sábado, 2 de setembro de 2017

Independentes, Independência e decência moral.

Por mais anos que passem nunca deixarei de ter esta ingenuidade em acreditar que as pessoas poderão aprender com os maus exemplos.
 
Depois de Trump pensei que os chavões como "independentes", "fora do sistema", "estar na política sem ser político", "nem de esquerda nem direita", "o que interessa são as pessoas" e outros semelhantes que vinham em crescendo na nossa sociedade seriam abandonados e que teríamos uma abordagem mais moderada e consciente à política, mas mais uma vez me enganei.
 
Percebo que ao nível da política local as diferenças esquerda-direita não sejam tão visíveis como ao nível da política nacional mas mesmo assim existem orientações sempre importantes que diferenciam as 2 abordagens e é impossível não ter uma orientação mais vincada para uma ou para a outra, ou seja, o político ao centro é como o Homem das Neves: alguns dizem que já o viram mas ninguém apresenta provas de tal.
 
E agora os "independentes".
 
Fico parvo como tantas pessoas da minha geração se viram contra os partidos, as pessoas ligadas aos partidos, políticos com cartão de partidos e gostam de exibir o seu status de independente.
 
A minha geração foi a geração que mais e melhores oportunidades teve no Portugal democrático, desde os cuidados médicos, ao acesso à informação, passando pela a educação até aos apoios de inserção que o Estado deu às famílias e que permitiu aumentar os índices de  qualidade de vida e tudo isto foi obtido por políticos com cartão de partido.
 
Se hoje somos a geração com maior percentagem de diplomados e com estudos no estrangeiro, isso foi conseguido por políticos com cartão de partido.
Se hoje somos a geração que menores índices de mortalidade infantil sofreu, isso foi conseguido por políticos com cartão de partido.  
Se hoje somos a geração com maiores facilidades em nos deslocarmos pela Europa e pelo Mundo quer em termos profissionais ou turísticos, , isso foi conseguido por políticos com cartão de partido.  
 
 Não são os cartões do partido que definem as capacidades de uma pessoa, mas sim as suas qualificações técnicas, o seu profissionalismo e o conhecimento das pastas que gere.
 
Percebo que alguns sejam verdadeiramente independentes e que estejam nas listas porque acreditam nas pessoas e na lista que englobam e no trabalho que pode ser realizado, mas esses são uma minoria no mar de "independentes" que agora temos.
 
 Se a minha geração hoje se queixa dos partidos e de quem os constitui, só me resta perguntar onde a minha geração andou nos últimos 10 anos, já que se tivéssemos estado mais interessados nos partidos, hoje provavelmente teríamos uma política algo diferente.
 
E agora a "independência".
 
Alguns gostam de colar o rótulo de "independentes" à "independência" mas eu preferia que o rótulo  fosse "profissionalismo","assertividade","objectivo" ou "meta".
 
Independência é usar os dinheiros públicos com cuidado e de uma forma consciente.
Independência é manter a programação de Verão inalterada ano após ano e não a fazer crescer em anos de eleições autárquicas.
Independência é não ter o "amigo" construtor, o "amigo" promotor de eventos, o "amigo" jornalista, o "amigo" empresário.
Independência é fazer revisões do PDM com uma visão de 20 anos e não com um horizonte de meses.  
 
E isto não se ganha rasgando o cartão do partido, isto ganha-se com experiência profissional,com profissionalismo, com vontade de fazer, com uma "coluna vertebral" moral que se têm independentemente do local onde se está.
 
Por isso só posso pedir decência moral.
 
Deixem os rótulos em casa e tratem de discutir as coisas que interessam, que ano após ano cada vez mais são os conhecidos que encontro na A28 às 8 da manhã a caminho do Porto para irem trabalhar.
Esses é que são os verdadeiros "independentes" do concelho e praticam todos os dias a "Independência" de não estarem ligados a nenhuma instituição do concelho.