessa escrevia ao presidente da Câmara de Lisboa (na altura, Jorge Sampaio), dando conta de aspetos menos positivos da cidade no seu dia-a-dia e que urgia reparar (lembro-me de uma peça mítica sobre o cocó nos passeios, flagelo que esteve, durante largos anos, por combater em Lisboa e que, ainda hoje, não desapareceu totalmente embora o cenário já tenha melhorado. Esposende, aliás, também sofre do mesmo problema na marginal requalificada mas sobre isso escreverei noutra ocasião).
Esses postais eram objecto de uma peça jornalística engraçada, que costumava concluir os telejornais das 20h de domingo, e que terminava com o mítico «e esta, hein?».
Serve a evocação de Fernando Pessa para, inspirado no seu exemplo de serviço público, dar aqui nota pública de duas situações para as quais a Câmara de Esposende deve olhar atentamente, diligenciando junto de quem de direito para intervir.
A primeira, prende-se com o cruzamento da estrada Esposende-Barcelos, de quem sai do Modelo ou vem da saída da A28 ou, se preferirem, de quem vai nessa estrada e pretende apanhar a A28. Esse cruzamento tem umas marcas no chão que servem para posicionar correctamente os automobilistas. Fruto do desgaste dos anos, as marcas desapareceram quase totalmente, e não raras vezes vemos automobilistas fora da sua margem, o que potencia acidentes naquela zona. Faz falta pintarem novamente as marcas, e não se percebe como é que, recentemente, aquando da construção da rotunda junto à Repsol ninguém se lembrou de «já agora, deixa ir ali passar uma pintura sobre o chão que está uma vergonha». 
O segundo caso, e para mim o mais gritante, é o que respeita ao cruzamento junto ao Minipreço, isto é, o cruzamento da Avenida Pe. Sá Pereira com a Estrada Nacional 13. Trata-se de um cruzamento infame que já leva a sua conta de mortos e feridos, nalguns dos acidentes rodoviários mais infelizes da história de Esposende. Excesso de velocidade, falta de visibilidade, má interpretação das regras de prioridade, é um cruzamento vergonhoso, tal como se encontra neste momento, porque, claramente, os sinais Stop e a passadeira não chegam. Aliás, a passadeira que lá está é uma anedota, pois os automobilistas fazem tábua rasa das mais elementares regras do código da estrada, e quem pára para dar lugar ao peão só pode ser parvo pois quase ninguém o faz.
Não percebo, passados estes anos todos, como é que ainda não se intervencionou naquele lugar, nem que fosse com umas míseras lombas (embora o adequado seja o semáforo). Alguma razão transcendente, certamente, faz prolongar uma intervenção óbvia e que contribuiria para uma melhor e mais segura circulação rodoviária na nossa terra. Resta saber até quando é que teremos de esperar mais...